Desespero e queda
Nada que sequer lembrasse a �ngreme e longa Biologia, na USP, mas alguns viadutos bem incomodativos, aquela subidinha curta, for�ada, que voc� imagina que v� terminar logo, mas fica. E o que � pior: n�o vem com o pr�mio de uma descida em seguida. Ao contr�rio, segue corcoveando, num percurso que vai dando nos nervos, provocando as panturrilhas, tudo encimado pela parede de ar frio e pelo uniforme encharcado, os t�nis que j� viraram a pr�pria lama.
Nesta avenidona feiosa em que estamos agora, depois do km 13, j� d� para ver mais ou menos quem est� no meu pelot�o, um pouco � frente ou em ritmo que d� para enfrentar. Tem um casal, ela de azul, ele com uma camiseta vermelha com o n�mero 1 nas costas, eles me passaram l� pelo 2 ou 3, mas n�o fugiram muito, eu os perdi de vista e agora j� d� para perceb�-los ao longe. H� um garoto, coisa de 20, 22 anos, que corre ladeado por outros dois de bicicleta. Ele me passou algumas vezes, pois eu recuperava, passava de volta.
� nessa altura que eu estabele�o a estrat�gia para o resto da prova: fazer o que for poss�vel at� os 21, com vento contra, e da� deitar o cabelo na segunda volta, aproveitando a descida e talvez uma situa��o menos desfavor�vel de vento.
Vou tocando, mas sem muita no��o do ritmo exato, porque n�o h� marca��o quil�metro a quil�metro. �s vezes, a placa est� no local esperado; logo passam-se alguns quil�metros sem indicadores, uma certa zona que vai me deixando atrapalhado. Os corredores que marco como advers�rios � que me v�o ajudando a manter um ritmo mais ou menos decente.
Passo a meia-maratona com  menos de duas horas, todo feliz, para logo perceber que s� tinha cruzado o p�rtico. Precisava ainda rodar mais de 500 metros para a frente e outros tantos de volta, passando novamente pelo marco de largada, para completar a metade de prova, que fiz em torno de 2h03, mas n�o sei ao certo.
Fui em frente, seguindo meu plano, mas o tempo manteve seu projeto individual, sem se render aos meus desejos. Quando cheguei de novo ao rio e vi aquele ret�o pela frente, quase desanimei, senti as passadas se apequenarem, o ritmo quebrar. E a� vi duas garotas que havia notado l� no in�cio -elas tinham se desgarrado e mantinham sempre o mesmo ritmo. Nada muito especial, mas um pouco mais forte que o meu e, pelo menos, era um ritmo, n�o um sobe-e-desce maluco....
Fui atr�s, era l� o 23 ou 24,  talvez. Ali foi a minha salva��o. Mais uns dois quil�metros e emparelhei com elas, s� para ver uma, a mais baixinha, se mandar. Pior: logo em seguida passou por mim o tal garoto que vinha acompanhado pelos amigos na bicicleta, e que eu pensava que tivesse despachado l� por volta da meia.
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