| Hora da decis�o |
| Pau! Talvez n�o conseguisse mesmo quebrar as 4h, mas tamb�m estava decidido a n�o fazer menos do que j� tinha conquistado. A essa altura j� est�vamos chegando a uma parte menos selvagem, habitada de longe em longe. Mais gente surgia de vez em quando na estrada, aplaudindo, incentivando. Alguns gritavam o meu nome, escrito no peito. �Way to go, Rodolfo!� �Good job!� N�o t�o bom, porque a previs�o continuava 4h04 na milha 23, mesmo com o freq�enc�metro nos 160 (� verdade que tamb�m ca�a at� os 120, 136...). A temperatura, l� pelas 10h30, estava mais alta, o sol brilhando forte, mas nada que se possa chamar de calor. Ali�s, com o maldito vento, eu at� torcia pelos trechos onde pudesse pegar sol. Revisava na minha cabe�a o que ainda viria pela frente, lembrando o mapa da altimetria. Eu estava numa descida que seguia at� l� pela milha 24,5, depois subia at� a 25 e um pouquinho, numa lomba mais �ngreme, da� vinham duas pequenas quedas at� a corrida pro abra�o. Bom, n�o era nada disso. As descidas eram mais curtas, as lombas mais inclinadas, os pequenos trechos planos mais chatos. S� o que eu sabia � que n�o ia deixar o freq�enc�metro baixar dos 150 bpm e que ia ter for�a para chegar bem. Sei l� a quanto foram os batimentos. Quando eu vi, estava na milha 25, era s� mais uma, no meu rel�gio faltavam oito minutos para as quatro horas, eu j� tinha feito, em treino, 1.500 metros em 7min20, quem sabe desse para quebrar. Dar, n�o ia, eu sabia, tinha a milha mais umas tantas jardas, os tais 195 metros que matam, mas talvez... Pau! Chinelo neles. Levanta os calcanhares, olha para a frente, vai buscar. Tem mais um verdinho para derrubar, como outros corredores do revezamento, com n�mero verde �s costas (os maratonistas t�nhamos n�mero vermelho no peito). Eles passavam voando por n�s, n�o fazendo mais que a obriga��o. Mas muitos fraquejavam no entusiasmo, e minha divers�o era ultrapass�-los. Uma baixinha que eu tinha deixado para tr�s voltou a me superar, um outro sujeito me passou tamb�m faltando 500 metros, l� na frente eu via uma garota de camiseta laranja em que estava escrito �26.2 Dream a little, sweat a little� (Sonhe um pouco, sue um pouco). Ela havia me passado algumas vezes desde a milha 16, eu tinha dado o troco outras tantas. Fui! Sei l� se alguma coisa estava doendo, era a hora de abrir a passada, ouvir o rugir do pessoal que estava na chegada. Ainda pensei em ver a Eleonora, em gritar Brasil!, mas que nada, corri. Passei a baixinha, a outra, o cara de cal��o azul, estava entrando no funil, um fiscal encaminhou a garota de camisa laranja prum lado, fui pro outro, cheguei! 4h02min11 marcou o rel�gio oficial. 4h01min16 foi o meu tempo para as 26,2 milhas. A segunda metade foi melhor que a primeira, o joelho n�o doeu, as canelas n�o fraquejaram, o p� n�o torceu. Eu estava inteiro, estava sobrando. Leia mais... Home |