| Repouso do guerreiro |
| Recebi a medalha, um medalh�o de argila com inscri��es em azul e uma gravura da tal ponte Bixby, o cart�o-postal de Big Sur. Logo depois, ganhei uma esp�cie de cobertor de um pl�stico especial. Entrei numa fila de nada para subir num p�dio e fazer a foto oficial e fui para a barraca da comida. Era um barraca�o! Montes de comida! Logo na entrada, cada um pegava uma caixinha de papel�o e seguia para atacar uma caixa de laranjas cortadas, bananas gigantescas, morangos vermelh�ssimos, suculentos, barras de cereais, copinhos de salada de frutas e compotas, p�o (os tais bagels), passas e suco de fruta. Quando vi que n�o precisava ser um por cabe�a, voltei, peguei outra caixa e fui enchendo com as barras, que s�o �timas, as passas, que a Eleonora gosta, e o suco, que eu adorei de in�cio, mas depois vi que era muito doce. Saindo da barraca, continuava no cercado de atendimento aos corredores. Um imenso trailler servia cerveja �s pamparras. Abri m�o, imaginando quem seria o doido que recomendava �lcool �quela altura, e logo ouvi meu nome. Gritei de volta, berrei, vi a Eleonora, sa� correndo pro abra�o, beijo, abra�o. E ainda ganhei flores, cravos vermelhos, o �nico. Meio abobado ainda, voltei para pegar sopa quente, um minestrone dos bons, para a Eleonora e para mim. E ainda ataquei de novo a barraca de comida. Sa� do cercado para ficar com a Eleonora, fomos para um canto, comer agora descansadamente, tirar as fotos oficiais para n�s, eu com a medalha, ela com a medalha, os dois abra�ados. E ela me empurrando, �vamos para l�, fazer fotos com as bandeiras�. N�o entendo direito, olho para tr�s, para o funil de chegada, vejo os mastros. Tem a bandeira dos Estados Unidos, da Alemanha, l� no fim tem a da �frica do Sul, mais um pouco para c� a da M�xico, e ali, n�o muito perto nem muito longe, a bandeira do Brasil. �� pr� mim! A bandeira do Brasil t� l� pr� mim!�, eu disse. �� pr� ti, tu n�o tinhas visto, era isso que eu tava dizendo� , respondeu a Eleonora. Eu era o �nico brasileiro na maratona. E a bandeira tremulava l� em cima. A mais linda do mundo. FIM PS.: Depois de publicada uma vers�o reduzida deste relato na revista �Contra-Rel�gio�, recebi e-mail do m�dico Ewaldo Russo, de S�o Paulo, contando que ele tamb�m havia participado da maratona de Big Sur, tendo completado o percurso em 4h34. Essa tamb�m foi a terceira maratona de Russo, 52. Ent�o a bandeira do Brasil estava l� por n�s, o que n�o diminui em nada a emo��o que senti. A informa��o de que eu era o �nico brasileiro foi passada por e-mail pelo diretor da prova, Wally Kastner. |