| Momento m�gico |
| De certa forma, sabia que eu mesmo estava me enrolando quando gritei que agora era s� lomba abaixo. Basta ver a altimetria para saber isso. Ela estava na minha cabe�a, eu tinha consci�ncia de que estava me enganando e ainda por cima lembrava os coment�rios no f�rum da �Runner�s World�, em que dois fulanos que tinham corrido a prova reclamavam mais das milhas finais que do HP. Mas resolvi seguir no me engana que eu gosto e fiz as milhas mais legais da prova, do ponto de vista pessoal, at� l� pela 16, quando finalmente encostei na previs�o de chegada em quatro horas -o que, apesar do otimismo do Claudio, era muito melhor do que eu imaginava (minha estimativa era terminar em 4h15, talvez 4h20, considerando que tinha feito 3h53 em Porto Alegre). Foi quando pela terceira vez conversei com algum corredor. O cara viu os escritos em portugu�s na minha camiseta (tinha meu nome, o da minha mulher, das minhas filhas, dos meus pais e meus irm�os, de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, do Brasil, de todos os meus cachorros, vivos e mortos, e de minhas m�sicas especiais do cora��o) e puxou conversa. Resumindo: o americano tem uma amiga que mora em Porto Alegre, minha p�tria querida, com a mais r�pida e sensacional maratona do Brasil. � uma arquiteta que ele conheceu em Madri. At� me disse o nome dela e de seu escrit�rio, mas acho que n�o lembro nem sob hipnose. Rodamos junto um pouco, um for�ando o ritmo do outro, mas na esta��o de abastecimento depois da milha 17 eu fiquei para tr�s, bebendo minha �gua calmamente, caminhando, como tinha feito em todas as esta��es e como segui fazendo at� o fim (caminhando porque era mais pr�tico, para n�o derramar �gua, e n�o por causa dos ensinamento de Jeff Galloway, americano ex-ol�mpico, escritor e um dos palestrantes nas cl�nicas do dia anterior, defensor de caminhadas de um minuto a cada quatro corridos ou o ritmo que cada um achar melhor para si). Subi at� a 18 e a� dei uma fraquejada. O caminho era mais ou menos plano at� a milha 20 (32 km), com algumas inclina��es, uma ou outra lombada. Mas vinha o vento, e a� eu senti mesmo. Numa curva, empurrava pelo lado. Quando soprava de frente, parecia me segurar, jogar para tr�s. Eu n�o tinha como fugir. Correndo em campo aberto, sonhava com a pr�xima curva, curtia a chegada de um pared�o ao lado, para pelo menos o vento n�o encanar. As costas estavam doloridas, o pesco�o come�ou a endurecer, anunciando um torcicolo daqueles. A cada subida, as coxas pareciam empedrar, as panturrilhas teimavam em n�o querer obedecer, as passadas ficavam mais curtas. Na milha 21, a previs�o de chegada estava em 4h04 e subindo. Com beleza e tudo, paisagem e o escambau, meu �nimo fraquejou. Comecei a me dizer que n�o ia dar, mas me dizia tamb�m que, se largasse de m�o, n�o daria mesmo. A ordem tinha de ser outra: eleg�ncia, peito aberto, pesco�o relaxado, bra�os se mexendo, calcanhares no alto. Leia mais... Home |