Primeiros quil�metros
Cheguei a ficar com os olhos molhados, mas correr, que � bom, nada. Caminhando no meio da multid�o, que, aos poucos, se movimentava, levei mais de um minuto at� passar pela faixa de largada e s� ent�o comecei a dar passadas que imitavam algu�m tentando trotar.
Alcancei o marco da primeira milha em quase 11 minutos, passei a segunda em mais de 21, a terceira completei em 31 minutos. Tudo ainda no meio da massa, quase sem correr, ainda sentindo muito frio, sem suar, sabendo que estava na parte mais f�cil da prova, uma descida de 50 metros ao longo de cinco milhas, e que n�o podia me entusiasmar.
Mas o fato � que estava aumentando o ritmo. A cada milha, indicada por marcos na forma de violoncelos gigantes de madeira, um volunt�rio gritava o tempo transcorrido e outro informava a m�dia por milha, avisando o tempo total previsto para aquela m�dia. L� pela quarta, a minha j� estava em menos de dez minutos (6min15/km).
Sensacional. N�o precisava olhar o rel�gio e podia prestar mais aten��o ao freq�enc�metro, que indicava um ritmo de treino leve. Tudo bem que n�o era para sair como louco, mas pregui�a tamb�m n�o dava.
Aumentei o ritmo para 150 bpm. O Claudio Castilho, meu treinador, tinha falado em 160, mas achei melhor ser prudente, j� que, mesmo com uma freq��ncia mais baixa, minha m�dia hor�ria estava indo na dire��o desejada. Eu j� estava num pelot�o intermedi�rio. Mais solto, passadas mais largas, resolvi aproveitar mais o caminho, curtir a paisagem. Afinal, era ou n�o era a mais linda maratona do mundo?
Quando, depois de uma subida em curva para a esquerda, vi o mar pela primeira vez, batendo nas rochas, l� em baixo, comecei a acreditar que talvez fosse mesmo. J� n�o sei mais em que milha est�vamos, entre a terceira e a quarta, acho.
A cada uma, �ramos recepcionados por uma banda, um grupo musical ou mesmo s� um fulano fazendo som. E a cada intervalo de duas milhas e pouco havia uma esta��o de abastecimento.
Haja abastecimento! Come�a com �gua, depois Isot�nico, a seguir frutas e por fim esponja molhada para jogar �gua na cabe�a e nas costas. Montes de latas de lixo para garantir que o m�nimo poss�vel v� parar no ch�o -e os copos de papel jogados s�o logo recolhidos. Uns metros � frente, uma bateria de banheiros -razoavelmente limpos, plenamente utiliz�veis sem risco de intoxica��o, a julgar pelo �nico em que eu entrei, no km 32.
E foi nesse passinho, j� um pouco mais r�pido, que cheguei � quinta milha (8 km) e comecei a enfrentar a primeira subida. Entusiasmado com meu bem-estar, at� me esqueci de tomar o gel energ�tico programado para aquela altura.
A �nica incomoda��o era o vento frio. Naquela altura, eu ainda bem forte, descansado, n�o sentia muito. Sabia que estava sofrendo um pouco, mas nada para dar muita bola. Como se fosse um mosquito zunindo na hora de dormir.



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