Come�a a jornada
Somente os corredores pod�amos subir at� o ponto da largada e exclusivamente nos �nibus fornecidos pela organiza��o da prova. As partidas, de dois pontos em Monterey e outros dois em Carmel, come�avam �s 4h30. O �ltimo �nibus largaria �s 4h45.
Cada corredor tinha um bilhete. A cor do passe indicava o hor�rio e o ponto de sa�da. Pela lei, minha esposa, Eleonora, estava impedida de acompanhar a largada.
Desde fevereiro, fiquei trocando e-mails com o diretor da prova, o tenente-coronel reformado Wally Kastner, tentando superar o problema. Tive n�o uma promessa, mas um talvez. Quando procurei por ele, os funcion�rios pareciam n�o acreditar que o pr�prio diretor da prova tivesse respondido a uma solicita��o, mas era verdade, e consegui falar com o superatencioso Kastner.
Foi melhor que a encomenda: acabamos colocados no �nibus dos atletas de elite (um mexicano, um casal de russos e meia d�zia de americanos), que sairia �s 5h15. Ganhei quase uma hora a mais de sono e o privil�gio de um pit stop em banheiros distantes da multid�o.
Sa�mos ainda noite. O motor do �nibus roncava e bufava subindo os morros que ir�amos descer, deslizava silencioso nas perambeiras que ir�amos conquistar. Aos poucos come�ou a ser poss�vel ver o caminho. Um americano que estava ao meu lado me apresentou ao Hurricane Point (Ponto do Furac�o), o pico da corrida, a quase 180 metros acima do n�vel do mar: �� l����� que n�s vamos subir�, disse ele.
Bueno, a gente ia ter de subir mesmo. Mas isso seria mais tarde. Agora, por volta das 6h30, finalmente cheg�vamos ao ponto da largada, no Pfeiffer State Park.
A organiza��o e os servi�os estavam impec�veis, como tudo ao longo de todo o tempo. Bancas com bananas em peda�os, laranjas cortadas, Isot�nico e �gua. Montes de banheiros, com filas enfrent�veis. M�sica. E um locutor anunciando quanto tempo faltava para o in�cio da prova.
Peguei uma garrafa de �gua, tomei uns dois, tr�s goles, fui para a fila dos banheiros para dar a �ltima antes de come�ar a correr. Quando faltavam 15 minutos, eu ainda tinha uns cinco pela frente. Resolvi tirar a roupa ali mesmo.
� que, com o frio de rachar, todos os corredores est�vamos agasalhados. A ordem era colocar a roupa em um saco pl�stico, marcado com o n�mero do atleta, e deixar nos �nibus, que iriam esperar no final.
Deixei com a Eleonora meu abrigo, as luvas e o gorro. Estava frio, na casa dos sete, oito graus, mas o sol brilhava, achei que n�o iria precisar de mais agasalho. �s cinco para as sete, entrei no cercado, fiquei na �rea dos que iriam correr entre 3h45 e 4h30 (mais para 4h30, temia).
Houve uma revoada de pombos brancos, foi cantado o hino norte-americano. O locutor anunciou que faltava um minuto, depois 30 segundos, dez segundos,
largada!


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