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Doce Ofélia... imolada em tragédia que não lhe diz respeito...
Começou a perceber sua mulher como vítima inocente, envolvida no insuportável embate a defender-se contra "não sei quê".
Culpa?
Lanço culpa sobre ela?
Culpa, acusação! Eu o sou?! Mas é o pior que poderia suceder-lhe! Sim, talvez eu transmita pelos poros este ódio condenador - profunda e verdadeiramente a acuse, sem o assumir:
Tu destróis meu sonho, és a responsável! Só tu o podes salvar, mas nem mesmo o queres!
Sequer crês em salvação! Mesmo queira eu arcar com toda culpa, nem isto te será suficiente, não te valerá em nada.
Por que não te dás chance alguma, te renegas a mínima misericórdia...
A única coisa a que julgas ter direito é precipitares num poço de esquecimento sem fim, condenar-se inapelável e eternamente!
Sem mesmo clemência de derradeiro grito!
E algo, imperceptível erva a se alastrar, revelava-se agora dominante, insuperável barreira de fel entre eles:
Ódio!
O ódio invadia como fumaça sufocante os recônditos da alma. Jamais o imaginei: ter ódio – e ódio dela! Até a palavra queima e corrói, é cáustica, é ácida.
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