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Não gostava de arrumar seus papéis, mas de tal forma se acumulavam que, vez rara, violentava-se na rude tarefa – deixando-a sempre incompleta. Foi quando viu a velha caixa, um faqueiro que aproveitara como arquivo.
- Que há aqui? Ah... os olvidados "ludos" aqui estão...
Como – e soube-os quase de cor um dia –, como os esqueci? Ocorreram em
tempo decisivo de minha vida e jazem aqui, relegados, como não houvessem
existido... Foram apenas uma evasão fugaz? Uma amadora distensão literária?
Ou há significado maior neles?
E então ele intuiu, inspirou-se-lhe o sentido dos "ludos". Como vitrais,
eles se estruturaram por uma arquitetura antes não percebida.
E a luz que por eles perpassava iluminava o itinerário de sua vida,
dando-lhe uma visão surpreendente.
Daí este livro; trabalhoso e imperfeito livro. Pois "fazer livros é trabalho sem fim." Palavra em Eclesiastes,12.
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