SORRISO
     
     
       

Naquele sorriso, Sol! - o Sol salvou-me a vida!

Outra "foto" pressionava emergir; um sentir inefável impregnou-lhe o peito, os olhos enterneceram, nos lábios esboçou-se leve sorrir: ele revivia o momento:

Até que enfim, Deus! algo bom em minha vida! exultara. Há dez anos... Sim, foi bom, muito bom...

Procurou com ânsia um papel e, em uma requisição de cheques, redigiu o início de uma "foto":

Quando sol / viestes - sorristes !

Ela tinha serena doçura, magnética e suave beleza, plena de matizes. Deram-se bem, gostavam de estar juntos. A lua de mel, no Rio:

Em sol e alegre - como o Rio!

O "sorriso" irradiou-se em vida. Orgulhava-se - da mulher, de seu casamento:

Ela - algo simplesmente inimaginável em mim.

E os filhos, dois homens, foram acréscimo surpreendente:

Ela e filhos - combinação esplendorosa!

A profissão, antes função de afirmação pessoal, ampliou-se como fator dinâmico de conjunto admirável. Anunciava:

Casar é bom! Vá tranqüilo, é a melhor coisa da vida!

E debruçou-se sobre o papel para registrar a "foto". Mas a pulsão esvaíra-se; e o que esperava luminoso descaminhou para metáforas deprimentes. E rasgou-a.
 
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