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Voragem
Ardia. A cada chama desse incêncio desferida
Oh quanta brisa supliquei aos quatro ventos!
Em teus ouvidos assoprei meus sentimentos
Na intenção de sufocar-te a despedida.
Chovia. E na avalancha de torrentes caudalosas
Oh quanto ardor te emprestei dos meus desertos!
À tua boca meu calor, da minha versos
A te arejar, a invocar as tuas prosas.
É lei que o tempo, esse tropel da natureza
Nao faça ao caos mais que mesura passadiça
Pra que tão-logo volte aos rumos da beleza.
Então és tu, oh criatura, doutro mundo!
Pisas teu chao? Pisei areia movediça!
Deixar-me agora?! E para sempre, moribundo.
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