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Um beijo
Os meus sonetos
são tristes, pensativos.
Eles nos falam
franco, muito nos olham.
E sinceramente
sei que não deploram
o simples e
sucinto fato de viver comigo.
A bem da verdade
meus sonetos não são meus.
São
porções da minha angústia vencida.
Cada um representa
uma utópica ferida
que a minha
inocente ilusão acendeu.
Os meus sonetos.
Eles serão teus, se os quiseres.
Não
exijas muito deles, pois são calados.
Mas ouça
o pouco que te dizem, como puderes.
Irão
bonitos, elegantes, bem arrumados.
Seguem em manto
de cetim, por embrulhados.
- Só
peço um beijo agradecido... se o tiveres.
2001
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O Retrato
Papel que nos fala de um tempo qualquer
Desenho estático de um quadro da vida
A vida... essa mesma que atropela e, atrevida,
Diz-nos que as coisas são como ela quer.
Mas vida, corres solta junto ao tempo!
E o tal retrato, célere, lhes persegue.
Como presente, promíscuo, tem entregue
detalhes do que rumava ao esquecimento.
Vendo-te hoje, lembro-me bem
Dos lapsos de memória, e das ausências
daqueles que pra mim não eram ninguém.
Mas vi-te outrora, é... vi-te, também!
Sem máquina em punho ou fluorescência
E me lembro da mão na mão deste alguém.
2001
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