|
Sonetos
Benditos
Eruditos, que já não fique o dito pelo não dito!
Plebeus, quereis de mim quê de verdade
aconteceu?
Este poeta, alçado em braços de Morfeu,
fitou uma fada, déia singela, em seu feitiço...
Encantou-me! A ela o pânico no ruflar das asas...
- Oh Deus dos Céus, não vás sem mim doce
quimera!
A deusa nua, feita mulher, e ainda mais bela,
Tornou da queda, eu em seus braços, salvo das
águas.
Meus confessores, de tal regato voltei refeito.
Todos os versos pensei p'ra ela, todos perfeitos.
Trouxe-a do nada, e ainda molhados os seus
cabelos,
Disse serena: Bravo poeta, tens meus segredos
leva-os com zelo.
Tens mais a mim, sou-te pr'a sempre, mais eis teu
preço:
Musa aparente - mas três tercetos, mais três
quartetos
2000
|
|
|
Minha
vida
Eu não sei fazer poesia e ser dissimulado.
Nem sei se o que faço mesmo é poesia.
Falo o que sinto: tristeza, angústia, nostalgia.
Gente fiel. Há trinta anos do meu lado.
Mas também rio, brinco, me alucino.
Gargalho com os incautos na euforia!
Piruetas com os palhaços - Viva a magia!
No alegre circo da ilusão mais um menino.
Findo o espetáculo, o drama, a agonia,
se se repete, e reiterada, e a cada dia,
e ainda machuca, maltrata e silencia?
Querer de mim, amigo, mais fantasia?
Busque o ator, não ao poeta - Hipocrisia!
Dou-te minha vida, e se a mal queres, minha ironia.

2000
|
|