Indiferença








   Fustigados estão eles calados 
   Diante de um cenário exuberante 
   Seus olhos brilham como diamantes 
   Há corpos de há muito estertorados. 

   Parados eles não dizem nada 
   Apenas observam a multidão 
   Que com a alma e o coração nas mãos 
   Pede aflita pelo fim da madrugada. 

   Amanhece e de novo um novo dia 
   Para aqueles que não têm nada a perder 
   Filhos pródigos da mais pura apostasia. 

   E a multidão à mingua a fenecer 
   Há sorrisos desses pobres sacripantas 
   Viva a um Deus perdido há muito na lembrança. 
 
 
 
 
 
 
 
 

 2002
 

 
 
 Soneto Cinco Estrelas!








   Deus me conceda muito, mas muito dinheiro! 
   Para que o lance por terra mande-o embora. 
   Dito embalde: volte sempre!e em boa hora! 
   E que compres bom lugar por paradeiro. 

   Mas Deus... dê-me assaz misericórdia por recebê-lo,
   quando triste e em desventura me procurar. 
   Feito um poço de amargura, pontificar: 
   - Nada!... Ninguém me quis... - Tão-só fui um
   minhaeiro! 

   Ah dinheiro, dinheiro...! O que me fazes? 
   Não me destruas. Essa é mesma a boa hora 
   para vir das ruas, evocar-me aquele espaço no
   coração? 

   Não, dinheiro, para o nosso algoz não,não há
   perdão. 
   De ti distante me açoitaram, deram-me as costas. 
   Não mais te enxergo além das tintas (ou cifras) das
   tuas notas. 
 
 
 

2000

 

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