Em uma outra Hora






   Em uma outra hora o dia acena, 
   E sai a multidão dos sonhos meus 
   A orbitar a esfera junto aos teus, 
   Das palavras ao léu - astros-poemas. 

   Em uma outra hora entardece o dia, 
   E a vigilância se impõe, incontinente, 
   Aos nossos ideais que febrilmente, 
   Compõem na nossa vida manhãs-poesias. 

   Em uma outra hora, nossa utopia, 
   Alçada à condição de Astro-Rei, 
   Amadurecerá não mais no ocaso. 

   E então novas auroras, de novos dias, 
   Amanhecerão nas nossas vidas: 
   Eternizando no céu a nossa lua. 
 
 
 
 

2002
 

 
 
 O meu labirinto






  No meu labirinto eu me perco. 
   No meu labirinto eu te acho. 
   No meu labirinto um riacho 
   E o peixe de um pescador satisfeito. 

   No meu labirinto o defeito 
   Nas paredes, todas tortas. 
    meu labirinto dá voltas. 
   O meu labirinto desfeito. 

   No meu laribinto imperfeito 
   A saída, a mais fácil que há. 
   No meu labirinto um jaguar 
   e a presa, na porta, acuada. 

   No meu labirinto a zoada 
   Das buzinas do trânsito intenso. 
   No meu labirinto eu não penso, 
   Não sou eu, talvez não seja nada. 
 
 

2002

 

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