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Recortes
O recorte de algumas
palavras
guia-nos a uma coleção
de imagens.
Uma colagem de sentimentos
decalca-as por todos os
sonhos
de uma vida.
O papéis amarelados
branquejam
com o passar do tempo.
Os recortes não,
ficam a cada
instante mais antigos
e menos vivos.
Contrasta o fundo que lhes
serve
de tela, amplo e raso como
a trama da nossa inocência
e esperança,
Com as pequenas e esgarçadas
gravuras dos infindáveis
embrulhos e desembrulhos
(algumas enterradas no lixo).
Ou a ânsia que nos
assalta,
tanto mais tarde com mais
mansuetude,
escrita pelo mosaico volúvel
dos pedaços que nos
faltam.
Queira Deus ao menos
um dos olhos
permaneça lá.
2001
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Sementes
As sete primaveras
em onze estações de inverno
As quinze gaivotas migrando
desacasaladas
Há tigres de bengala,
as trinta e três dentadas
Em cento e onze Dantes gementes
no inferno
E num piscar de olhos os
doze sentimentos
Das vinte mãos laçadas
do mundo, apiedado
Quis oitocentos sins de
um mar de esquecimento
dos dezessete nãos
de um gesto amedrontado
Assim as mil estrelas calcinaram
no céu
Uns mil fachos de luz banidos
do sol
para um trilhão de
taças em cada arrebol
Era uma só tristeza
a que partiu ao léu
de uma alegria tanta a que
brindou contente!
Cuspindo dois brotos de
flor por cada semente
2001
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