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Soneto Marginal
Indigente, encrenqueiro, vagabundo!
É esse o meu Soneto Marginal!
Especialista na Contravenção Penal,
E revoltado com as normas deste mundo.
Desempregado, o coitado não tem nome,
Fruto de mãe solteira e de pai desconhecido.
Mas muito esperto, de há muito já vivido,
Não o superam quando o assunto é passar fome.
O meu Soneto já cansou dessa rotina.
Espera ele a menor chance do "Mercado",
Para lhe dar como resposta a "Disciplina".
No entretanto, o "Mercado" não suporta,
Do meu Soneto as contingências do passado,
E amiúde só lhe tem batido as portas
2002
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O Vilão
das Horas
Cai mansamente o pó do tempo
E de novo a tarde é demorada.
Longos minutos de um só momento.
Cercas esparsas à margem da estrada.
Curvas do tempo, ao longo da vida
Nos deixam mais velhos e mais perto da morte.
Curvas do tempo, curvas da sorte.
Vida quimera, ó vida atrevida.
Tempo inclemente, ó tempo veloz.
Sequer um minuto não paras, não.
Tempo inclemente, ó tempo veloz
Quisera viver sem este refrão.
Tempo inclemente, ó tempo soberbo.
Margem da vida, morte e desterro.
2002
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