Despedida







   Ó minha singela amiga, ó beleza minha, 
   Pressinto que breve de ti estarei distante. 
   E como todo e qualquer carinhoso amante 
   Despeço-me, assim, nestas difusas linhas. 

   Sempre te quis como um dos mais doces alentos, 
   Que percorreram a minha vida por vaidade. 
   Mas hoje... Hoje falo com sinceridade: 
   Deixar a ti é o maior dos meus tormentos. 

   Pois se à morte não se consagra oposição, 
   E se a vida termina numa noite sem fim, 
   Que fiquem os versos com teu amado coração. 

   Porque deles e neles o que restou de mim 
   Dou-te por completo, e não só uma porção.! 
   Dou-te o amor. O que sempre declarei. E fim. 
 

2002
 

 
 
Reencontro







   Resta-me o teu semblante, insinuado 
   Nos traços frios dessa ossatura de tua face. 
   Redesenhado o teu sorriso, em qual disfarce 
   Tu me vestias de humor - dissimulado. 

   Olho-te o rosto, um belo rosto, petrificado. 
   E então me pego a relembrar o teu descesso. 
   Eu me atenho em afagar-te o osso convexo 
   Da conjunção de teu malar, desencarnado. 

   Eu te prefiro, ah meu amigo, em teu passado! 
   Quando tu eras a imagem de um presente, 
   Nosso presente eternamente acalentado. 

   E o vendo agora, agora eu sei, sei o que sentes! 
   A solidão no ataúde - sepultado, 
   Na mortandade do meu ser - evanescente 
 

2002

 

<<                 >>
Hosted by www.Geocities.ws

1