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Gabriela
Se só
num sopro Deus criou todo o universo,
Num só
pensar moldou toda a sabedoria,
Imaginei possível,
e fácil, só quatro versos:
Quis condensar
a quintessência da poesia.
Simples seria:
o universo reduzido à folha.
Eu semi-deus
- hábil artesão em punho!
Ao lapidar-lhe
os traços, sim, melhor escolha
não
havia. Perfeita era, esboçado o rascunho.
Rompeu Setembro
e com ele minha surpresa.
Minha obra-prima
já de muito arte-final
Foi-se alistar
entre os calouros da beleza...
E que este Deus
noutro capricho celestial,
Me trouxe ao
mundo, como lição, mil vezes bela!
(- Tolo artesão.
Dê boa-vinda a Gabriela.)
2001
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Veleiro
Azul
Por que, soneto, nesta funda cela,
Se mesmo na procela há pisos de se compor versos.
Mais ainda - me manténs preso entre quatorze
excertos.]
Elos, as âncoras de meus barcos à vela.
No horizonte uma sublime estação brilhante
De quimeras, lumes e luas - à ventania.
Exultaria, soneto - à dourada escrivaninha,
Em pintá-las no convés - orgasticamente.
Soneto, as nuances, poeta, sentimos tanto,
Que confinado e antolhado no porão,
Achei os traços que me levam ao timoneiro.
Então, soneto, mais um sentido pranto:
Trago a candeia, a folha e lápis às mãos:
E que sopremos o azul juntos, desse nosso veleiro.
2001
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