Último Verso 
 

Preferiste meu semblante de amargura, 
ante o brilho dos meus olhos na memória. 
Quão ingrato e vil tributo à nossa história. 
Quanto abandono neste gesto de loucura. 

Decaído do meu céu a este inferno, 
então desvelo de indizível covardia, 
não há sinal que me apagasse as poesias, 
as inocentes, letra morta em teus cadernos. 

Mas se me pensas em concerto com o luto, 
por mais pareça um funeral a melodia, 
que assobio quando vão sigo corruto, 

Eu te declamo o grato e derradeiro verso! 
Pois pequenina mesmo em fim dos mais perversos, 
resta a quem ama o estertor da alegria. 

 
 

 
 
 Encontrocom aSolidão






   Por quanto te busquei, em quantas linhas 
    e afinal o encontro, companheira querida! 
    De um dizer que as tão sofridas, esquecidas 
    mágoas tuas foram exatas dores minhas. 

    Faz sentar-nos lado a lado, minha querida 
    entre essas tantas cadeiras, as sempre vazias. 
    Vem contar de um mesmo canto nossa alegria 
    Desse mesmo reencanto que é a nossa vida. 

    Mas já são tantos os que nos rondam nesse salão 
    Tantos são os que nos olham num vem e vão 
    (Bem sabemos como erram estuporados). 

    Vigilantes de viés, amedrontados 
    a nos cobrar um doido brinde, em seus avisos 
    não suportam nos rever só em sorrisos. 
 
 
 

 

 

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