De fato, Carlos Pena Filho, o nosso (meu e da Rita, oxalá de todos) Atlas Poietés, ou Trovador Atlântico, carrega seus poemas de tonalidades marítimas, suaves e intensas – em sua obra não se pode pensar sem uma imanente associação a cromatismos sentimentais -, como se os construísse em uma grande sinfonia de luzes, mediando Céu e Mar, em pares de contrastes, como nestes versos: 
 
“O enorme céu que cobre mar e mágoas 
ele abriga os astros, 
sustém meu claro sonho sobre as águas, 
velas e mastros. 

Um dia hei de encontrar terra ignota: 
é assim quem sonha. 
E se nenhuma houver em minha rota, 
Que Deus a ponha. 

Em meio ao longo mar não faço caso 
dos dias meus, 
Pois tenho a guiar-me o vento ou o puro acaso 
e o acaso é Deus.” 

"PedroÁlvaresCabral" (1999:51) 
Foto de Recife e seus cromatismos naturaisT
 

 
 
Foto de Carlos Pena Filho, do Livro Geral de Poesias

Ou Trevas e Luz, Corpo e Alma, como nestes: 

“O quanto perco em luz conquisto em sombra 
e é de recusa ao sol que me sustento. 
Às estrelas prefiro o que se esconde 
nos crepúsculos graves dos conventos.

Humildemente envolvo-me na sombra 
que veste, à noite, os cegos monumentos 
isolados nas praças esquecidas 
e vazios de luz e movimento.

Não sei se entendes: em teus olhos nasce 
a noite côncava e profunda, enquanto 
clara manhã revive em tua face

Daí amar teus olhos mais que o corpo 
com esse escuro e amargo desespero 
com que haverei de amar depois de morto.” 

"Soneto" (1999:63)

 

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