Eu
e Ela
Ela
iate eu a vela
Ela
estrela eu novela
Ela
atriz eu Gabriela
Ela
Jorge e eu amado.
Ela
no quintal e eu na lua.
Ela
nua e eu armado.
Ela
minha e eu na dela
Eu
sua tese de contestado.
Ela
lei eu revolução
Ela
Paulista e eu Estado Novo.
Ela
ditado eu legalista
Eu
Estorvo e ela Rita.
Eu
açúcar ela café
Eu
no Marco e ela na Sé.
Eu
sinuca, ela me quer
Que
seja Lucas, mas eu sou Carlos.
Ela
Xavante eu Moicano.
Ela
anelante eu Pernambucano.
Ela
in
asfalto e eu na praia
Ela
volante e eu no leme
Ela
Kart eu caravela
Ela
xeque e eu...
Cadillac.
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A Caneta
(Escrito
para Rita Amaral)
Com a cantada que ela me deu
Eu vi Teseu tourear o o boi-bumbá.
E vi Netuno engasgado em um anzol
De um Titã que Hobbes domesticava.
Com a caneta que ela me deu eu fiz brilhar
O lusco-fusco das asas de Ícaro
e o aterrisei
no Santos Dumont.
Furei a pêra de um banquete na Macedônia
Sentenciei a vitória de Alexandre sobre Átila
diplomaticamente.
Com a caneta que ela me deu compus amônia
e rememorei Parmênides, Heráclito, Anaximandro,
Bob Marley e Marx.
Risquei nos meandros das efemérides ocidentais:
O Gênesis, O Renascimento, as Cinco Revoluções,
O Carnaval e a Era de Aquário.
Com a caneta Sheaffer que ela me deu, senti-me
o tal: um antiquário.
Nietzsche, Hegel, Spinoza, Sartre,
Borges, Neruda, Cortázar e Amaral.
Ah! Assinei meu nome com a caneta dela e
recolhi-me nos cacófatos ingênuos para dizer
Amo-te como amo a cidadela de onde venho.
Amo-te mais, porque ela tem uma legião de
Paladinos
e eu tenho o meu tinteiro de aprendiz
ancorado em teu ventre feminino.
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