Luz, Alfazema
e Pão
com manteiga
Onde
é?
É
numa Venda?
Que
eu vá com uma venda
às
quinquilharias.
E
não profanem meus sentidos -
(banha,
ovos e ninharias.)
Quando
menino eu comprava
bala
de amendoim, chiclete
e
um carretel de linha.
Papel
de seda, picolé
com
um álbum de figurinhas.
Mas
não profanem meus ouvidos:
(pequenez,
arrogância e mesquinharia.)
No
Carnaval tinha bisnaga,
óculos
d`água
e
dente postiço de vampiro.
Mas
não profanem tudo aquilo:
(aridez,
cegueira e antropofagia.)
- Luz,
Alfazema e Pão com manteiga...
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Em
Segredo
Degredaram
em segredo
o
meu pobre brinquedo.
Era
eu tão pequeno. E chorei.
Não
sei se foi por medo
ou
de raiva, eu não sei.
Meu
singelo brinquedo.
Só
se foi. Eu fiquei.
Confinaram
e esconderam
a
minha ilusão.
Já
era eu tão humano, aguentei!
Já
meio cartesiano
(só
um pouquinho eu chorei).
Minha
doce ilusão.
Onde
está? Não mais sei.
Deus
me deu trinta anos,
eu
cresci e mudei.
Por
completo em meus planos
não
há mais desenganos,
não.
Não há pranto ou desterro.
Os
meus olhos tão secos e frios.
Minhas
mãos tão largadas,
Não
acolhem outros erros,
não.
Não mais entram por becos
que
não sintam saída.
Vagam
pelas calçadas,
com
seus dedos sombrios,
a
palma dolorida,
de
uns apertos de mais.
Observam
os sinais:
Se
indicam uma longa
e
segura avenida
-
Lá se vão minhas mãos!
que
mesmo com outras mãos,
sempre
desacompanhadas.
Mas
só assim não ficou,
não.
-
Mas que nada!
Meu
brinquedo,
meu
antigo brinquedo,
um
brinquedo camarada,
Imaginem
vocês
onde
encontrou parada?
- Em
meus versos!
Se
pião, rodopia.
Se
uma pipa ele voa.
Se
um carrinho transita,
numa
trilha infinita,
da
minha recordação.
E
a minha ilusão?
Ah.
Dessa amiga não sei, não.
Não
mais vi.
Acho
que se perdeu.
A alguém
com apreço
por
este pobre poeta:
-
por favor, tenho pressa -
se
a encontrar por aí,
fale
que estou aqui.
(Dê-lhe
o meu endereço.)
2000
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