Entrega-te ao Poeta 




   Entrega-te ao (andarilho) poeta. 
   Tua mãe não te falou isso, mulher? 
   Ele viçou, já bem sabe o que quer. 
   Prosou com os Incas, Gauleses e Astecas. 

   Ah, menina... (posso voltar a assim te chamar?) 
   Deita no górdio, em seu traço façanho. 
   Não te imagines num porto Castanho. 
   Sê riacho profundo em Itamaracá. 

   Queira, menina, um poeta novilho 
   Que comente acerca do novo espartilho 
   Que usas-te na tua última atuação. 

   Sacrifica-lhe o estro, o condão, o varão 
   Liquida-lhe o peito em seu tão-bom quinhão 
   Ensina o Português a um frade Latino. 

2003
 

 
 
Deixe o poeta

 

  Nunca entregue teu coração a um poeta
   Tua mãe não te ensinou isso, menina!?
   Ele é um farsante, um demônio, um asceta
   Fala-te sério como fala às esquinas.

   Ô menina, deixa a inocência, me escuta!
   Deixa o poeta sonhar, deixa em paz o danado!
   Não tente em vão mantê-lo acordado
   É no sono profundo que a alma lhe avulta.

   Querer, ô menina, um poeta amestrado
   Somente pra gente, no bolso, embalado
   Com seus latidinhos como fosse um cão!?

   Cuidado, menina, ao poeta é sagrado
   O espaço, as estrelas, um suspiro, um violão
   Deixa o pobre coitado. Vive tua ilusão.
 

 

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