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Deixe
o poeta
Nunca entregue teu coração a um poeta
Tua mãe não te ensinou isso, menina!?
Ele é um farsante, um demônio, um asceta
Fala-te sério como fala às esquinas.
Ô menina, deixa a inocência, me escuta!
Deixa o poeta sonhar, deixa em paz o danado!
Não tente em vão mantê-lo acordado
É no sono profundo que a alma lhe avulta.
Querer, ô menina, um poeta amestrado
Somente pra gente, no bolso, embalado
Com seus latidinhos como fosse um cão!?
Cuidado, menina, ao poeta é sagrado
O espaço, as estrelas, um suspiro, um violão
Deixa o pobre coitado. Vive tua ilusão.
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