Tufões do Espírito






   Num intrincado universo reflexivo
   Intuindo-se verdades ainda brutas
   Vive-se o afã de Ser introspectivo
   Em meio a atmosfera de repulsa

   O quanto não é a tamanha frustração
   Ante o vício do desprezo presumido
   De sós mentes confusas em razão
   Dos ventos que sopram do desconhecido

   Qual dia que o mar em sã rebeldia
   Afastará o logro das tempestades, sórdidos tufões
   Clamará pelo estado de terna calmaria

   E o sol libertado dos colossais grilhões
   Clareará mentes, ímpetos, paixões
   Dissipará do espírito a bruma da hipocrisia
 
 
 

(dezembro de 1990)
 

 
 
Serenata




   Vastas sombras, desfolhadas de agonia 
   Vastos olhos desfocados, baços. 
   Vastas faces, esquecidas nos terraços. 
   Muitas flores, sob o sol do meio-dia. 

   Vastos sonhos, e a tessitura de suas teias. 
   Vastas almas, em seus guetos infinitos. 
   Várias danças, vários cantos, vários gritos. 
   Muitos risos, ao clarão da lua cheia. 

   Um convite a deitar em plena rua 
   Vários corpos numa mesma pele nua 
   Vastos uivos, e gemidos de prazer. 

   Vasto silêncio, sem pergunta que fazer. 
   Vastos beijos, no azul desse oceano 
   e eu tão só, tão sem ninguém, eu tão humano. 
 
 
 

(Reescrito com Rita Amaral, em 09 de julho 
de 2003, em São Paulo, Capital.)

 

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