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Como anda a minha
poesia
A minha poesia
pretende ser grande, pretende.
Pretende apagar
uma por uma as estrelas do
universo.
Na pretensão
de reacendê-las em meus versos,
Recambiadas,
nos perfis de suas sombras.
Modesta assim
minha poesia a tal pretende.
Filtrar a luz
dos meus vitrais por entre as frestas.
Ao percebê-la
com a nuance que lhe empresta,
O sombreado
de minha alma entristecida.
Calar-se em
mim minha poesia a sós pretende.
Mostrar-me
o corpo feito chaga em carne viva.
E então
zombar da minha interior ferida,
Depois de exposta,
na palma da minha mão.
Alegre em si
minha poesia sorrir pretende.
Das fantasias,
ilusões, dos choros, de todo o não.
Porque sai
ela com um só lápis nas mãos,
Descolorindo
a face cinza desse mundo.
De tão
tacanha minha poesia errar pretende.
Pela lembrança
de quem a viu e aprisionou.
Num passarinho
que não canta, ressurge o vôo,
Se nem suas
asas brilharam aos olhos de criança.
Mas tão
medonha minha poesia rugir pretende.
E assombrar
os circunstantes do zoológico.
Para que um
abra e num delírio antropológico,
As jaulas frias
que me mantêm na escuridão.
E nessa sanha
minha poesia fugir pretende.
Levando a braços
mais esse cego da caverna.
Quem sabe em
frente da celestial luzerna,
Mostre o seu
rosto a utopia de Platão.
Nalgum lugar
minha poesia deitar pretende.
E ancorar o
pensamento na amplidão.
Ao acalanto
de uma antiga embarcação,
Que do meu
sangue faz um rio adormecido.
E então
sonhar minha poesia louca pretende.
Com uma nação
sem generais ou etnias.
Pelos seus
bares discutir filosofia
E em suas praças
cortejar a multidão.
Ao acordar minha
poesia rever pretende.
Do longo sono
quem com um beijo a despertou.
Não
quero a cara de um selvagem de Rosseau.
Toco o semblante
de um simples ser-humano.
Amada enfim
minha poesia se compreende.
E sinceramente
não sei o que diga neste fim.
Porque até
ela me deixou neste momento.
Quem sabe um
dia a cumprimente, por aí.
2000
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