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Antropologia Sexual
Dedicado
à minha professora
de
Antropologia
Você a
essa altura me leva à sua escola,
como quem me
quer ensinar Antropologia,
e me pergunta,
soberana:
O
Homo Sapiens usava crachá?
E eu sussuro:
O de Neanderthal
domesticava tamanduá.
(Em
sendo assim o Cromagnon
se aperfeiçoou como agricultor,
também
num sussuro
me diz, com
um ar de aprovação.)
Ai eu paro e
começo tudo
de novo, a
te desmaiar na ordem inversa
e ensinar cuneiforme
Persa a Paulistana.
Ai te dou alguma
coisa pra...
perplexa, tu
brincares:
Porcelana Inca,
colares da índia.
Bom, depois,
ainda, a gente conversa,
inventaria
e se reinventa para
outra epifania
indo-americana.
Algumas horas
depois eu te ofereço
um lindo totem
da Malásia e água ardente
de um El Niño.
E te digo:
Se eu fosse
um passarinho seria
um Engole-Vento.
E você
diz:
No
meu pensamento te sacrifico
uma Patavinas.
Quer que eu
fique com ciúmes do
homem de Itabira?
Se
pudesse fazer fila,
você em primeiro,
ele na apostila.
Olha que ele
tinha umas pernas
altas...
Mas
acho a sua língua mais doce,
Peralta!
A pernambucana?
É,
e o seu tacho mais largo.
Então
está na hora do entusiasmo.
Melaço
de cana
e frevo da
cabeça aos pés:
Ai,
ai, que bom...
Menina, esse
refrão é de baião.
É
mesmo, você me fez confundir
Dança do Ventre com
ciranda.
Os dois são
pictóricos.
Em qual deles
se usa as mãos?
Você
quer sabe o sexo dos anjos
e aonde se encontra Panda.
Perdão:
tome palmito e vide o
verso da bula.
Que
bula bonita, mas é chula...
Chupa-se menta
com gengibre para
assepsia de
garganta, e pode-se gargantear
canela, proficuamente.
Eu
não gosto.
Então,
como o queria a tira-gosto,
vamos à
entrada, que o rocambole fica para a
sobremesa:
Ravioli.
2003
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