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Castigo
Do
verso que se espraia pela porta,
De
um beiral ausente no espaço,
Vejo
o triste fim em descompasso,
A
natureza viva, a folha morta.
Quão
grande é a dor que me suporta.
Tão
grande o torpor dessa ferida.
Que
encaminha o cetro desta vida.
Que
é artéria visceral, que é aorta.
Então
assim no sangue derramado,
Da
varanda do meu sonho estremecido,
Lamento
por não mais te ter amado.
Pois
que meu coração embevecido
Da
seiva cruciante do castigo,
Vê
o meu luto em pranto eternizado
2002
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Soneto Ocasional
Infringia
surdamente a lei do tempo,
Recostado em um assento abandonado.
Tinha em si o pensamento albarroado
Em olhares disparados ao relento.
Enquadrado no vagar de cada instante,
Subtraído em sua introspecção,
Via a chance de uma inquietação
Na empatia de algum dos circunstantes.
Com ousadia, cogitou um cumprimento.
A antevéspera, talvez, de um abraço.
Ou quem sabe, oxalá, de um doce beijo.
Todavia, declinou de seu desejo,
Ao perceber que cada um marcava os passos
Do desamor, da frigidez, do embrutecimento.
2002
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