Baronesa de Todas as Solidões



 
 
 

      Não, eu não quero a bela nobreza, 
      Insulsa e cadente entre as flamas reais. 
      Viceja, nos campos, vês, mais rosas fatais, 
      Que em jarros de prata de imponente beleza. 

      Não, não quero pétalas, recolhidas dos salões. 
      O que encera o orvalho, na pele da flor, 
      Escuta, menina, não é brilho ou fulgor, 
      É o tempero silvestre das quatro estações. 

      Então se me vens, face oculta dos ais, 
      Em sombreiro de seda, imitando verões, 
      Esquecida da terra, nessas solidões, 

      Eu te troco o vestido entre os canaviais! 
      Pra que tu, baronesa, não mais sejas sozinha. 
      Terás graça e leveza, dona sinhazinha. 
 

 

 

 
 
Quintessência







    Sorvia o doce gosto da incerteza 
    Enquanto sonolento me mantive. 
    Pensava na Quintessência, que a natureza 
    me ocultara às searas onde estive. 

    Quedei-me logo num delírio extasiante 
    Ao sabor dos enlaces desse enigma 
    Pois minh'alma já em sono exuberante 
    Calava o óbvio, o ser, o devir, o paradigma. 

    Vagando assim pelo meu mundo imaginário 
    Com alquimistas, poetas, filósofos 
    Iniciados em Utopia, 
    Fundimos terra, água, ar, fogo e calendário. 

    De súbito acordei, em euforia! 
    Era Deus que enfim revelava, 
    com um chorinho multifário, 
    No berço ao lado a substância 
    Na criança que dormia.

 

<<            >>
Hosted by www.Geocities.ws

1