A campanha abolicionista foi um processo desenvolvido principalmente por setores urbanos, a partir da década de 1870, para a extinção legal da escravidão no Brasil, e os argumentos dos seus opositores assemelhavam-se aos de alguns críticos que escreveram na primeira metade do século XIX, no ano de 1825, José Bonifácio, considerava o escravismo uma "instituição nefasta" responsável pelo "atraso" existente no país, corruptora da "moral" e dos "costumes" e inibidora do "progresso" e da indústria. No entanto, inexistiam naquele período condições sociais, econômicas e ideológicas favoráveis, tais como: a expansão das práticas capitalistas, o desenvolvimento dos centros urbanos, o crescimento da mão-de-obra livre e, conseqüentemente, de segmentos da sociedade que se opunham ao trabalho compulsório, além da difusão das idéias de progresso e civilização.
O fim da Guerra do Paraguai, com a participação de cativos, também reforçou o abolicionismo, pois as transformações econômicas e sociais internas aliavam-se às pressões internacionais, com o termino da Guerra de Secessão (1861-1865), nos Estados Unidos, o Brasil era o único país independente que ainda preservava a escravidão, então organizações abolicionistas francesas e inglesas começaram a questionar o governo imperial sobre a manutenção do trabalho escravo, o apelo que a junta francesa de emancipação fez ao imperador, em 1865, em favor dos cativos teve grande repercussão, então Pedro II encaminhou, em 1867, uma mensagem à câmara solicitando uma solução para a "questão servil". então o movimento antiescravista cresceu a partir de 1880, e neste ano, foi criada por um grupo de propagandistas, entre os quais Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, semelhante à sua congênere inglesa. Surgiram diversos órgãos abolicionistas nas províncias. Suas reuniões e conferências atraíam um grande número de pessoas e no ano de 1883, a Confederação Abolicionista, liderada por João Clapp e José do Patrocínio, congregava várias associações. aonde os debates se intensificaram na câmara. Joaquim Nabuco, Jerônimo Sodré, entre outros, discursavam constantemente tentando mostrar a inviabilidade de preservação da escravidão, e esses discursos, transcritos nos jornais, tinham maior ressonância na opinião pública, apesar das dificuldades inerentes ao alto grau de analfabetismo.
De uma maneira geral, a campanha abolicionista assumiu uma postura cautelosa em virtude
do perfil das lideranças, formadas principalmente pelas elites intelectuais que
consideravam o trabalho escravo um entrave para o país alcançar o "progresso"
e a "civilização", elas tinham acesso aos jornais e à tribuna parlamentar,
mas, por outro lado, viam com preocupação o aumento da resistência dos escravos, assim,
a manutenção da "ordem" e da lei norteava o abolicionismo, apesar de alguns
militantes antiescravistas, como Antonio Bento, em São Paulo, promoverem fugas de
escravos, com isto contribuíu para acelerar o processo da extinção legal da escravidão
no Brasil.