Movimento
americano e europeu de luta pela extinção do sistema esclavagista, cujos primeiros
resultados positivos começaram a surgir no final do século XVIII. Na Europa, a
escravatura foi abolida, pela França em 1794 (perdurando até 1857); pela Inglaterra em
1807 (contemplando, até 1838, apenas o comércio de escravos); por Portugal em 1856
(1878, nos territórios ultramarinos). Na América, o Brasil aboliu a escravatura em 1888
e os EUA em 1863 (lei em vigor, de fato, e para todos os Estados, apenas após o fim da
Guerra Civil, em 1865). Dois conceitos históricos são entendidos por abolição da
escravatura: o conjunto de manobras sociais e políticas empreendidas entre o período de
1870 a 1888 em prol da libertação dos escravos e a própria promulgação da Lei Áurea,
assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, promovendo a oficialização da
abolição do regime escravista. Os movimentos pela abolição da escravatura são
iniciados a partir de alguns eventos ocorridos: a cessação do tráfico negreiro da
África, em 1850; a volta vitoriosa de negros da Guerra do Paraguai, que se estendeu de
1865 a 1870; a criação da Lei do Ventre Livre pelo Visconde do Rio Branco (liberdade aos
filhos de escravos nascidos após a data da promulgação desta lei, em 28 de setembro de
1871; não obstante, os filhos de escravos seriam mantidos sob a tutela dos senhores
escravistas até a idade de 21 anos); a criação da Sociedade Brasileira contra a
Escravidão (tendo José do Patrocínio e Joaquim Nabuco como fundadores); a Lei
Saraiva-Cotegipe (mais popularmente conhecida como a Lei dos Sexagenários, de 1885, que
concedia liberdade aos escravos com idade acima de 65 anos, e somente através de uma
indenização ao proprietário). Cabe dizer que tais leis representavam apenas um pequeno
avanço, sem grandes efeitos, pois os jovens nascidos após a Lei do Ventre Livre
simplesmente não encontravam respaldos para sua própria sobrevivência após sua
libertação.Com relação à Lei dos Sexagenários, além do próprio obstáculo da
indenização ao senhor escravista para a libertação, os escravos que conseguiam chegar
até a idade dos 65 anos constituíam uma exceção, num país onde a expectativa média
de vida permanecia abaixo desta idade, enquanto a expectativa de vida dos escravos,
certamente, era ainda inferior. As mudanças que iam ocorrendo, no entanto, ameaçavam
afetar diretamente a economia de produção, justamente baseada no regime escravista neste
período da história do Brasil. Os negros chegaram a participar da luta anti-escravista
e, muitos deles, perseguidos por seus atos insurrecionais ou mesmo fugindo do jugo
escravista, reuniam-se em povoados como os quilombos (Quilombo dos Palmares, Quilombo de
Jabaquara). Após as medidas oficiais anti-escravistas determinadas pela Lei Áurea, os
senhores escravistas, insatisfeitos com a nova realidade, tencionavam exigir
indenizações pelos escravos libertos, não obtendo nenhum aval do Império. Desta forma,
surgiram os movimentos republicanos, que foram engrossados com a participação dos mesmos
senhores que eram antigos detentores da "mercadoria escrava" e que, descontentes
com as atitudes do Império, acabaram por defender um novo sistema de governo, decorrendo
daí um dos principais motivos da derrocada final do Império. Por outro lado, a mão de
obra proveniente das novas correntes imigratórias passa a ser empregada. Os negros, por
um lado libertos, não possuíam instrução educacional ou a especialização
profissional que passa a ser exigida, decorrendo destes aspectos a permanência dos negros
à margem da sociedade frente à falta de oportunidades a eles oferecidas. A liberdade
dada aos negros anteriormente escravizados é relativa: embora não mais escravizados,
nenhuma estrutura que garantisse a ascensão social ou a cidadania dos negros foi
oferecida.