Liberais e
Conservadores, ou luzias e saquaremas, tinham uma origem comum, ambos eram egressos da
facção liberal moderada que conduziu o governo durante a regência, cindindo-se, no
período de Feijó, em progressistas e regressistas, respectivamente. Assim, nada mais
natural que os liberais no poder adotassem medidas de caráter conservador, e a expressão
de um contemporâneo serve para aquilatar esta faceta da política imperial: "o
partido que sobe entrega o programa de oposição ao partido que desce e recebe deste o
programa de governo". Os liberais passavam, assim, de um momento para outro, a serem
conservadores.
"Luzia" era a denominação dos liberais. Uma alusão à vila de Santa Luzia, em Minas Gerais, local onde ocorreu a sua maior derrota nas revoltas de 1842. e o núcleo originário dos liberais era o grupo progressista ligado a Feijó. Os luzias, ou liberais, defendiam a monarquia federativa opondo-se ao poder moderador e ao senado vitalício, e a esta oposição se justifica porque os conservadores dominavam o Senado e o Conselho de Estado.
A expressão de Holanda Cavalcanti, político pernambucano do Império "Nada mais parecido com um saquarema como um luzia no poder" caracteriza esse espírito camaleônico dos membros dos dois partidos.