Dominio Holandês

O abandono em que permaneceu o territorio do Brasil, logo após o seu descobrimento, desafiou a cobiça dos aventureiros e especuladores que procuraram lucrativas vantagens nos contrabando nas costas brasileiras

Muitas vezes danosas, mas delas resultaram alguns benefícios como o conhecimento da terra ao percorrem o extenso litoral brasileiro obtendo roteiros  seguros para a navegação, por outro lado não se pode dizer do corso, que acompanhando as alternativas e vicissitudes da política européia, que apesar de estar estabelecida desde o século XVI como medida de guerra, a que recorriam as nações que se achavam em lutas no continente, onde de  disputavam o domínio dos mares, a fim de ferirem o inimigo em seus interesses comerciais, ele perdeu bem depressa esse caráter para ser uma constante ameaça às colônias e fonte de sobressaltos e inquietações para os seus habitantes, devido as diversas expedições organizadas com o objetivo de invadir e assaltar as povoações dos territórios desguarnecidos onde sempre pretendiam um quinhão na partilha das terras descobertas.

E em todas estas histórias dos primeiros tempos atesta essa tendência de vários povos que entre eles se destacaram os navegadores ingleses que não chegaram a exercer jurisdição territorial efetiva; mas de suas façanhas, e que culminaram nas crueldades de Thomas Cavendish

As quais ficaram-nos tristes e dolosas recordações, com os piratas franceses, que chegaram a constituir sério perigo à consolidação do domínio português, os quais foram obrigados a lutar para expulsarem a força do sul e do norte.

Todavia o que mais perturbaram a obra da conquista foram os holandeses, em cuja expulsão se desenvolveram prodígios de valor e de coragem em combates gloriosos e inolvidáveis. Com uma população de alguns milhões de habitantes que se estendiam pela região litorânea do mar do norte em diversos principados e soberania que eram regidos por leis e costumes particulares, assim e que se constituíam os países baixos, ligados sob o cetro dos Duques de Borgonha desde o século XIV, que após a morte de Carlos o Temerário na batalha de Nancy em 1477 passou à sua filha e herdeira única a Duquesa Maria, que, para resistir aos poderosos inimigos de sua dinastia, procurou amparo da Casa d`Austria ao se casar com Maximiliano que subiu ao trono da Alemanha em 1493 e entregou o governo dos estados que Dona Maria trouxera em dote, a seus filhos Felipe e Belo, e no decorrer dos tempos o Rei Carlos V imperou na Alemanha e nos países baixos e nas duas Sicília e na Espanha, e por ocasião de sua abdicação em 1556 coube a seu irmão Fernando a coroa da Alemanha ficando o seu filho Felipe II os demais estados sobre os que reinava, e devido a grande rivalidade da igreja, trouxe os dissentimentos políticos; e a guerra da independência neerlandesa alimentada pela diversidade de crenças religiosas acabou por dilata-la por diversos anos até que o Tratado de Vestefália veio acabar com a rivalidade definitivamente em 1648. E durante essa guerra e que os holandeses hostilizaram mais vivamente as possessões ultramarinas da Espanha e de Portugal .

No período de 1580 a 1640 Portugal que estava sob o domínio espanhol, sofreu severas agressões por parte dos holandeses que invadiram o Brasil para garantir o comércio de açúcar, o qual dominavam em grande parte na Europa

E por conta disto, a Bahia que era a sede do governo geral acabou sendo invadida em 10 de Abril de 1624 devido ao principio de que dominando o centro administrativo do Brasil, o restante seria fácil de ser dominado porém no dia 1 de Maio de 1625 os holandeses foram forçados a assinar a capitulação que lhes foi imposta por Dom Fadrique de Toledo. Vencidos na Bahia, os holandeses foram tentar melhor fortuna em Pernambuco, quando a Companhia das Índias Ocidentais organizou uma poderosa armada que invadiu o grande centro açucareiro da época através da esquadra comandada por Weerdenburgh, que após 21 anos de domínio, em que de proveito nada fizeram, a não ser as lembranças deixadas pelas horríveis crueldades que os holandeses marcaram a terrível dominação chefiada pelo fiscal holandês Jacó Rabi. E com a resistência iniciada por Matias de Albuquerque e o apoio recebido da esquadra espanhola comandada pelo Conde Bagnuolo que trouxe em sua companhia Duarte de Albuquerque Coelho, que vinham comboiada pela esquadra do comandante Dom Antônio Oquendo que aportaram na Bahia em 13 de Julho de 1631, e que após desembarcar os reforços para aquela capitania, levantou ancora e seguiu à caça da frota holandesa do Almirante Adriaen Jancz Pater com quem se confrontou e venceu em um dos mais importante feito da época no dia 12 de Setembro de 1631. Com o grande triunfo obtido por Oquendo, além de privar o inimigo de um de seus mais bravos e destemido almirante que sucumbira na luta, e por este motivo, acabou levando aos holandeses ao abandono da Vila de Olinda e desviarem as suas incursões para rumos diferentes.

E por conta disto, em principio de Dezembro, acabaram se dirigindo para Paraíba onde foram violentamente repelidos com grandes perdas, após violentas refregas que os fizeram embarcar apressadamente para Pernambuco

De onde partiram no dia 21 de Dezembro sob o comando do General Teodoro Weerdenburgh para apoderar-se do Rio Grande do Norte, e que ao chegarem encontraram Matias de Albuquerque Maranhão, que ao ser informado dos planos dos invasores, se colocou a frente de três companhias em defesa da capitania, e no dia 5 de Dezembro de 1633 uma poderosa frota sob o comando do Almirante Lichthardt que transportava uma força de desembarque composta de 808 homens distribuídos em oito companhias e que levava embarcado o Delegado Van Ceulen que era um dos diretores da Companhia das Índias Ocidentais e que se fez ao mar com destino ao Rio Grande do Norte para o ataque ao Forte dos Reis Magos. Pelas 7 horas da manhã do dia 8 a esquadra confrontou-se com Ponta Negras e aproando à terra, transpôs a barra de Natal junto ao forte, cujas artilharia tentou inutilmente impedir a entrada da esquadra, enquanto o Almirante Lichthard sem grande dificuldade apoderou-se de duas caravelas portuguesas e ordenou a ocupação das dunas entre os povoados e o forte por uma companhia comandada pelo Major Vries, que de imediato iniciou a marcha sem encontrar qualquer tipo de resistência até penetrar no interior do povoado de Natal, que foi tomado sem qualquer ato de defesa, e após se estabelecerem os holandeses de imediato avançaram sobre o forte dos Reis Magos quando expediram algumas expedições exploradora ao longo do rio, que fizeram contato com os índios inimigos dos portugueses com intuito de firmarem uma aliança e ajudasse a estabelecer o sitio, e nas proximidades da Ponta do Morcego após ligeiras escaramuças, acabaram obtendo importantes informações sobre as condições de segurança do Forte dos Reis Magos, através de alguns prisioneiros. Os batavos ao se estabelecerem em terra com um grande efetivo, montaram suas baterias nas colinas e dunas próximas ao forte, e devido a sua poderosa esquadra que estava preparada para atacar no momento desejado; entretanto para demonstrar lealdade militar, eles dirigiram ao Capitão-mor Pedro Mendes de Gouveia, uma carta ponderando que estavam dispostos a se apoderarem da fortaleza, porém não queriam atacar sem antes oferecer-lhes as melhores condições, caso se resolvesse a entregá-la. E como resposta, o capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia lembrou que o forte estava confiado a sua guarda pelo rei de Portugal e só a ele ou a alguém de sua ordem, e que o forte seria entregue e a mais ninguém, pois preferia perder mil vidas a fazei-a entrega do forte. Pouco depois rompia o fogo entre o forte e as baterias holandesas de terra, secundadas pelos canhões dos navios de guerra em uma vigorosa batalha que durou mais de três horas, que após uma breve trégua, imediatamente recomeçaram o bombardeio com o mesmo rigor e intensidade do qual acabou causando graves danos a resistência do forte após árdua batalha até ao cair da noite, quando os holandeses se aproveitaram do enfraquecimento da resistência e suspenderam o bombardeio e passaram a noite se reforçando com mais um trincheira com os armamentos desembarcados. E ao amanhecer do dia, a guarnição do Forte dos Reis ostentou sobre os muros uma bandeira branca, e logo a seguir encaminharam um soldado com uma carta sem a assinatura do Capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia que se encontrava gravemente ferido, aos comandantes holandeses solicitando para parlamentarem a respeito de um armistício, fato este que levou a Ceulen a não querer receber a carta encaminhada pelos sitiados, porém devido as alegações apresentadas pelo portador, de que, os que haviam assinado a carta se comprometiam em entregar o Forte dos Reis Magos após realizarem o acordo. Após algumas ponderações o comandante Ceulen de imediato concedeu aos sitiados o armistício e concedeu um salvo conduto para quem fosse designado a acertar os detalhes da rendição, e para isto os portugueses enviaram o Capitão Sebastião Pinheiro Coelho e um ajudante, que após um breve debate acertaram que seria permitido que todos os soldados saíssem com as suas armas e bagagens do forte e que fossem conduzidos rio acima para Potigi, e que deveriam deixar a pavilhão do forte ao se retirarem. Assim que foi firmada a capitulação do Forte dos Reis Magos, de imediato foi expedido uma ordem para que   navios holandeses se aproximarem do Forte dos Reis Magos a fim de receberem os soldados portugueses. Logo após ter sido efetuado o embarque de todos os soldados portugueses,

O Tenente-coronel Ceulen e o Comandante Carpentier de imediato penetraram no interior do forte, onde encontraram gravemente ferido o Capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia, que ao entregar as chaves do forte em muito se queixou de que os seus soldados haviam entregue o forte contra a sua vontade.

Ao tomar o forte, o Tenente-coronel Ceulen de imediato tratou de conquistar a capitania, e para isto no dia seguinte a capitulação ordenou que os Capitães Maulpas e Hendrick Frederick seguissem até Jenipabu que ficava ao norte das proximidades da cidade de Natal, para efetuarem um expedição exploradora e que ao retornarem trouxeram algumas cabeças de gado para o abastecimento das forças de ocupação holandesas, e devido ao êxito alcançado na missão, o Tenente-coronel Ceulen de imediato organizou uma expedição com destino ao interior sob o comando do Major Cloppenburch que levou em sua companhia o Capitão Felior e o Capitão-tenente Cornélio Van Uxsel que seguiram pelo rio até o Passo do Potigi onde desembarcaram e seguiram por terra até a uma planície onde foram violentamente atacados pelos inimigos que com o decorrer da luta se puseram em fuga. E no prosseguimento da marcha, chegaram a um pântano nas proximidades do Engenho Ferreiro Torto que pertencia a Francisco Coelho, e que se localizava na margem direita do rio Jundiaí a uma pequena distância de Macaiba, onde foram violentamente repelidos.

Os holandeses sem desistir de seus sombrios e tenebrosos planos de dominação, foram buscar ajuda junto aos índios Tapuias das ferozes tribos dos Junduís que habitavam as ribeiras dos rios Jaguaribe e Açu

E que desceram ao primeiro chamado dos holandeses nos impulsos de suas barbaria estimuladas pela perversidade de seus requintes selvagens de Calabar sobre o engenho onde o Capitão Francisco Coelho e todos que ali haviam se refugiado acabaram sendo mortos com a mais revoltante crueldade. Logo após a conquista do Engenho Ferreiro Torto, Ceulen despachou para as autoridades em Recife o navio De Spieringh que era comandado pelo Capitão Jan Jansen Noorman com as noticias dos triunfos alcançados e transferiu o seu acampamentos para a cidade de Natal e deixou no Forte dos Reis Magos para sua defesa apenas uma companhia sob o comando do Capitão Gartsmann e tomou a resolução de fazer retornar a esquadra e as forças desnecessárias para Pernambuco.

A tarefa de conquistar a Capitania do Rio Grande do Norte estava realizada, e a partir deste momento passou a pesar a intolerante e desumana tirania militar que oprimiria, mais tarde a pequena população de colonos, dizimando-a em horríveis carnificinas praticadas após despojá-la pelos saques e roubos de seus poucos bens, e para isto o Capitão Gartsmann contava com o valioso auxílio das tribos indígenas aliadas, cujas proezas ficaram assinaladas pelos surtos de inenarráveis vandalismo praticado nos dois assaltos executados ao Engenho Ferreiro Torto, e ao ataque praticado junto ao Engenho de Cunhaú, quando surpreenderam e aprisionaram o Capitão Álvaro Fragoso junto com alguns de seus homens, após perder muitos de seus soldados na sangrenta luta realizada. Estando os holandeses, senhores da cidade de Natal e de terem destruídos os  principais núcleos de população que eram os Engenhos de Ferreiro Torto e de Cunhaú, os invasores batavos puderam impor sem contrastes o seu inexorável jugo, dos quais os que não quiseram submeter-se ou pagaram com a vida pela sua rebeldia ou foram procurar abrigo no Arraial do Bom Jesus onde Matias de Albuquerque ainda se mantinha firme e inabalável na defesa da terra. O abandono da Capitania do Rio Grande do Norte seguir-se-ia meses depois, a capitulação da Paraíba e os repetidos desastres dos pernambucanos os quais acabaram forçando a retirada de todos para a Capitania de Alagoas, porém ao se aproximarem de Porto Calvo o confronto se tornou inevitável contra a forte e aguerrida guarnição holandesa do Comandante Picard, que após rigorosas escaramuças e sangrentas refregas, onde foi decisivo o auxilio de Sebastião de Souto para a rendição e capitulação que foi concedida ao Comandante Picard sob a condição de seguir com a sua gente para a Capitania da Bahia de onde foram conduzidos a Holanda. E desta capitulação, Calabar foi excluído, para ser sumariamente condenado a morrer enforcado e esquartejado como traidor aleivoso à sua pátria, logo em seguida as forças de Matias de Albuquerque deixaram a cidade de Porto Calvo, e três dias depois aquela vila que Duarte de Albuquerque denominara como Bom Sucesso era novamente ocupada pelos holandeses que haviam se refugiado em Pirapueira E em outros, obstando as comunicações com Pernambuco pela costa. Neste momento, as cortes de Lisboa reconhecendo a ameaça que a ocupação estrangeira representava para a integridade do domínio luso-espanhol, enviou uma expedição comandada por Dom Luis de Rojas y Borjas que ostentava o posto de mestre de campo e que deveria substituir Matias de Albuquerque no cargo de governador e superintendente na guerra. Esse socorro desembarcou em Jaraguá na capitania de Alagoas no dia 28 de Novembro de 1635 de onde seguiu para a capitania da Bahia conduzindo o novo Governador Geral Pedro da Silva que havia sido nomeado para suceder a Diogo Luis de Oliveira.

Dom Luis de Rojas y Borjas homem ardoroso e destemido, logo ao assumir o seu posto, foi morto no combate realizado em Mata Redonda e para substituilo foi nomeado o Conde de Bagnuolo que impulsionou a guerra contra os holandeses com bandos dirigidos por Felipe Camarão, Henrique Dias, Francisco Rebelo, Estêvão Távora, Sebastião Souto e Vidal de Negreiros em incursões atraves de Serinharém, Ipojuca, Muribeca, Goiana, São Lourenço, Cabo, Itamaracá e outros povoados da região entre a Paraíba e Alagoas causando grandes inquietação entre os colonos que cansados de tanto sacrifício oscilavam indecisos entre os dois partidos em luta. Por este motivo os holandeses mudaram a maneira para de suas conquistas, de modo a torná-la compatível e conciliável com os sentimentos das populações conquistadas com o objetivo de consolidar a ocupação.

Diz a história que o Brasil holandês, que se principiou no ano de  1630 com a tomada de Olinda e do  Recife e que terminou em 1654 com a capitulação nos Montes Guararapes. E com a chegada do Príncipe Maurício de Nassau o qual ocupou toda a costa do Rio Grande do Norte até ao Rio Formoso com sua administração que se iniciou no ano de 1637 e terminou no ano de 1642, e que verdadeiramente se iniciou o domínio holandês, quando tudo era desolação e miséria nas zonas conquistadas.

O Conde Maurício de Nassau para solucionar os problemas teve que ser severo para coibir os abusos, hábil para acalmar os espíritos, enérgico para estabelecer a ordem no serviço militar e civil.

E o que realçou o seu governo é a sua tendência liberal, foi o feitio de seu espírito sempre voltado ao culto pela natureza o seu amor apaixonado pelos mais elevados ideais da humanidade, e no ponto de vista militar, teve, a principio os maiores sucessos; mas a tentativa frustada da tomada da Capitania da Bahia no ano de 1638, contribuiu decisivamente para amortecê-lo e para despertar nas cortes de Madri a necessidade de ser organizada uma poderoso esquadra com forças portuguesas e espanhola em socorro da colônia, a qual chegou em 23 de Janeiro de 1639 à cidade de Recife sob o comando do Conde da Torre Dom Fernando Mascarenhas, de onde obteve informações que a esquadra holandesa do Almirante Corneliszoon Loos se encontrava nas proximidades de Olinda,

E por conta disto o Conde da Torre imediatamente seguiu para aquele rumo e se encontrou com a esquadra holandesa na Ponta de Pedra em violenta batalha

Na qual o almirante holandês perdeu a vida. Jacob Huyghens Vice-almirante holandês ao assumir o comando da esquadra se defrontou com a esquadra do Conde da Torre ao norte de Goiana, nas costas da Capitania da Paraíba na altura de Cunhaú em um combate que se seguiu até a Ponta da Pipa, e que depois destas confrontações o Conde da Torre apesar de não ter tido nenhuma vitória decisiva, acabou abandonando o inimigo e fez-se ao mar. Luís Barbalho Bezerra ao desembarcar todos os seus soldados na localidade de Touros, imediatamente empreendeu uma marcha com destino a Bahia por caminhos totalmente desconhecidos e em territórios ocupados, até que sofrer a primeira resistência em Potengi por parte das tropas batavos comandadas por Gartsmann que a frente de seus soldados apoiados pelos índios Tapuias tentou impedir a sua marcha, e que ao derrotado acabou sendo conduzido a Capitania da Bahia. Novos obstáculos redobraram em seus caminhos, porém Barbalho comandando a sua tropa com grande fibra e decisão venceu as refregas que se sucederam nas localidades de  Goiana e Serinhaém vingando em trucidações tão cruéis como as praticadas pelos invasores holandeses, até atravessarem o rio São Francisco e levar o reforço eficaz sob o seu comando até a Bahia.

A 5 de Junho, Dom Jorge Mascarenhas marquês de Montalvão assumiu o cargo de Vice-rei e Capitão-general de mar e terra e restauração da Bahia, ele foi o ultimo governador nomeado para o Brasil pelo rei Felipe IV, homem de grande valor que ao reconhecer a impossibilidade de auxiliar eficazmente os colonos de Pernambuco, acabou aceitando às tréguas que Maurício de Nassau insinuava aos padres e moradores católicos para tornar a guerra mais humana, essa trégua porém, mal encobriu o estado de hostilidade latente entre as duas partes envolvidas nas negociações, em virtude da desconfiança existente os contendores. Com a noticia chegada na Bahia em 15 de Dezembro de 1641 da restauração de Portugal, Dom Jorge Mascarenhas que antes já havia entrado em entendimentos com o Conde Maurício de Nassau sobre as incursões, viu a sua situação se tornar embaraçosa, devido ao seu desconhecimento a respeito das orientações que na Europa ditaria os atos do novo governo. E devido aos seus procedimentos perante aos holandeses, Dom Jorge Mascarenhas acabou desagradando aqueles que aspiravam à expulsão dos holandeses, e que por conta disto promoveram a sua substituição por uma junta composta pelo Bispo Dom Pedro da Silva e Sampaio, do Mestre de Campo Luís Barbalho Bezerra e do Provedor-mor Lourenço de Brito Correia com base nas intrusões trazidas de Lisboa pelo jesuíta Francisco de Vilhena, a deposição do Vice-rei Dom Jorge Mascarenhas, foi no entanto um desafogo de pequena duração, devido que ao fato de que o governo português precisava contemporizar com a Holanda, cujo interesse máximo era tirar proveito da situação e não restituir possessões, que naquele momento não poderiam ser reivindicadas pelas armas, por este motivo Portugal assinou um armistício por dez anos junto ao governo holandês, como reconhecimento das conquistas efetuadas pelos holandeses, que valendo-se de vários pretextos e razões capciosas, acabaram se apoderando da Capitania de Sergipe e do Maranhão, assenhorearam-se de Luanda e da Ilha de São Tomé. Com essa expansão territorial o poder do governo holandês atingiu o seu apogeu, enquanto isto, em 26 de Agosto de 1642 chegava à Bahia o primeiro governador geral escolhido após a restauração, Antônio Teles da Silva que exerceu o mandado de seu cargo até 22 de Dezembro de 1647, no qual revelou grande méritos pessoais, quando soube aproveitar com rara habilidade a incapacidade da junta holandesa composta por Pieter Bas,Van Bulestrateu e Hamel que em 6 de Maio de 1644 haviam substituído Nassau a frente do governo holandês na colônia.

A partir deste momento começava o declínio da colônia holandesa, quando do surgimento das resistências com o primeiro grito de guerra por parte do Maranhão que foi reconquistado pelos seus moradores.

Inflamados por vibrações de cólera e entusiasmos, o qual passou para o terreno das ações armada quando surgiu Vidal de Negreiros preparando o movimento que Teles da Silva havia se inspirado pelo braço forte de Fernando Vieira.

Em Recife, dava-se o inicio as conspirações com Fernando Vieira reunindo os elementos necessários nos arredores da cidade em ações crescentes e avassaladoras que avolumaram-se e alastraram-se de modo impetuoso, até que a conspiração foi denunciada, o que obrigou a que seus chefes se ocultassem nas matas existentes nas vizinhanças de Apipucos, Várzea e São Lourenço, de onde aguardaram a chegada dos negros do terço de Henrique Dias e os índios de Camarão e proclamaram o dia 13 de Junho para o inicio da sublevação organizada militarmente por Dias Cardoso com o apoio do Governador Geral Antônio Teles da Silva que em Recife desempenhava o seu papel de iludir as embaixadas que lhes eram enviadas com respeito as clausulas do tratado de armistício. No momento em que a junta holandesa em Recife, tomou conhecimento dos distúrbios existentes, de imediato expediu algumas expedições, para a Várzea seguiu sob o comando do Major Blaer, e para Ipojuca onde o proprietário do engenho Tabatinga Amador de Araújo havia se confrontado e vencido uma companhia de holandeses com Hendrick Van Haus a frente de um forte contingente, e para Paraíba e Rio Grande do Norte ordenou que Paul de Linge seguisse com a finalidade de manter a paz, quando os insurgentes fixados nos engenhos Camaragibe, Borralho e Maciape no interior da capitania rumavam para o engenho de São João de propriedade de Arnaldo de Holanda, de onde se dirigiram para o engenho Covas onde Dias Cardoso foi obrigado a conjurar o clima de dissentimentos pessoais reinava entre os chefes, e marcharam para os Montes das Tabocas no município de Vitória onde em 3 de Agosto se confrontaram e derrotaram em violentas lutas as poderosas forças do exército holandês comandado por Hendrick Vans Haus pelas magnificas manobras efetuadas por André Vidal de Negreiros e Martins Soares Moreno, e em assédios regulares, assaltos e batalhas campais que se estenderam de Pernambuco ao São Francisco os holandeses amargaram uma série de desventuras. Paul de Linge, para conservar o governo que lhe havia sido confiado, chamou em seu auxilio um grande número de índios selvagens é mortais inimigos dos portugueses que sob o comando de Jacob iniciaram as suas ferozes tropelias, quando invadiram à povoação de Cunhaú e convocaram os moradores para uma reunião na igreja, após a missa de domingo Jacob e os seus homens invadiram a igreja e massacraram todos ali presentes, inclusive o Padre André de Soveral, venerado e querido sacerdote, poupando da matança apenas as mulheres e as crianças que imediatamente espalharam a noticia do morticínio e, na Paraíba os moradores receosos da mesma sorte pegaram em suas armas sob o comando de Lopo Curado Garro, Francisco Gomes Muniz e Jerônimo Cadena que se juntaram a Antônio Vidal de Negreiros, Francisco Leitão, Simão Soares e Cosme da Rocha e os Capitães Couto do terço de Camarão e Henrique de Mendonça do terço de Henrique Dias que tinham a tarefa de organizar os sublevados em forças regulares com os armamentos que haviam levados de Pernambuco. Com o inicio da hostilização aos holandeses, Paul de Linge recolheu-se com suas tropas na fortaleza de Cabedelo, enquanto os índios aliados retrodecediam para o Rio Grande do Norte onde iniciaram os seus ataques com grandes iras sangrentas e inominável perversidade, enquanto isto os moradores de Cunhaú se dirigiram em busca de abrigo na Paraíba e em Pernambuco onde se refugiaram no engenho de João Lostau Navarro onde se entrincheiraram ao construir um arraial, o qual em muito alarmou aos chefes  holandeses que viram a possibilidade de ser aquele lugar um perigoso centro de resistência, e para isto de imediato o engenho foi violentamente assaltado por Jacob Rabbi e seus índios, que após sangrenta batalha onde empregaram todos os seus ardis, acabaram vencendo os sitiantes que receberam salvo condutos após entregarem as armas.

Os invasores holandeses que nutriam grande ódio dos colonos, e que os castigavam com horríveis carnificinas pelas suas rebeldia, em 3 de Outubro de 1645 por intermédio de João Bullestraten membros do supremo conselho que mantinha grande interesse nas cabeças de gados que povoavam as campinas rio-grandense.

Determinou que todos os colonos que se encontravam na fortaleza do Rio Grande do Norte fossem enviados rio acima para a localidade de Uruaçú sob a proteção holandesa contra os índios potiguares e tapuia e que ao chegarem, imediatamente receberam ordem de se despir e pôr-se de joelhos, e foram entregues aos bárbaros selvagens que os trucidaram. O aniquilamento da população que começava a desenvolver-se, serviu para que os holandeses ficassem senhores daquelas paragens, e livre por algum tempo da concorrência impertinente e incomoda na capitania do Rio Grande do Norte que nesta época possuía quatro freguesias e a cidade de Natal onde a sua câmara se localizava em Potingi e que tinha como principais portos o de Rio Grande e a barra de Cunhaú e mantinha pequenas baias onde serviam de ancoradouro para navios de pequenos portes, como a baia Formosa, ponta da Pipa, ponta dos Búzios, ponta Negra e baia Marten Tysson ao norte do Rio Grande, e seus moradores se ocupavam principalmente da criação de gado que era exportado para a Paraíba, Itamaracá e Pernambuco para trabalhos nos carros, nos engenhos e para corte, possuía três colégios dos escabinos que se localizavam em Serinhaém, Iguaraçu e Rio Grande.

Os índios brasilienses como eram chamados pelos holandeses os Potiguares e os demais índios Tupis, mortais inimigos dos portugueses e os verdadeiros donos das terras da capitania que viviam sem pouso certo e em contínuas migrações, e que nesta época estavam impondo as suas condições aos holandeses duramente, pois já haviam matado os seus algozes na capitania do Ceará para subtrair-se à condição de servo a que estavam reduzidos, e para solucionar a situação reinante, os membros do supremo conselho se reuniram na aldeia de Tupicerica com a finalidade de organizarem os potiguares para não perderem os preciosos auxílios por eles prestados nas lutas de extermínio praticadas pelos holandeses contra os insurgentes as concessões dadas aos Tapuias não surtiram os efeitos desejados, pois tomados de desvairamento e de delírio, sentiam-se fortes em suas alucinantes orgias de sangue, e para combate-los chegou ao Rio Grande do Norte no mês de Outubro o Capitão Barbosa Pinto, que se acampou com sua tropa no engenho de Cunhaú de onde saiu para atacar os potiguares que se encontravam fortificados em uma elevação no meio dos alagados é que ao aceitar o combate, acabaram repelindo as investidas do Capitão Barbosa Pinto que acabou se retirando para a Paraíba onde se juntou a Camarão e seu terço para atacarem e vencerem os Tapuias no mês de Dezembro e marcharam para Cunhaú. O supremo conselho holandês, vendo ameaçadas as campinas rio-grandenses de onde tiravam o gado e a farinha para o abastecimento de Recife, imediatamente organizaram um corpo de exército e enviaram para combater os insurgentes em 27 de Janeiro de 1646 no mesmo terreno em que se desenrolou a luta, onde a vitória mais uma vez sorriu para às armas insurgentes e que os holandeses tiveram grandes perdas de seus soldados e foram obrigados a recuarem para o forte Ceulen sem serem perseguidos pelos vencedores, que seguiram para a Paraíba de onde Camarão mandou o Capitão João de Magalhães a Pernambuco com a tarefa de levar armas e algumas cabeças de gado para aquela capitania onde Vidal de Negreiros a frente de seis companhia atacou e derrotou os holandeses e que após destroçar os indígenas e implantar a paz rumou para o Rio Grande do Norte com o grosso das forças pernambucanas onde se incorporou a Camarão, que de imediato ordenou ao Sargento-mor Antônio Dias Cardoso para invadisse o engenho Cunhaú onde os holandeses se encontravam entrincheirados, e para isto foi destacado o Capitão Cosme do Rego Barros que em 16 de Dezembro efetuou  o assalto ao engenho e a todo o distrito, onde o inimigo resistiu bravamente até serem vencidos, Rego Barros após a batalha lançou fogo ao engenho e arrebanhou o gado disponível e rumou para a Paraíba de onde seguiu para o Arraial do Bom Jesus nas imediações de Recife conduzindo muitos prisioneiros, escravos foragidos e muitas mulheres as quais foram libertadas do cativeiro em que eram mantidas e seguindo a este desastre, aconteceu o assassinato de Jacob Rabi o feroz conselheiro e cúmplice dos Tapuias pelo Alferes Jacques Boulan e dois soldados no cumprimento das ordens recebidas do Coronel Gartsmann, a morte de Jacob Rabi incontestavelmente contribuiu para o afrouxamento da dedição dos indígenas aos holandeses, cuja situação piorava a cada dia por toda a parte, proporcionando que os insurretos sitiasse os distritos do sul de Recife para baixo e que atacassem as capitanias da Paraíba e do Rio Grande do Norte através de Camarão e seus capitães da terra.

Os holandeses ao se convencerem de que a resistência tornara-se impossível, invocaram ao monarca português as delicadas relações políticas de Portugal com a Holanda, as quais não permitiram uma manifestação franca em favor do levante em andamento, e que pelo contrario, impunha a obrigação de abafar qualquer movimento. Imediatamente Dom João IV expediu ordens ao Governador Geral Teles da Silva para que retirasse os mestres de campo do cenário de batalha, porém Vidal de Negreiros junto ao seu terço não se submeteu as ordens recebidas, devido aos seus estos de patriotismo que não arrefecia nunca, e pouco mais de três meses depois, Vidal de Negreiros invadiu novamente o Rio Grande do Norte, onde se confrontou com o inimigo em Cunhaú, e após se juntar com as forças do Capitão Barbosa Pinto retornou a Pernambuco, e no dia 23 de Novembro Henrique Dias partiu com o seu terço e algumas companhia de Camarão para o sitio Guaraínas no Rio Grande do Norte onde os holandeses mantinham uma casa forte, que foi defendida com grande ardor nos renhidos combates ali travados com as forças de Henrique Dias, que após sangrentas batalhas conseguiu vencer a resistência dos holandeses.

Após se apoderar da casa forte, Henrique Dias imediatamente marchou para o engenho Cunhaú onde os holandeses se mantiam fortemente alojados, e ao colocar-se em frente ao inimigo, de imediato mandou uma mensagem ao chefe batavo para que se rendesse, porque em caso contrario atacaria como havia feito em Guaraínas, onde toda a guarnição havia sido morta. O comandante holandês ficou perplexo ao receber a intimação feita por Henrique Dias, e com palavras equívocas respondeu ao enviado, pensando ganhar tempo com sagacidade; porém Henrique Dias ao perceber o ardil, de imediato enviou uma segunda intimação ainda mais determinante, e como o comandante holandês demorasse em responder, Henrique Dias ordenou que fosse colocado fogo no reduto inimigo, e no exato momento em que o fogo começava arder, veio uma mulher portuguesa que era casada com um holandês até Henrique Dias para solicitar a rendição de todos presente a casa forte, o que foi concedido de imediato por Henrique Dias, que ordenou a ocupação do engenho e da fortificação.

Em 18 de Março de 1648 Schkkope foi investido como suprema autoridade na colônia como indicação de Maurício de Nassau, e a partir deste momento resolveu ativar a guerra em cumprimento as ordens vindas da Holanda, por seu lado Portugal substituiu o Governador Geral Antônio Teles da Silva pelo Conde de Vilapouca, Antônio Teles de Menezes que possuía um pequeno exército sob o comando do Mestre de Campo Francisco Figueiroa que recebeu importante auxilio de Francisco Barreto de Menezes no combate realizado nos Montes Guararapes o qual cobriu de louros as armas insurgentes, imediatamente a partir deste momento as cortes de Lisboa passou a repelir qualquer proposta que não excluísse a entrega das capitanias ocupadas pelos holandeses, que devido a derrota sofrida em Olinda diante a Francisco Barreto de Meneses, e as incursões sem sucesso em Santo Amaro e ao forte de Barreta e as noticias chegadas da Europa de que Salvador Correia de Sá havia retomado Angola e que a Ilha de São Tomé havia caído em poder dos portugueses, os deixaram tomar pelo desânimo. Para os holandeses neste momento só lhe restavam o mar, e por conta disto With se aventurou em algumas incursões pelo litoral até a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil que tinha o objetivo de colaborar no cerco exercido aos holandeses para sua evacuação definitiva do Brasil.

E por conta disto Francisco Figueiroa de imediato seguiu com sua tropa para tomar os fortes da Paraíba e do Rio Grande do Norte. E em Maio de 1654, o domínio português estava restaurado em todas as capitanias, anteriormente ocupadas pelos holandeses

Que haviam chegado ao Brasil para se apoderarem de uma colônia em franco desenvolvimento, e que nada fizeram como povo colonizador, e que sob o ponto de vista dos melhoramentos materiais, o legado holandês foi quase nulo, senão pela reconstrução de fortificação ou por algumas obras de conserto ou reparo efetuadas no Forte dos Reis Magos. E na terra gloriosa onde nasceu Camarão e que os invasores holandeses reduziram ao extremo de não ter um unico escabino ou um colono que a representasse na assembléia que Nassau reuniu em Recife no ano de 1640, apenas restou como lembrança, o inapagável jugo holandês e as provações praticadas ao povo do Rio Grande do Norte.

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