Alan Moore, o inglês liberal metido,
critica as atividades recentes do governo inglês, como
a nova "Guerra do Golfo", a investida dos Estados
Unidos e Gra-Bretanha no Iraque.
Aí vai uma piada: como você chama um garoto
iraquiano de oito anos de idade sem braços, sem parentes
ou pele não queimada abaixo da cintura? Eu não
sei. Eu estava praguejando em frente à TV e não
entendi o nome. Não se incomode se você não
entendeu. Sem dúvida estaremos contando isso de novo
daqui a uma dúzia de anos, aproximadamente. E ainda
sem entender. É a repetição que nos tiraniza.
Toda essa bosta de "Feitiço do Tempo". As
turmas de história do século XXII, assumindo
que nos preocupemos em manter uma, nos odiarão por
fazer tudo dobrado e bagunçar com a seqüência.
"Então, qual Bush fez a Guerra do Golfo II novamente?
Foi o choramingas ou o chimpanzé?"
Os britânicos tem estado rodando neste laço
de porno-baioneta por mais de um milênio, desde os anos
1090 e as primeiras Cruzadas, empreendidas para salvaguardar
os lugares sagrados cristãos (os quais, para começar,
sendo também lugares sagrados muçulmanos, não
estavam realmente ameaçados) em vez de por Liberdade
e Democracia, embora bastante estranhamente, as forças
invasoras fossem então lideradas pelos francos.
Voltando atrás, estes territórios bloqueavam
o acesso da Inglaterra à Estrada da Seda, mas não
era por esse motivo que estávamos indo à guerra.
Era com aqueles monumentos cristãos que nós
estávamos preocupados. Ricardo Coração-de-Leão
fala para seus homens com aquele olhar de doninha-no-matadouro
do Tony Blair: "Vejam, OK, eu sei que há sempre
uma teoria da conspiração, mas honestamente
eu posso dizer que isto não tem nada a ver com seda".
Seguimos rapidamente para o início do século
vinte e ainda encontramos os britânicos estoicamente
agitando a Massa na Mesopotâmia. Apesar do Joãozinho
Árabe nos ter ajudado contra o malévolo turco,
agora precisávamos do petróleo dele para lubrificar
as engrenagens da florescente indústria britânica
e isso carecia uma mudança de regime. Então,
nós libertamos a área e a colocamos em uma rota
apropriada rumo ao Iraque e a Ruína. Quarenta anos
depois, com os britânicos ainda dirigindo o país,
tivemos Winston Churchill proclamando que não tinha
objeções sérias a que os aviões
da RAF bombardeassem os nativos curdos revoltosos com gás
venenoso. Como muitos grandes pontos altos culturais tipo,
digamos, campos de concentração, batatas fritas
ou colonialismo, você descobrirá que os britânicos
estão usualmente à frente do seu tempo.
Por volta dessa época, durante os anos 1930, Prescott
Bush havia feito a fortuna da família com seus negócios
com o Terceiro Reich (ele foi mesmo capaz de presentear o
aparelho de jantar de Hitler para a fraternidade Skull &
Bones), desincumbindo-se disso entusiástica e lucrativamente
até uma tarde em 1942 quando Roosevelt cortou o barato,
tornando o comércio com a Alemanha Nazista ilegal.
Isto, sem dúvida, chegou como um grande alívio
para Winston Churchill, estando a Inglaterra em guerra contra
o Reich desde 1939, e os diplomatas americanos em Londres
exortando-o repetidamente por todos estes anos para que ele
ficasse do lado da Alemanha.
Agora, desde o finado século dezenove cristãos
milenaristas instavam o Parlamento Britânico à
criar uma pátria israelita na Palestina, sua argumentação
baseada aparentemente mais na profecia bíblica do que
em considerações políticas ou humanitárias.
Se a profecia do Povo Escolhido de Deus voltando para o lar
na Terra Prometida fosse cumprida, isto provavelmente seria
seguido por, sucessivamente, a Segunda Vinda de Cristo e o
Apocalipse.
Quando a Segunda Guerra Mundial terminou com sua espetacular
revelação da primeira genuína arma de
destruição em massa do mundo, o impulso para
criar um estado judeu tornou-se considerável. Aproveitando-se
dos avanços na tecnologia e deste modo da cobertura
de imprensa que a guerra havia trazido, um grupo de combatentes
da liberdade sionistas (incluindo em suas fileiras um jovem
Menachim Begin) detonaram uma cantina do exército britânico
na área. A forma pela qual isso atraiu a atenção
da mídia mundial para o que seria, no final das contas,
uma causa bem sucedida, criou muito claramente o conceito
moderno de, ah, combatentes da liberdade, e deu a todos os
subseqüentes combatentes da liberdade um excelente modelo
funcional para seguir: exploda coisas e apareça na
televisão. Claro, mostrou-se que a Terra Sem Uma Pessoa
não era encarada por esse ângulo pelos, bom,
por exemplo, palestinos. Isto levou a todos os tipos de problemas,
mas dentro de um par de décadas, Israel tinha o amortecedor
de um número de regimes pró-ocidentais que se
haviam estabelecido na área, tais como o do muito omitido
empreendedor da tortura, o xá do Irã. O petróleo
- e nada disso tinha que ver com petróleo - estava
relativamente seguro.
Então Jimmy Carter de algum modo ganhou as eleições
de 1976, nomeou o cruzado da limpeza Stansfield Turner, como
cabeça da CIA e subseqüentemente parou os pagamentos
clandestinos de dinheiro da CIA aos aiatolás mercenários
do Irã, feitos sob o entendimento de que os clérigos
ignorariam a tortura e o encarceramento dos muçulmanos
comuns, e deixariam o xá em paz. Naturalmente, isso
acabou indo à pique e em 1979 o xá tinha sido
deposto, o aiatolá fundamentalista Ruhollah Khomeini
estava no comando do Irã e havia apreendido um avião
cheio de reféns americanos para mostrar que falava
sério.
Talvez não inteiramente por coincidência, foi
por esta época que os poderes do ocidente acharam do
seu maior interesse apoiar o governo militar do charmoso Saddam
Hussein, aos quarenta e dois anos de idade, no vizinho Iraque.
Ele pode ter sido um psicopata e assassino, mas ao menos não
era um fundamentalista islâmico e ele era o nosso psicopata
e assassino, da mesma forma que o presidente Marcos havia
sido "nosso filho-da-puta" nas Filipinas e Slobodan
Milosevic representava os Balcãs com os quais podíamos
fazer negócios.
Durante a inevitável guerra Irã-Iraque, nós
prestativamente abastecemos Saddam com as munições
e o gás venenoso que ele usou contra os iranianos.
De fato, é como podemos ter tanta certeza de que Saddam
tinha armas ocultas de destruição em massa como,
digamos, antraz ou gás sarin: Donald Rumsfeld (cuja
companhia estava vendendo as supracitadas mercadorias para
o ditador do Iraque até pouco antes da primeira Guerra
do Golfo, em 1991) foi cuidadoso o suficiente para guardar
todos os recibos.
Mas apesar do Joãozinho Iraquiano nos ter ajudado
contra os malévolos iranianos, parecia agora que ele
poderia estar pensando em pegar toda a riqueza do petróleo
do país para si mesmo, junto com a do vizinho Kuwait.
Estávamos bastante seguros sobre este último
ponto, dado que de acordo com vários relatórios,
os puxa-sacos de Saddam haviam feito contato com Madeline
Albright no Departamento de Estado americano, considerando
se os EUA, como valioso aliado e fornecedor de armas, teria
alguma objeção à tal invasão.
O Departamento de Estado não disse não. O que
nos trouxe a primeira Guerra do Golfo, cortesia do ex-espião
da CIA e admirador de Nixon, George Herbert Walker Bush.
Depois da encenação do eqüivalente a uma
Feira de Armas brilhantemente administrada pela mídia
na região (onde afinal, a maioria dos prováveis
consumidores de armas estão convenientemente situados),
Bush sênior pareceu carecer da firmeza necessária
para terminar o regime de Saddam Hussein, talvez por causa
da firme certeza da maioria de seus consultores militares
de que tal movimento quase certamente levaria o líder
iraquiano, sem mais nada a perder, a lançar armas de
destruição em massa sobre Israel e precipitar
o "Armagedon no Oriente Médio".
Interessantemente, o mesmo consultor, cujas opiniões
acredita-se serem idênticas às de Bush sênior,
levantou exatamente a mesma questão quando aconselhando
sobre o atual conflito iraquiano, mas presumivelmente o Bush
mais jovem, possuindo ainda menos "lance de visão"
do que seu pai, não foi persuadido. Dica: mil pontos
de luz sobre Bagdá.
O Bush mais velho não tinha sido, comprovou-se, o
primeiro a oferecer outra mudança de poderes no Oriente
Médio além do amplamente desprezado Saddam.
Talentoso combatente da liberdade treinado pelos americanos
e herdeiro milionário de um empreiteiro saudita, Osama
Bin Laden, recém acabado de repelir exitosamente a
malévola União Soviética do Afeganistão
à pedido dos EUA, aparentemente tentou sem sucesso
persuadir os sauditas de que seu crescente bando de combatentes
da liberdade Mujahedin, Al Qaeda, poderia remover Saddam se
apenas lhes permitissem se estabelecer na Arábia Saudita.
Talvez conscientes de quão difícil poderia ser
livrar-se da Al Qaeda depois que tal conflito estivesse terminado,
os sauditas declinaram e em vez disso colocaram sua confiança
(deslealmente, aos olhos do rancoroso Bin Laden) na América.
Em retrospecto, você pode ver como essa pilha instável
cuidadosamente balanceada de megalomaníacos foi lindamente
montada, e precisava somente de um desastre para ser projetada
numa catástrofe quase inacreditável.
Este desastre aconteceu nas eleições americanas
de 2000, as quais muitos de nós poderiam ter tomado
por um episódio de "Os Gatões" ("The
Dukes of Hazard") se houvesse um pequeno fundo musical
de banjos. Eleito por uma mínima, alguns realmente
diriam não-existente, maioria, George Walker Bush,
o jovem, obviamente precisava de algo que o fizesse parecer
legítimo caso ele persistisse tempo suficiente no serviço
para realizar tudo que seus financiadores corporativos exigiam
dele. Cercando-se de figuras entusiasticamente pró-guerra
tais como Dick Cheney e Donald Rumsfeld (que vinha recomendando
uma invasão ao Iraque para salvaguardar o suprimento
de petróleo desde 1998), "Deathrow Dubya"
anunciou durante os primeiros meses de sua administração
que havia chegado o tempo de se engajar numa guerra ao Terror,
tomando como tal estados vagabundos como Afeganistão
e Iraque.
O Afeganistão era, nesta época, a primeira
prioridade da administração Bush. Um oleoduto
através do Afeganistão, com o qual o valor estimado
em trinta trilhões de dólares de petróleo
remanescente na antiga União Soviética poderia
ser bombeado para o Golfo, reduzindo a preocupante dependência
dos Estados Unidos de recursos árabes, era a opção
favorita das corporações petrolíferas
americanas nos anos 1990. Claramente, tais esperanças
eram frustradas pela emergência do fortemente anti-americano
regime Talibã durante os últimos anos da década,
e da mesma forma seria claramente contra a Lei Internacional
derrubar a liderança de um país só por
que ela não concordava com os interesses comerciais
americanos.
Neste ponto foi lembrado que o antigo herói anti-soviético
Mujahedin, Osama Bin Laden, acreditava-se estar residindo
com suas coortes, no Afeganistão. Os Estados Unidos
tinham razões semi-legítimas para desejar perseguir
Bin Laden, dado que ele tinha, apesar de tudo, estado por
trás daquela primeira bomba terrorista no WTC e também
por trás dos ataques às embaixadas africanas
da América.
Consequentemente, durante um encontro diplomático
que aconteceu durante o verão de 2001 e subintitulado
"Brainstorming Afghanistan" ("Repensando o
Afeganistão"), diplomatas americanos se comunicaram
com o Talibã usando o Paquistão como intermediário,
informando-lhes durante o período informal "fase
dois" do encontro que os EUA estariam lançando
uma Guerra Contra o Terror em algum momento de Setembro, invadindo
o Afeganistão com o objetivo de localizar o líder
da Al Qaeda. Esta informação foi presumivelmente
passada à Osama Bin Laden por seus contatos no Talibã
e, não surpreendentemente, dado que a máquina
de guerra do Pentágono havia prometido cair sobre ele
em Setembro, não importa o que tivesse ou não
tivesse feito, parece que ele optou por obter sua retaliação
primeiro.
Seguindo-se ao ataque às Duas Torres, com a guerra
no Afeganistão exitosamente em movimento, Dick Cheney
retirou-se de seu posto executivo na companhia ocupada em
construir usinas nucleares na Coréia do Norte, no momento
exato para George Bush Júnior anunciar sua lista de
compras de estados-vagabundos, o Eixo do Mal, com Irã
e Coréia do Norte vindo logo após o Iraque.
Observe que ao assumir o cargo de vice-presidente, Dick "O
Homem de Mil Faces" Cheney também declarou que
não estava atualmente sendo pago pela Halliburton,
vencedora do contrato de reconstrução do Iraque.
Isto era tecnicamente verdadeiro, mas somente por causa do
novo arranjo de Cheney com a companhia onde, por conta dos
impostos, eles concordaram em somente pagá-lo a cada
seis meses.
Com a guerra afegã enrolada em seu modo meia-boca
inconclusivo e Saddam sendo o próximo na mira da administração
Bush, nos foi assegurado que qualquer ataque ao Iraque seria
travado somente com o propósito de livrar Saddam de
qualquer armamento nuclear, químico e biológico
que ele possuísse. Isso definitivamente não
tinha nada a ver com petróleo, fosse lá o que
fosse que aqueles cínicos que apontaram todos os vínculos
dos principais personagens americanos com corporações
de energia, ou o fato de que Condoleezza Rice realmente tivesse
um petroleiro batizado com o seu nome, pudessem sugerir.
Então, durante aqueles meses em que os EUA e a GB
precisaram reunir forças suficientes para a invasão
ao Golfo, quando eles fingiram dar importância ao que
quer que Hans Blix encontrasse ou deixasse de encontrar, em
face da continuada não-descoberta de uma ogiva claramente
fumegante, eles mudaram de rumo e fizeram dos supostos vínculos
do regime de Saddam com a Al Qaeda e outras organizações
terroristas o foco de sua auto-justificação.
Foi sugerido que velhas armas jogadas por todo Iraque poderiam
cair nas mãos de terroristas, embora seja objeto de
adivinhação por que qualquer aspirante a terrorista
procuraria por matéria-prima no Iraque, o país
mais pesadamente vigiado do mundo, quando há montes
de coisas quase de graça nas vastidões da quase
totalmente arruinada ex-União Soviética. A ostensiva
vinculação com a Al Qaeda também desaparece
perante o simples fato de que Saddam Hussein é um líder
secular, enquanto a Al Qaeda é um bando de fanáticos
islâmicos perturbados, comprometidos em depor o odiado
infiel de seu centro de poder, ou de outro modo, aguardar
que a coalisão dos desejosos o fizesse por eles.
À medida em que a data de início previamente
estabelecida se aproximava sem que evidência clara de
sua necessidade tivesse surgido, a coerência e a autoridade
das Nações Unidas surgiu como sua primeira baixa.
Esta venerável instituição transformou-se
em objeto de escárnio por sua recusa em dizer que preto
era branco segundo a assertiva autoritária da América.
Os argumentos e evidências apresentados sem grande entusiasmo
pela coalisão, foram de um exagero risível,
idiota (como aquele documento da Inteligência Britânica
detalhando os planos bélicos de Saddam, pelo qual Colin
Powell pareceu ficar tão impressionado, e que provou-se
ter sido em grande parte copiado de uma tese de graduação
escrita por um estudante californiano mais de dez anos antes),
mas quem realmente zombasse ou comentasse isso, era descrito
pela administração Bush como o equivalente de
um bando de intelectuais franceses convencidos e esnobes mijando
na cabeça dos mortos das Torres Gêmeas enquanto
comiam lesmas e discutiam Jerry Lewis à sério.
Aparentemente, ou você está conosco ou contra
nós. Isto significa, efetivamente, que a menos que
todos concordemos em aceitar literalmente cada palavra que
venha da boca do ex-drogado, suposto ex-alcoólatra
e fraudador corporativo George W. Bush como a própria
verdade de Deus, então devemos esperar ser respeitados
e tratados como verdadeiros membros da Al Qaeda.
Os aviões-bomba do WTC, para a administração
Bush que levou a eles em primeiro lugar, falhou conspicuamente
em preveni-los e depois desavergonhadamente explorou esta
horrível tragédia humana para o avanço
de suas agendinhas de merda, tornaram-se a pedra de toque
sagrada desta proposta "Guerra Sem Fim". Qualquer
ação política anteriormente impensável
pode ser instantaneamente validada pelas palavras mágicas
11-9, mais ou menos da mesma forma que o governo Ariel Sharon
em Israel pode fazer com que horríveis questões
morais e humanitárias simplesmente desapareçam
ao se mencionar o Holocausto. A lógica parece ser de
que, se algo suficientemente terrível aconteceu à
você no passado, então você tem completa
licença para fazer coisas terríveis com todo
mundo, para sempre. Esta, certamente, é uma lógica
que deixaria assassinos seriais vindo de lares desajustados,
livres para matar como bem lhes agradasse, devendo mesmo ser
munidos com as indispensáveis moto-serras e serras
elétricas. É uma lógica que determina
"Coisas monstruosas nos têm sido feitas, por conseguinte
é legal se comportar monstruosamente". É
a lógica de George Bush, e é também a
de Osama Bin Laden. Ou, sobre esse assunto, a de qualquer
garoto de quatro anos. Como resultado de tal lógica,
parece que desde Setembro de 2001 a América e Israel
têm estado competindo um contra o outro numa excitante
corrida de alta base moral ladeira abaixo, desperdiçando
simpatia pública como se nenhuma das duas nações
esperasse precisar de tal coisa mais adiante.
O que nos traz de volta ao atual conflito do Iraque, o modo
pelo qual ele veio inexoravelmente à existência
à despeito da ofuscante falta de provas de sua necessidade,
à despeito da condenação dos líderes
religiosos mundiais e os anteriormente inimagináveis
milhões por todo o mundo que marcharam contra a guerra
em Fevereiro. Porque, de certo modo, é realmente verdade
quando eles dizem que esta guerra não é sobre
a petróleo... ou ao menos não é inteiramente
sobre petróleo. Ela é, como dizem, uma "campanha
baseada-em-efeitos". Parte de seu principal "efeito"
pretendido, deve provavelmente ser aterrorizar outros potenciais
inimigos até à submissão, convencendo-os
de que o último Super-poder/primeiro Ultra-poder mundial
caiu nas mãos de um primata inferior guinchante e masturbatório,
e que está agora constantemente à um fio de
cabelo de tornar-se um louco furioso e matar todo mundo. Isso
quase faz você ter saudades dos nostálgicos e
aconchegantes dias da estratégia do "Louco"
de Nixon/Kissinger. Quero dizer, fale o que quiser sobre Richard
Nixon, mas ao menos ele era humano o suficiente para saber
que era um maldito miserável, e falsear e mentir a
fim de esconder sua vergonha. George W. Bush, por outro lado,
tem sido Maldito por tanto tempo, que para ele isso aparece
como Salvo. Sendo venturosamente liberado de considerações
morais, quem questionar a ética de sua administração
dará de cara com aquela mesma expressão meio
distraída, meio genuinamente confusa nos olhos singularmente
próximos. Claramente, nós não o entendemos.
Ele é o presidente dos Estados Unidos. Ele pode fazer
qualquer merda que queira. Isto não faz parte do trabalho?
Não é isso que está na, ah, Constituição
ou Declaração da Independência ou num
daqueles outros pedaços de papel limpa-bunda que ele
pretende ler se algum dia terminar A Lagarta Morta de Fome?
Outro efeito desta campanha baseada em efeitos, é
presumidamente intimidar e asfixiar a oposição
doméstica na própria Terra dos Homens Livres
e Lar dos Bravos. Compre uma camiseta "Dê Uma Chance
À Paz" e prepare-se para ter sua próxima
cagada coberta pelo Campo Raio-X. Portanto, que os Homens
Livres tomem cuidado. E por dar ocasionalmente ao eleitorado
outro esguicho de Alerta Laranja, George "A Profecia
II" Bush pode aparentemente reduzir os Bravos a sentarem-se
em casa nos seus trajes Forte XXL Per-Quim com as janelas
tapadas. Quanto a quaisquer celebridades liberais resistentes
de boca grande, com a honrosa exceção de Michael
Moore, eles podem provavelmente ser convencidos de que a discrição
é a melhor parte da coragem se apenas derem uma olhada
na correspondência odiosa recebida pelo pobre e velho
Martin Sheen por interpretar um presidente americano que é
diferente de George Walker Bush (este último ponto
francamente confunde mesmo argutos observadores da América
como eu; quer dizer, eu vi The Dead Zone e devo dizer que
pensei que Sheen tivesse realmente captado aquele olhar fundamentalista
cretino).
Talvez o efeito mais importante seja a mensagem enviada ao
resto do mundo, a qual em grande escala parece ser o anúncio
de uma nova era de unilateralismo americano. (Como disse uma
veterana fonte militar dos EUA sobre os verdadeiros motivos
para a guerra no Iraque, "nós o fizemos porque
podia ser feito") Se a América decide que agora
é permissível o assassinato de chefes de estado
estrangeiros, o que quer que a lei internacional tenha a dizer
sobre o assunto, então é assim que vai ser.
Se a América decide que permanecerá sozinha
em não reconhecer a nova Corte Internacional Criminal
em Haia, então a América tem o poder militar
para persistir nessa atitude, e parece que o poder militar
o fez sobre toda aquela coisa da autoridade moral que costumava
ser muito mais que um fenômeno. Fazer o certo pode ter
sido jogado fora. Brutamontes por toda a parte socam primeiro
o ar e depois suas esposas em comemoração.
E certamente, tendo deixado claro que a América não
sente mais que precisa de amigos ou aliados dentre a comunidade
mundial, isto tende a pôr o fardo da responsabilidade
pelo relacionamento sobre os próprios ex-aliados crescentemente
ansiosos. A pergunta torna-se não "Quanto realmente
gostamos da América?" mas "Quanto medo deles
nós temos? Não seria melhor estar dentro da
tenda americana e pedir arrego?"
Esta certamente parece ser a posição tomada
por Tony Blair. Jurando lealdade à George Bush e seus
fazedores de política, Blair tem obviamente sido preparado
para alienar a maioria de seu próprio partido, a grande
parte da população britânica e um segmento
perturbadoramente grande de seus antigos amigos naquilo que
às gargalhadas nos referimos como "a Comunidade
Européia". É essa a sua importância
para ele. Ecoando cada pronunciamento do Salão Oval
e depois expressando sua profunda indignação
ao modo pelo qual a maioria da população mundial
continua a encará-lo, o "poodle de Bush".
Dá pra imaginar o quão atrapalhado ele ficaria
se a frase "lulu do Bush" atingisse uma circulação
similar.
Agora, apesar do aparente colapso de qualquer resistência
iraquiana organizada e o aparente desaparecimento de Saddam
Hussein e da maior parte do grupo interno do seu partido Baath,
parece que quaisquer considerações morais que
existiam antes ou durante a guerra foram de algum modo retroativamente
neutralizadas por esta vitória ambígua, pesadamente
qualificada. Os Falcões sentem-se justificados. Afinal,
eles mostraram a todos aqueles pacifistas que podiam invadir
o Iraque, e aparentemente falharam em lembrar-se que o debate
não era se poderiam, mas se deveriam. Não havia
algo sobre armas de destruição em massa que
Saddam certamente empregaria se não tivesse mais nada
a perder? Armas das quais mesmo as altamente motivadas forças
"amerimóvicas" especialmente-criadas-para-retrojustificar-a-guerra
falharam em encontrar qualquer sinal. Um equívoco menor.
Vamos ignorar isso e prosseguir com as paradas da vitória
e as cerimônias de condecoração. George
e Dick, tendo estado convenientemente ocupados em algum lugar
durante aquela coisa do Vietnã, finalmente conseguiram
tomar parte, embora de uma distância segura, de uma
guerra real honesta-pra-caramba. Tony recebe uma medalha especial
Ilha Ellis e talvez um anel decodificador. O povo iraquiano
recebe sua liberdade e democracia, embora isso signifique
que a maioria Shiar quase certamente votará num aiatolá
e rejeitará a América. Ou ao menos eles o farão
se aquela grande manifestação outro dia em Karbala,
cantando "Não à América, não
à Saddam! Sim, sim ao Islã!" foi algo que
vai continuar. Os curdos tomaram Kirkuk. Os turcos se irritaram.
A Al Qaeda e a Jihad Islâmica ganharam uma motivação
gratuita de recrutamento. E eu suponho que teremos apenas
de esperar para ver quantos Tim McVeighs ou John Mohammeds
(ambos veteranos do Golfo) voltarão desta vez para
casa com um partido na cabeça.
Isto, de muitas maneiras, seja o que for que pareça,
é o cenário do melhor dos casos, no qual se
faz a suposição bastante injustificada de que
a "Guerra no Iraque" foram as três ou quatro
semanas nas quais nosso próprio povo foi explodido
em pedaços em visões noturnas psicodélicas
de tempestades de areia tingidas de verde, que todos nós
vimos na televisão, e que agora está tudo acabado.
Isto supõe que os EUA não ficarão presos
por anos ou talvez décadas, como uma força de
ocupação numa área amplamente hostil
à sua presença e já repleta de tensões
religiosas explosivas. Assumindo que quando as velhas tropas
britânicas neste conflito aventuraram a opinião
de que o Iraque poderia se transformar em "outra Irlanda
do Norte", tudo o que eles queriam dizer é que
haveriam mais bares temáticos Guiness e que talvez
se pudesse tingir o Eufrates de verde no dia de São
Patrício. (Realmente, para ser estritamente justo,
existem substanciais diferenças entre o Iraque e a
Irlanda do Norte. Uma destas é que a Irlanda está
relativamente isolada no meio do frio e úmido Atlântico
Norte, enquanto o Iraque está jogado no meio do mais
quente e seco isqueiro político do mundo. Faça
as contas, como eles dizem.)
E por enquanto o mundo está gradualmente dividido
entre Terroristas e Cruzados, chapéus de vaqueiro brancos
e turbantes pretos. Temos uma guerra cujos objetivos são
tão flexíveis e ambíguos que poderá
se manter em movimento por décadas, simplesmente pulando
de estado vagabundo em estado vagabundo, designando novos
inimigos quando necessário, se algum dia parecer que
suas rodas estão saindo fora do nosso atual Eixo do
Mal. Este é o mundo que consideramos um presente apropriado
para nossos filhos e para seus filhos. E quando eles nos olharem
com olhos arregalados e nos perguntarem como nos livramos
de todas aquelas armas de destruição em massa,
nós lhes diremos que desenvolvemos um maravilhoso dispositivo
especialmente para fazer isso, o Tremendo Canhão de
Ar Comprimido. Imagine seus rostinhos: choque. Oooh!
Então, Islã bom, América ruim, é
isso o que estão dizendo? Certamente não. O
Islã é uma fé nobre e humana que desafortunadamente
sofre por não ter uma cadeia evidente de comando terrestre,
com uma resultante vulnerabilidade dos auto-nomeados homens
santos que podem desejar liderar o Islã para terríveis
conflitos, freqüentemente contra si mesmo. O Islã
é uma das mais importantes fontes da cultura mundial,
e se ele deseja preservar sua considerável integridade
no futuro previsível, ele precisa colocar sua própria
casa em ordem e fazer o seu melhor para isolar quaisquer malucos
que não representem o muçulmano médio
comum, amante da paz (mais ou menos a mesma coisa poderia
certamente ser dita sobre cristianismo e judaísmo;
o Islã dificilmente tem o monopólio de fanáticos
sectários antolhados, dos quais todos estaríamos
melhor sem).
E quanto a América, então? Somos todos nós,
europeus liberais metidos, anti-americanos por estes dias?
Certamente que não. Quem lhe falou isso? O que, nós
somos anti-Duke Ellington, Tom Waits, Herman Melville, Jackson
Pollock, Chester Himes, Emperor Norton, Patti Smith, Tex Avery,
Dorothy Parker, Edgar Allan Poe, Orson Welles, Billie Holliday,
Raymond Chandler, Kathy Acker, Edwin Starr, Nina Simone, Raymond
Carver, Paul Robeson, Bob Dylan, Chuck Berry, Emily Dickinson,
Lou Reed, Wilhelm Reich, Thomas Alva Edison, Jimi Hendrix,
Captain Beefheart, William Burroughs, Emma Goldman, Jack Kerouac,
William Faulkner, Walt Whitman, Spike Lee, Allen Ginsberg,
John Waters, Matt Groening, The Sopranos, Robert Crumb, Damon
Runyon, Woody
Guthrie, Edward Hopper e todas aquelas milhares de outras
pessoas maravilhosas que expressam o que realmente é
o coração gigante, incontrolável e enorme
da América? Não. Vocês são um grande
país, mas vocês (e o resto do mundo) foram "embushcados".
Um estranho grupinho que por um período de tempo contentou-se
em ser parte de um Governo Fantasma não-eleito, agora
subiu audaciosamente à ribalta onde eles sentem (talvez
corretamente) que agora podem fazer ou dizer o que quer que
desejem, e que ninguém pode ou fará nada sobre
isso. Eles estão prontos para o "close-up",
Sr. DeMille. Não há mais qualquer necessidade
de segredo ou sombras. Guerras secretas são coisas
do século passado, concordam? Estamos em 2003, e eles
podem ser tão visíveis quanto quiserem, partilhando
a torta milenar com a prataria do führer.
Quanto ao resto de nós, se não formos todos
muito cuidadosos, poderemos ser arrastados numa escalada progressiva
de guerra ruinosamente destrutiva e evitável com o
mundo islâmico, uma cultura tão espantosa e importante
quanto a nossa própria. Uma cultura com a qual uma
troca de informações em vez de mísseis,
certamente seria de grande interesse para todos os envolvidos.
Vamos ser um pouco menos Choque barato e um pouco mais Admiração
genuína. Ou pelo menos, se não pudermos gerir
a Admiração, simples Respeito. Respeito pelos
outros e, principalmente, respeito por nós mesmos.
Não têm havido muito disso ao redor ultimamente,
entre as Fritas da Liberdade e o Fogo Amigo.
Assim, você: traga este país de volta.
E você: invista-se de um pouquinho de Paz.
Artigo da revista ARTHUR nº 5-publicado sob autorizaçao
de seu editor, Jay Babcock. Traduzido por Alexis B. Lemos
Matéria 1:
Ao
Mestre Com Carinho... Mediavilla -
R. Sgarbi >>> |
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