Este
site tem como objetivo principal divulgar o trabalho e a vida desse grande
compositor, arranjador e trombonista da música orquestrada, Ray
Conniff.
Aqui faremos Uma homenagem a este artista que durante muito tempo contribuiu
no cenário da música, tanto no mundo, quanto no Brasil.
este é um pequeno tributo ao imenso trabalho de Ray Conniff.
O último álbum do maestro: Uma homenagem
à música brasileira e ao cantor Roberto Carlos. Veja a
entrevista de Conniff
para a revista isto é:
São tantas emoções... O rei dos
bailes, com sua inconfundível orquestração, faz
uma homenagem ao rei do romantismo no CD Do Ray para o Rei. Aos 84 anos,
Ray Conniff contou à Gente como foi gravar um disco só
com composições de Roberto Carlos e Erasmo.
Como surgiu a idéia de gravar esse disco?
Eu já conhecia o Roberto há alguns anos, ele já
havia participado de um especial de tevê que gravei nos Estados
Unidos. A gravadora Abril Music me ligou e contou que ele estava deprimido
devido à morte de sua mulher. Eles sugeriram o disco, e achei
que seria uma honra fazer uma homenagem a ele.
Qual a sua canção favorita de Roberto?
“Amigo”, sem dúvida. Já toco essa música
em meus shows sempre que vou ao Brasil e o público adora.
Qual foi o critério de escolha para as músicas
do CD?
A gravadora me sugeriu as preferidas do público brasileiro. Eu
procuro sempre tocar o que querem ouvir. E esse público sempre
foi tão carinhoso comigo... É um fenômeno, mas acho
que sou mais popular no Brasil do que nos EUA.
Depois de cinco décadas de carreira, já
pensou em se aposentar?
Tocar é a coisa que mais me diverte na vida. Vou continuar enquanto
puder. A única coisa que me alegra tanto quanto a música
é viajar com minha mulher e meus cachorros em nosso trailler.
Fazemos isso duas vezes por ano, e eu mesmo dirijo.
Silvia Ruiz foi a entrevistadora.
Fonte: http://www.terra.com.br/istoegente/74/divearte/musica_pingpong_ray_conniff.htm.
O sucesso de Conniff no Brasil aconteceu com o álbum
's Music que continha a tão famosa Aquarela do Brasil, juntamente
com Besame Mucho. Digamos que 1960 foi um ano mais que perfeito para
Ray: vendeu muito aqui no Brasil ('s Music ficou por muitos anos em
catálogo), logo depois ele lançou "Memories are Made
of This", que vendeu mais de Um Milhão de cópias
durante muitos anos.
Sempre com muitos lançamentos:
Depois de muitos lançamentos (uma média de 3 discos por
ano, já que o público sempre pedia mais), Ray eve uma
agradável surpresa em 1966: ganhou o Grammy com a música
Somewhere My Love pela perfeita apresentação e performance
do seu côro. Depois disso, Ray mudaria um pouco a linha de seus
arranjos, passando mais para o POP americano. Os arranjos, sempre animados,
misturavam-se metais e guitarras. Os cantores, diferente dos outros
discos, cantavam juntos com a orquestra, formando um conjunto de perfeita
harmonia e distinção. Esse estilo manteve-se por muitos
e muitos anos, e seria mudado somente nos anos 80 devido a diminuição
do seu coro, que voltava novamente a entrar nas músicas somente
como um instrumento de orquestra, sem "cantar as palavras".
Um estilo inconfundível:
Além de ter criado seu som e seu estilo, Ray manteve algumas
marcas caracteristicas durante toda sua carreira, como as mulheres na
capa, casais dançando (sempre em trajes de gala!) e o tipo de
letra que era escrito "Ray Conniff" no cabeçalho da
página. Para os mais atentos, a distribuição estereofônica
sempre foi idêntica: coro masculino na esquerda e coro feminino
na direita. Pianos e metais graves na esquerda e harpa e metais agudos
na direita. Percussão, bateria e cordas sempre ao centro. Algumas
vezes o Ray entra com seu trombone em solos ou coloca sua voz em chamadas
ou frases dentro de suas músicas. (Contribuiu com informações:
Andre Luis, 4 de Outubro de 2000)
O próprio Conniff conta a sua história:
Uma mensagem de amor na música
- Entrevista com Ray Conniff -
Há quase seis décadas, Ray Conniff tem sido um músico
profissional, atuando como maestro, trombonista e arranjador. Ele com
sua orquestra e coral, é conhecido no mundo inteiro e é
um dos dez que mais vende álbuns. Charles Filbert conversou recentemente
com Ray Conniff a respeito do papel que a oração tem tido
em sua carreira.
Charles Filbert - Como você iniciou sua carreira musical?
Ray Conniff - No colegial, eu tocava numa pequena banda e, quando me
formei, era voz corrente que aquele garoto de Attleboro, Massachussets,
que tocava trombone, era muito bom. Recebi convites para tocar e tocava
com grupos que às vezes apareciam por lá. Fui para Boston
e fiquei tocando lá durante mais ou menos um ano. Depois alguns
amigos disseram: "Não fique em Boston. Vá para Nova
York onde tudo acontece". Foi o que fiz, passei por um período
atuando em bandas, tais como Bunny Berigan e Artie Shaw, Bob Crosby,
Harry James e outras do gênero. Isso levou-me para a Costa Oeste.
Quando fui para o Oeste, passei por aquilo que eu chamo "anos magros".
Foram dois anos em que quase não consegui ganhar nada. Nessa
altura eu tinha esposa, dois filhos, um enteado e minha mãe que
morava conosco. Uma noite fui a uma apresentação com outros
músicos em Studio City, na Califórnia. O principal motivo
de eu ter ido lá era ver se conseguia um empréstimo com
alguém, para pagar as contas de telefone, luz e gás, que
estavam todas vencidas.
Quando terminou a sessão, aproximei-me de um saxofonista e pedi-lhe
um empréstimo. Ele me perguntou como iam as coisas e eu lhe disse:
"Mal, muito mal." Ele disse: "Bem, qual é o problema?"
Então contei a ele uma história tão triste que
você nem pode imaginar, relatei desde os buracos na sola do meu
sapato até os pagamentos atrasados de uma hipoteca.
Ele disse: "Deixe-me fazer-lhe algumas perguntas. Como está
sua saúde?" Eu disse: "Bem, minha saúde está
ótima." Então ele me perguntou: "E, como estão
seus filhos? Estão bem?" "Sim, as crianças vão
muito bem." "E como está sua esposa?" "Ah,
ela está muito bem." "Você tem um teto para se
abrigar esta noite?" "Sim, a casa ainda está lá."
"Você vai ter comida na mesa amanhã de manhã?"
"Bem, acho que teremos algo para comer. Sempre conseguimos algo."
"Bem, agora ouça. Durante dez minutos estive ouvindo e você
não tinha nada para contar, a não ser uma longa história
de desgraças mas, nos últimos trinta segundos, pudemos
encontrar cinco coisas pelas quais você poderia ser grato. Parece
que você poderia dar uma virada em seu modo de pensar e dar graças,
em vez de ficar falando tanto nos furos do seu sapato.
"Vou lhe dizer uma coisa. Vou lhe emprestar vinte dólares.
Não tenha pressa em me devolver. Algum dia, quando estiver bem
de vida, você me devolve" (o que, a propósito, foi
o que aconteceu). "Mas, gostaria que você me prometesse umacoisa",
continuou ele. "Vou lhe dar um panfleto e gostaria que você
o lesse em troca do empréstimo." Então, eu disse:
"Negócio fechado." Não me importava com o panfleto
- o que eu queria eram os vinte dólares! "A propósito",
ele acrescentou, "peguei este panfleto na Sala de Leitura da Christian
Science, que fica bem perto daqui. Se você gostar dele poderá
ir lá e ler os outros panfletos e literatura como esta."
Então eu respondi: "Ótimo, obrigado." Demos
um aperto de mão, dissemos boa noite, fui para casa e li, naquela
mesma noite, o panfleto "A lei divina do ajustamento", de
Adam H. Dickey.
Foi como de alguém tivesse acendido uma lâmpada para mim.
Logo percebi que não havia mais nenhum problema com minhas finanças.
As contas ainda estavam em cima da minha escrivaninha e nada havia mudado
quanto a isso, porém eu sabia que tudo ficaria bem. Eu gostei
especialmente de ler que Deus alimenta e veste o homem, como faz com
os lírios - e sabia que ninguém se veste melhor do que
um lírio. As idéias desse panfleto foram para mim uma
completa revelação. No dia seguinte, acordei com uma atitude
completamente diferente a respeito de como minhas necessidades seriam
supridas. É tão verdadeiro o que Mary Baker Eddy escreve
sobre suprimento: "Deus vos dá Suas idéias espirituais,
e elas, por sua vez, vos dão o suprimento diário".
(Miscellaneous Writings, p.307).
Em vez de ficar reclamando dos meus problemas, comecei a enfocar tudo
o que era bom em minha vida. Durante um certo período, também
ia a uma Sala de Leitura e passava umas duas horas à tarde, estudando
vários artigos sobre o suprimento. Encontrei muitas idéias
que foram importantes para mim. Logo começaram a chegar ofertas
de trabalho. Lembro-me de que também comprei um caderno e cada
pessoa para quem eu devia dinheiro tinha uma página, fiz um planejamento
de como poderia pagar. Escrevi um bilhete a todos, explicando o que
eu estava fazendo e dizendo que começara um novo estudo e que,
daquele momento em diante, tudo seria maravilhoso. Recebi deste pessoal
as mais lindas cartas. Como eu disse, toda a situação
foi superada ao ler o primeiro artigo, porque mudei completamente minha
atitude.
CF - E então sua carreira decolou?
RC - Isso mesmo, comecei a trabalhar e firmei um contrato bastante lucrativo
com a Orquestra de Frank DeVol. Então, comecei novamente a compor
para a Banda de Harry James. Cheguei a ficar muito bem em Los Angeles,
mas de alguma forma senti que não estava realizando completamente
todo o meu potencial. Portanto, retornei para Nova York e foi assim
que comecei a trabalhar com a gravadora Columbia. Comecei com eles por
volte de 1955 e fiquei lá até um ano atrás.
CF - Bem, para falar de algo diferente, você sente
que sua música tem um propósito espiritual?
RC - Só posso dizer que toda vez que vou compor uma música,
ou quando tenho de realizar uma apresentação, faço
uma oração ao nosso Pai para que Ele me guie a fazer Sua
vontade. Tenho recebido algumas cartas bem interessantes, de pessoas
que, de uma forma ou de outra receberam uma mensagem com minha música.
Portanto, penso que eu devo ter...
CF - ...tocado seu coração?
RC - Realmente não sei como responder, porque eu precisaria sair
por aí perguntando a todos que ouviram as músicas. Mas,
algumas pessoas me contaram que tiveram curas físicas enquanto
estavam ouvindo minha música. Por isso, talvez o Pai realmente
tenha me ajudado a pôr nela uma mensagem.
Uma vez recebi uma carta de uma senhora da África do Sul. Os
pais dela morreram quando ela tinha dez anos e ela foi morar com uma
tia que, segundo ela disse, costumava maltratá-la. Seu aniversário
de quinze anos foi uma data muito triste. Não teve festa, nem
presentes e ninguém nem mesmo se lembrou dela. Na noite de 17
de julho de 1961, ela decidiu tomar umas pílulas e "dormir
para sempre". De repente ela ouviu uma música que vinha
do jardim, lá fora. Algo na música mudou seu estado de
ânimo. Ela foi dormir e, no dia seguinte, jogou fora as pílulas
e decidiu continuar vivendo. A música que ela ouvira foi a minha
gravação de "Bésame Mucho". Ela estava
com quarenta e cinco anos, quando me escreveu, havia casado e tinha
filhos. Havia para ela algo, naquela canção, um significado
qualquer, que não sei qual foi.
Normalmente eu não digo isso numa entrevista, mas vou lhe dizer
que antes, durante e depois das apresentações - ea qualquer
hora que eu puder - estou constantemente orando assim: "Pai, ajuda-me
a dizer a coisa certa. Ajuda-me com a música. Ajuda as pessoas
a esquecerem agora seus problemas e a ouvirem a música."
Estou Sempre trabalhando com essas idéias.
CF - Essa é a qualidade que você sente quando
está lá - realmente a presença do Cristo. Nada
poderia significar mais para seus ouvintes. E o que dizer de você?
Década após década você continua com o mesmo
entusiasmo, com a mesma alegria, a mesma inspiração. O
que o leva a seguir em frente, aparentemente sem limitações?
RC - Oro muito - e não só por mim mesmo. Hoje há
tanta necessidade de termos boa música. Não sei ao certo
qual é a definição de "boa" música,
mas hoje, eu acho, existem músicas que não são
realmente boas para os jovens que as escutam.
CF - Há necessidade de entretenimento bom e saudável?
RC - Isso mesmo. Ouça Tchaikovsky ou Rachmaninoff e alguns dos
grandes músicos. Você sabe, um dos melhores livros já
escritos, é também o mais antigo, isto é, a Bíblia.
Acontece o mesmo com a música. Jovens autores e compositores
poderiam aprender tanto ao ouvir os grandes mestres!
CF - Obviamente você tem amor a Deus e tem amor
pelos seus ouvintes e pelos jovens. Você quer ajudá-los
a trazer à tona o melhor que eles têm por dentro deles.
Sua motivação é o amor, não é?
RC - É uma bela maneira de dizer isso! Em outras palavras, como
resultado de minhas orações ao nosso Pai, tenho colocado
uma mensagem de amor em minhas músicas, durante todos esses anos.
Publicado na revista "O Arauto da Christian Science", Edição
de outubro, 1999.
copyright - The Christian Science Publishing Society
Um internauta fala de Ray Conniff:
Se você não sabe quem foi (é) Ray Conniff, me dá
vontade de dizer que então você não viveu. Mas não
vou dizer. Juro.
É que ele morreu há um mês e eu me
pus a pensar na minha vida musical dos anos 50 pra cá.
Comecei com ele, nos Bailes de Debutante do interior.
Love Is a Many-Splendored Things é marco não apenas musical,
mas de letra. Dançar de rosto colado ouvindo Hi-lilli, Hi-lo
jamais poderá ser descrito em dígitos.
Mas a minha geração
encarou todas. Logo veio o Elvis Presley e todo mundo virou roqueiro.
O Ray Conniff era um velho. Imagine que, logo depois, chegam os Beatles.
Depois a música de protesto, a bossa nova, o tropicalismo. A
gente encarou todos os movimentos com uma seriedade que não existe
mais hoje.
Mas no fundo, no fundo, agora chego à conclusão
de que o som da minha geração foi mesmo Ray Conniff. A
paz do seu som.
O mais ou menos contemporâneo Pedro Vergueiro,
me manda um e-mail que eu assino embaixo (e em cima) "Surpresa
e susto: o maestro e arranjador Ray Conniff se foi. Uma banda e seu
coral ficaram órfãos. A emoção da perda
nos atinge também.
Tristeza: pela falta que fará e porque as músicas
novas não mais serão por ele adaptadas para aquele seu
ritmo tão peculiar e que muito embalou nossas vidas, quando jovens,
menos jovens e que, ainda, embala as nossas recordações
agora que somos pouco jovens.
Ray Conniff sempre foi parte integrante das nossas alegrias
e, o que enobrece a sua importância, compartilhou sua música
com nossos amores.
Todos da minha geração dançaram
ao som da sua música envolvente, de seu balanço sedutor:
o rosto colado, o chega pra lá sem perder o contato das mãos
para poder trazer nosso par de volta, para o nosso abraço, todos
os passos sob o olhar fiscalizador da mãe dela (a futura sogra?).
Ele foi o símbolo do romance, do charme, nas festinhas, nos bailes
de formatura e, também, nas boates.
Sua alva figura fará falta sim, e muito."
Acho que é isso. Somos todos uns conservadores.
A gente tem uns cabelos, uns tênis, mas a gente já passou
dos 50, Pedro. Por mais que tenhamos nos apaixonado pelos Beatles, pelos
Stones, pelo Chico e Caetano, pela Janis Joplin, na hora do vamos ver,
a gente ataca é mesmo de Ray Conniff.
Fico por aqui pensando se o Lula conheceu (ou conhece)
o Ray Conniff. Vou torcer para que conheça. Para que ele faça
um governo em ritmo de The First Time ever I Saw You Face.
Passei toda a campanha esperando que algum deles, seja
para presidente, governador, deputado e o escambau, falasse no principal
problema brasileiro.
Não é segurança, educação,
diploma, fome. É um problema de auto-estima. No último
debate, o Lula tocou no assunto falando com uma professora desempregada.
O que o Brasil tá precisando é disto: auto-estima. O resto
são problemas políticos e vocês tratem de dar um
jeito. Não precisa, de cara, arrumar emprego para 12 milhões
de desempregados. É mais cabível injetar otimismo e dose
de auto-estima nuns 140 milhões. O brasileiro, apesar do penta
de futebol, anda de cabeça baixa. Com vergonha de ser brasileiro,
temendo o que a imprensa lá de fora vai dizer.
O brasileiro tem de ouvir Ray Conniff e se acalmar, gostar
mais de si mesmo.
Ou, se preferir algo mais forte, pode ir com o Elvis
cantando It's Now or Never. Uma bela canção para se cantar
nesta semana.
Ray já tocou muito com os músico brasileiros: Um dos momentos
marcantes da história da banda foi a apresentação
feita ao lado da famosa Orquestra Internacional de RAY CONNIFF, show
realizado no dia 27 de Agosto de 1997, na Serraria Souza Pinto, Belo
Horizonte, no encerramento do Congresso Nacional da Câmara de
Diretores Lojistas.
Ray, foi o primeiro maestro, das BIG BANDS, a realizar
um concerto em stéreo, em 1969.
Conniff em 1974, no perído da Guerra Fria, como
americano, foi muito bem recebido e prestigiado pelos russos, e lá
gravou um álbum, exclusivo, para a Rússia e utilizou cantores
daquele país. |