Do que é feita a criatividade?
Conrado Schlochauer
De maneira geral e baseado nos estudos da professora da Universidade de Harvard, Tereza Maria Amabile podemos dizer que a criatividade é feita de três componentes: conhecimento, técnicas e motivação.
Isso quer dizer que, em primeiro lugar, temos que buscar informações sobre as áreas que queremos criar. Já escutei muita gente dizer: Vou participar de uma reunião de geração de idéias, mas não li nada sobre o assunto para não me influenciar. Essa é uma das grandes besteiras que se pode fazer.
Para criar idéias, é importante conhecer tudo o que for possível sobre o assunto em questão. E, de preferência, estudar temas paralelos, para permitir que o seu cérebro busque informações em outros bancos de dados. Um bom exemplo é uma garrafinha de água para bicicleta desenvolvida pela Ideo, uma empresa norte-americana de design. Exigia-se um sistema em que o competidor de mountain bike pudesse beber água limpa sem encostar a boca no reservatório e fosse à prova de trancos e quedas. A solução foi simples, pois já existia: copiaram a válvula bicúspide do coração, aquela que permite que o sangue saia de uma cavidade cardíaca para outra, sem risco de retorno sanguíneo. Mas, para chegar a essa brilhante invenção, os designers tinham que saber da existência da válvula, ou seja, buscaram conhecimento e informação fora da área-foco do problema.
Geração de idéias
É importante conhecer também algumas técnicas de geração de idéias. O brainstorm é uma das mais difundidas (veja o box na pág. ??) e realmente funciona. Mas você pode conhecer outras, participando de cursos ou lendo livros. Afinal, se passamos 20 anos estudando temas gerais, por que não gastar algumas horas ou dias desenvolvendo essa habilidade? Para começar seu estudo, tenho duas sugestões de leitura: O Pensamento Lateral, de Edward de Bono (editora Nova Era), que ensina técnicas para fugirmos do padrão proposto pelo cérebro quando vamos resolver problemas e buscar novos caminhos, e Mindmapping, de Tony Buzan (edição em inglês), sobre como utilizar os mapas mentais esquemas gráficos para anotação ou geração de idéias para tornar o processo criativo mais orgânico e adaptado à forma como nosso cérebro funciona.
Finalmente, vem a motivação. E ela é a base de tudo. Você acha que seria capaz de obrigar alguém a ter uma idéia? Claro que não. Se a pessoa não se motivar, não sentir prazer nesse processo, pode ter certeza de que o resultado será muito fraco.
Por isso, você deve se auto-alimentar com o processo de geração de idéias, pois quando começar a utilizar mais o seu potencial criativo, tenha certeza de que ocorrerá o seguinte: a maioria das idéias que produzir vai ser normal e não será aproveitada. Isso faz parte do processo. Sim, mesmo o mais prodigioso dos criativos deve aproveitar menos de 10% das idéias propostas. E isso ocorre porque em criatividade, qualidade vem da quantidade.
E, ao trabalhar em equipe, você deve ter desapego às suas idéias. Na maioria das vezes, uma boa criação do grupo não tem dono, isto é, a idéia foi montada ao longo do processo. Cada um contribuiu com parte e o resultado é a junção de todas elas.