- Beleza, Potter � cumprimentou Draco sem gra�a.
Harry n�o saberia definir se estava mais perplexo ou irritado pelo fato de Draco e Tathy terem simplesmente ca�do do teto, os dois embolados um no outro. Meio ofegantes e com express�es culpadas, Harry n�o gostava daquelas express�es, sugeriam que eles estavam fazendo alguma coisa que n�o deveriam. Harry tamb�m n�o gostava de Draco aparentemente encabulado, como se algu�m tivesse interrompendo o qu� ele e Tathy estavam fazendo h� segundos atr�s.
Era �bvio que eles haviam ca�do sem querer, porque sen�o n�o estariam descabelados. Talvez o motivo de eles terem ficado assim que perturbava Harry, porque ele n�o confiava em Draco, n�o sozinho com uma menina... ele sabia que era muito f�cil de acabar acontecendo algo de que ela se arrependesse depois, exatamente como tinha acabado de acontecer com Harry e Gina.
Por�m Gina estava apenas completamente confusa, sem saber o qu� dizer.
- Eu sei que deve ser um tremendo choque nos ver inesperadamente � falou Draco � Mas n�o precisam ficam t�o aterrorizados...
- Malfoy � sibilou Harry recuperando os sentidos � O qu� voc� est� fazendo aqui?
- Como assim? O qu� eu estou fazendo aqui? � replicou incr�dulo � Voc� se esqueceu que essa � a
minha casa e que n�s est�vamos em algum lugar por a�.
- Eu quis dizer o qu� aconteceu para voc�s dois aparecerem do nada, voc� com os bra�os em volta dela? � perguntou Harry soando extremamente aborrecido.
- Definitivamente nada comparado ao que voc� estava fazendo com a Gina � respondeu Draco secamente.
- Do qu� voc� est� falando? � disse Harry seriamente.
- Voc� sabe muito bem � murmurou Draco, e lan�ou um olhar frio a ele, Harry n�o entendeu como, por�m talvez Draco soubesse que ele e Gina haviam se beijado. Ele preferiu n�o prolongar o assunto.
- N�o seja idiota, Malfoy! � Harry disse com o tom de voz controlado � Eu pensei que voc� fosse covarde, mas nem tanto para fugir das suas responsabilidades.
- O qu� voc� est� pensando, Potter? � disse Draco jogando os bra�os para cima � N�s est�vamos preocupados com o que estava acontecendo com voc�s, n�s est�vamos desesperados tentando encontrar voc�s.
- Eu sei muito bem me cuidar sozinho � disse Harry num tom magoado � Eu n�o preciso da prote��o de ningu�m.
- Harry, eu estava morrendo de medo... � Tathy se apoiou na parede para levantar e foi dar um abra�o no garoto que desviou. Ele a encarava com desprezo � O qu� foi? � perguntou confusa.
- Eu n�o sei se devo confiar em voc� � Harry disse duramente � Todos n�s estamos com medo, voc� n�o � a �nica.
- O qu� eu fiz para voc� me tratar assim? � disse Tathy totalmente triste, ela se sentiu da pior maneira que algu�m poderia ser rejeitada � Voc� n�o tem motivos para fazer isso comigo.
- Quem decide isso sou eu, e eu acho que voc� j� deu motivo suficiente para eu achar que voc� est� tendo um caso com o Malfoy � disse Harry olhando fixamente dentro dos olhos dela.
Gina e Draco estavam meio afastados de Harry e Tathy, apesar de estarem irritados eles falavam baixo, tendo uma conversa a s�s, sem que os outros dois pudessem ouvir.
- Eu n�o acredito, isso � um absurdo! � Tathy soou indignada, no entanto n�o interrompeu o contato visual � Voc� est� com ci�mes do Malfoy?
- Eu n�o acho certo voc� ficar se agarrando com ele � falou Harry � E n�o seja pretensiosa.
- Eu n�o devo nada pra voc�, Harry � Tathy apontou o dedo indicador para ele � Voc� n�o pode exigir de mim o qu� voc� n�o pode me dar.
- Eu n�o estou entendendo � Harry teve a coragem de dizer.
- Eu sei que voc� beijou a Gina � Tathy confirmou numa voz reprimida � N�o queira saber como, porque isto te faria ficar mais rid�culo. Eu n�o sei se voc� percebeu, s� que eu esperava mais de voc�...
- N�o est� sendo f�cil pra mim � replicou insanamente � Voc� n�o est� no meu lugar para saber como eu estou me sentindo.
- Dane-se Harry Potter! � ela berrou. Tathy estava muito nervosa � Pra mim j� CHEGA!
Os olhos de Tathy ficaram vermelhos de l�grimas, ela estava muito abalada, por�m Harry parecia id�ntico a ela. Ele estava p�lido, e perdendo definitivamente o controle.
- Calma � Gina resolveu intervir � Voc�s est�o com os �nimos muito exaltados, talvez seja melhor voc�s conversarem depois.
- N�s temos que ir � falou Draco terminantemente puxando Tathy pelo bra�o � Por favor, n�o se matem no caminho.

**    **

Durante a caminhada deles, o clima n�o continuou bom, se duvidassem teria at� piorado mil vezes mais. Harry e Tathy n�o se falavam, ela sentia que havia algo do tamanho de uma ma�a entalado na sua garganta. Ela queria dizer umas boas verdades para Harry, mas n�o sabia quais seriam as piores palavras para dizer a ele, para feri-lo e deixa-lo magoado profundamente. Tathy nem sequer olhava para o garoto.
Ele ainda quer cobrar algo de mim? pensava irritada Quem ele pensa que �? S� porque ele � o famoso Harry Potter acha que pode sair beijando quem ele quiser sem se importar se est� magoando ningu�m. Eu devia ter ficado com o Malfoy, pra mostrar para ele...
Agora a raiva tomava conta dos pensamentos de Tathy, neste momento ela seria capaz de fazer qualquer coisa para se vingar de Harry.
- Voc� acha que pode me controlar n�o � mesmo? � ela gritou desesperada.
- Voc� sabe muito bem como deve agir, eu n�o preciso te mandar em nada! � Harry disse resumidamente evitando olhar para ela.
- Ent�o, controle isto! � replicou com vigor agarrando Draco pela camisa, e o beijando fortemente na boca. Harry n�o conseguiu ignorar isto, ele parou totalmente despreparado para uma atitude dessas, talvez isso era se sentir chocado. N�o, Harry estava um degrau acima disso.
Draco emitia alguns gemidos, mas Tathy n�o pretendia solt�-lo, foi um beijo extremamente selvagem. Tathy largou um Draco incrivelmente abismado, seus olhos cinzas estavam arregalados.
- Viu? Ningu�m controla o qu� eu fa�o! � Tathy estava determinada e muito zangada � Agora voc� tem uma desculpa para ficar longe de mim, se � isso que voc� queria fazer. Vai em frente, Harry, me odeie pelo resto da sua vida... eu dei um motivo real!
Como um furac�o ela saiu correndo, deixando os tr�s para tr�s.
- Potter, voc� viu que eu n�o tive culpa. Ela que me agarrou! � falou Draco hesitante esperando levar um soco na cara, porque a express�o de Harry era terrivelmente assustadora.
- Cala a boca, Malfoy! � mandou Harry rispidamente.
- Uau! � exclamou Gina at�nita � Ela realmente estava furiosa. Ela fica perigosa quando revoltada.
Era dif�cil descrever como Gina estava se sentindo, afinal Tathy havia acabado de beijar Draco na sua frente, ela sabia que n�o existia nenhum sentimento da parte dos dois. No entanto isso foi estranho, Gina sentiu uma pontinha de ci�me, como se ningu�m al�m dela pudesse tocar em Draco.
O pior era em rela��o a Harry, ele disse que n�o queria machuca-la e tamb�m n�o era sua inten��o brincar com o cora��o dela. S� que tudo ficava cada vez mais confuso, h� pouco eles estavam se beijando somente com as paredes geladas fazendo companhia, e quando Tathy chegou parece que tudo mudou de repente, ela n�o era inocente para n�o perceber que Harry ficou bravo pelo fato de Tathy estar junto com Draco.
Gina deu de ombros mentalmente, as coisas estavam complexas, ela n�o poderia prever o qu� aconteceria a partir dali.
- Ela est� ficando maluca... � argumentou Harry com sarcasmo e ainda meio perdido � Mas mesmo assim eu acho que devemos ir atr�s de Tathy, do jeito que ela est� � capaz de fazer alguma coisa impensada que coloque a seguran�a dela em risco...
- � vamos procura-la sim � Draco soou forte � Mas de todo o modo eu acho que a Tathy entendeu melhor do qu� voc�... ou talvez voc� n�o queira entender � estas �ltimas palavras soaram com um pouco de ressentimento.
Desta vez Draco n�o sentiu medo de Harry, s� porque os punhos dele estavam fechados e ele tinha a familiar express�o de f�ria determinada igual aquela que ele ficava quando jogava Quadribol. Harry estava errado, algu�m precisava dizer isso a ele, e Draco tamb�m estava magoado, ent�o n�o foi muito dif�cil fazer isso.
Pareciam que os olhos verdes de Harry estavam fuzilando mortalmente Draco, mas Draco ainda n�o havia esquecido o qu� Harry havia feito com Gina, n�o seria t�o f�cil de esquecer. N�o seria t�o simples perdoar, ent�o ele estava pouco se lixando para a raiva de Harry, por mais que ela fosse t�o intensa capaz de ser lida nos olhos dele.
- Acorde, Potter! � ele recomendou num tom de aviso � Esse sofrimento � desnecess�rio, mas voc� insiste em causa-lo. Est� na hora de voc� escolher o que vai fazer...
Harry continuou com seus l�bios cerrados, ele sentia sua saliva espessa e dif�cil de engolir. Ele n�o sabia distinguir se Draco o estava provocando ou se estava tentando ajuda-lo, por�m o qu� o Malfoy havia dito era verdade. Agora, ou ele fingia que nada aconteceu e perdia Tathy para sempre ou ele precisava resolver isto logo. Harry j� estava decidido.
- Eu n�o vou esquecer isto Malfoy! � disse amigavelmente e depois empurrou Draco e saiu correndo desesperadamente.
Draco estava ca�do no ch�o, completamente atordoado, com as m�os no joelho. Observando Harry sumir pelo mesmo lado que Tathy.
- De nada, Potter! N�o precisa agradecer... � ele sorriu.

**   **

Harry se lembrou de poucas vezes ter corrido tanto em sua vida. Sempre quando ele virava um novo corredor, ele tinha esperan�a de encontra-la, mas ela nunca estava l�. At� que ele viu algu�m encolhido num canto que por pouco n�o passou batido, ela parecia n�o notar que Harry estava se aproximando e solu�ava muito.
Harry foi at� o lado dela, e se inclinou para ver o seu rosto. Tathy continuava a ignorar a presen�a dele.
- Tathy... � Harry chamou pegando de leve no queixo dela para que ela olhasse para ele. Havia uma l�grima escorrendo em seu olho, Harry conseguia ler nos olhos de Tathy que ela sentia muita m�goa.
- Voc� n�o precisa fazer isso � as l�grimas dela contrastavam com seu tom de voz � Eu sei quando eu perco, eu perdi voc�. Eu perdi a sua amizade.
- Voc� s� perdeu se voc� quiser � Harry disse docemente � Eu estou aqui, eu sei que fui ego�sta demais com voc�. Eu estava errado e quero consertar isso.
Tathy abaixou a cabe�a, ela enxugou sua �ltima l�grima e respirou fundo.
- N�o chore... � sussurrou Harry preocupado.
- Voc� me machuca, voc� me feriu Harry � Tathy disse num tom triste � Eu n�o pensei que fosse assim, no entanto eu sei que n�o vou suportar viver sem voc�, e n�o tem mais jeito...
- Eu sei que voc� est� arrependida. Que voc� n�o queria ter beijado o Malfoy � ele parou hesitante � N�o � mesmo?
- Ah� � Tathy confirmou fracamente.
- Ent�o a culpa � minha por ter sido t�o imaturo e n�o acreditado em voc� � ele estava sendo muito honesto, como s� Harry Potter obstinado poderia ser � Voc� me perdoa?
Tathy abriu a boca para responder, mas ela n�o conseguiu dizer nada. Harry percebeu o quanto ela estava aflita.
- Eu imagino o qu� voc� deve pensar de mim --- o tom de voz de Tathy estava determinado, embora irremediavelmente desanimado.
- N�o, voc� n�o sabe � Harry interrompeu antes que ela tirasse suas pr�prias conclus�es � O Malfoy me perguntou o qu� eu mais gostava em voc�. Quer saber o qu� eu respondi?
- Ah� � Tathy respondeu novamente.
- Que tudo em voc� � perfeito, que quando eu chego perto de voc�, eu sinto porque vale a pena lutar. Eu sei porque sobreviver, quando a gente enfrentou todas as dificuldades pra chegar at� aqui, e provavelmente quando eu enfrentar Voldemort eu vou querer viver, s� pra ter a chance de te ver de novo. Que inesperadamente eu me surpreendo pensando em voc�, n�o importa a hora e aonde. E quando eu olho pra voc� e voc� olha pra mim, no fundo dos meus olhos, � como se nada existisse a minha volta, como se tudo tivesse acabado. � como atingir o inating�vel, e sair vivo de uma batalha mortal.
Tathy sorriu emocionada, havia uma confus�o de sentimentos fazendo seu cora��o disparar. Ela abra�ou Harry fortemente.
- Voc� � t�o
bobo! � murmurou aliviada.
Harry sentiu uma ligeira tontura e uma dor repentina passar por sua cicatriz. Ele soltou a garota e fechou os olhos colocando a m�o sobre a marca em sua testa.
- Harry, voc� est� bem? � perguntou Tathy com os olhos arregalados.
- Sim, eu estou � Harry abriu os olhos e disse seriamente � Acho que foi uma dor passageira, isso � normal n�o precisa se preocupar.
Tathy pareceu estar mais assustada do que o necess�rio, na opini�o de Harry, mas ele levou em conta que ele pr�prio j� havia se acostumado com isso e talvez Tathy ainda n�o.
Ainda levemente perturbada ela levantou, e parecendo se lembrar repentinamente dos outros, com uma segunda inten��o de mudar o rumo da conversa, Tathy perguntou:
- Cad� a Gina e o Draco? Eu pensei que eles estivessem atr�s de voc� � ela disse com interesse.
- Acho que eles ainda est�o, mas eles sabiam que eu precisava conversar com voc�. A s�s. � Harry enfatizou essa �ltima parte.
Draco e Gina finalmente os haviam alcan�ado, no entanto Harry sup�s que eles n�o tivessem feito um esfor�o t�o grande para alcan�a-los e muito menos interagido durante o caminho. Se bem que Gina tentou, assim que Harry saiu correndo e Draco voltou a aten��o para ela, ela tentou come�ar:
- Voc� tem alguma coisa pra me dizer? � Gina falou com inseguran�a e n�o se atreveu a lan�ar um olhar para Draco.
- N�o � respondeu friamente � Eu n�o quero dizer nada agora, porque eu posso dizer coisas que eu v� me arrepender depois... este n�o � o momento certo pra conversar com voc�.
- Voc� tem todo o direito de estar assim, mas eu n�o queria que voc� ficasse pensando que---.
- Eu n�o quero que voc� se defenda � Draco interrompeu bruscamente � Apenas finja que voc� est� sozinha, ou me deixe sozinho com meus pensamentos. Depois passa...
- Ok � assentiu Gina. Ela sabia que Draco estava com a completa raz�o, e ningu�m disse mais nada at� encontrarem Harry e Tathy.
Ningu�m parecia entender mais se estavam brigados ou se ainda havia esperan�a de tudo voltar a ser como antes, exatamente como antes talvez fosse imposs�vel. Porque cada um tinha seu motivo especifico para n�o estar tudo bem, e at� agora nenhum deles tinha conseguido resolver totalmente. O clima de uni�o esfriou um pouco, de Draco para Gina, de Gina para Harry, de Tathy para Harry. O pr�prio Harry estava diferente, mais cauteloso, mais distante.
Contudo, todos tinham o mesmo objetivo, sair do labirinto o mais r�pido que eles conseguissem. A pequena luz da varinha iluminava o caminho guiado por Draco, ser� que desta vez eles teriam sorte como quando ficaram presos na passagem de Hogwarts? Seria a segunda vez que eles escapariam de ficar vagando sem rumo para sempre num mesmo lugar, definitivamente seria como acertar duas vezes na loteria e foi mesmo...
- Bingo! � exclamou Draco � Sigam-me.
Os quatro foram parar em frente a uma escada que levava diretamente ao teto do calabou�o, era a reta final da passagem, junto com a parede os degraus que levavam a uma esp�cie de al�ap�o. Aonde isso iria levar? Harry n�o fazia a menor id�ia.
Draco o abriu e cada um foi subindo, Harry por �ltimo.
Era uma sala extensa, com um tapete cor de vinho que ocupava metade do seu espa�o, as figuras do tapete participavam de uma Guerra Medieval, Harry observou que os homenzinhos lan�avam tochas de fogo, catapultas e decepavam as cabe�as.
Na parede Lucio Malfoy, era um t�pico colecionador de chifres de unic�rnio, Harry achou que havia tantas amostras que aquilo valeu por mais de dez aulas de Trato das Criaturas M�gicas, mas era crime. Isso deveria ser divertido para os pais de Draco.
Sof�s no canto e uma mesa cheia de pap�is amassados e charutos esparramados por cima.
- Seus pais n�o s�o nada organizados! � comentou Gina.
A lareira crepitando com o fogo e o al�ap�o ficava ao lado dela, meio que escondido. E seria imposs�vel algu�m perceber a diferen�a entre o piso comum e aquela porta que levava aos calabou�os. Uma foto de Draco, em cima da mesa, ficou os observando desconfiadamente enquanto eles passavam por ela e atravessavam a porta.
Isso deu acesso a um corredor de 20 metros de comprimento, apenas tochas colocadas nos dois lados da parede iluminavam o lugar estreito, v�rias portas ao longo do corredor, e muitos quadros na parede, a maioria de bruxas sendo queimadas em fogueiras ou caras tenebrosas e cheias de maldade, que Harry n�o sabia se a qualquer momento poderiam saltar daquelas molduras e lan�ar um feiti�o paralisante neles, Draco parecia tranq�ilo em rela��o a isso, as meninas estavam juntas.
- Ei, jovens! � chamou um bruxo asqueroso. Tathy e Gina tremeram de medo � Andem depressa, sen�o eles v�o pegar voc�s.
- Eles quem? � gaguejou Tathy cheia de medo.
- Os bruxos dos quadros, eles se libertam a cada semana, meia-noite em ponto e aprisionam aventureiros como voc�s! � ele deu uma gargalhada sonora que mostrou todos os seus dentes amarelados � A prop�sito, eu adoraria ter novas companhias.
Horrorizada Gina puxou Tathy para longe do quadro, as duas estavam � beira de um colapso nervoso.
- N�o d�em aten��o ao que nenhum deles diz � recomendou Draco com desd�m � Todos est�o blefando, s� querem assustar voc�s.
- Seus pais n�o poderiam escolher uma decora��o menos aterrorizante pra variar? � replicou Harry demasiadamente cansado.
- Rel�quias de fam�lia, objetos que eles foram herdando de seus ancestrais � falou Draco � Voc� est� vendo aquele ali? � ele apontou para o quadro de uma gorda sendo arremessada para um grupo de barretes vermelhos enfurecidos, que a espancavam � � engra�ado, esse eu comprei na Travessa do Tranco.
- Que senso de humor mais grotesco! � falou Tathy ainda abalada � Mas por via das d�vidas, voc� sabe que horas s�o?
- N�o, eu presumo que ficamos presos tr�s horas no labirinto subterr�neo, mas n�o h� como saber exatamente � Draco virou incr�dulo para as duas atr�s � Eu j� disse que nenhuma pintura salta do quadro, isto � mentira, n�o escutem as brincadeirinhas deles.
- Essas brincadeirinhas n�o t�m nenhuma gra�a � reclamou Gina.
- Para onde estamos indo, Malfoy? � indagou Harry entediado, ele odiava ser guiado pelo outros sem saber aonde isso iria parar, pelo pouco que ele havia reparado, era uma Mans�o monstruosa, deveria ter no m�nimo 50 quartos.
- Estamos indo para o lugar mais seguro da casa � Draco respondeu � O meu quarto.
- Espera a� � disse Tathy num tom agudo e parou de andar, o que fez todos pararem tamb�m e encararem a menina com uma express�o peculiar � O seu quarto n�o � meio, �bvio? Quer dizer, qual seria o primeiro lugar que os seus pais te procurariam? No seu pr�prio quarto!
- A casa est� cheia de Comensais da Morte, voc� quer correr o risco de entrar em um quarto e dar de cara com um? Eu tenho certeza que ningu�m estar� hospedado no meu quarto.
- Por quantos lugares teremos que passar at� chegar l�? � disse Harry num tom meticuloso.
- Quando sairmos daqui podemos subir a escadaria, e na biblioteca tem um atalho que d� direto onde queremos ir � informou Draco com efici�ncia � Detalhe, s� eu conhe�o o lugar, meus pais n�o fazem id�ia de que ele existe.
- Voc� tem certeza? � perguntou Gina hesitante � N�o � mais uma passagem perdida no tempo? Eu n�o quero passar por isso de novo.
- N�o � respondeu Draco num tom ofendido � Confiem em mim.
De repente, um fantasma cortou as paredes cinzentas do corredor, por um instante, Harry pensou que ele iria passar direto, sem nem ao menos notar a presen�a de quatro estranhos, mas ent�o...
O fantasma parou bruscamente, Gina e Tathy deram um pulo para tr�s com os olhos arregalados, ser� que tudo estava perdido? A express�o no rosto do fantasma n�o era nada amig�vel, ele os fitava com desconfian�a, com certeza ele contaria tudo a L�cio, quem sabe at� lan�asse um feiti�o para estupora-los. No entanto, Harry tinha a pessoa certa na hora certa para resolver este problema.
- Ol�, Simon � cumprimentou Draco com uma incr�vel calma.
- Mestre, Malfoy � o mordomo se espantou ao ver Draco � O qu� o senhor est� fazendo aqui?
- N�o � da sua conta � respondeu mal-educado � Preste aten��o, eu n�o quero que ningu�m fique sabendo que eu estou aqui. Principalmente os meus pais.
- Certo � ele respondeu com vigor. James tinha uma apar�ncia revigoraste, como se estivesse absolutamente satisfeito com o fato de Draco estar tramando algo escondido de seus pais. Como se isso fosse extraordin�rio, uma grande vit�ria � Eu nunca vi o senhor aqui.
- �timo, � bom que voc� cumpra o que diz, sen�o o Lord das Trevas em pessoa acaba com voc�, eu tenho meios de conseguir isto � falou Draco amea�adoramente.
- Isto n�o vai acontecer � disse o fantasma se acovardando � Mas, quem s�o estes que est�o com o senhor? Aquele n�o � Harry Potter?
Harry colocou o cabelo rapidamente na frente de sua cicatriz, e fez o poss�vel para n�o parecer culpado.
- Al�m de impertinente est� ficando burro � ralhou Draco com rispidez � � �bvio que ele n�o � Harry Potter, e desde quando eu lhe devo satisfa��es? Voc� est� muito intrometido, chega de perguntas e fa�a o qu� eu mando!
- Sim, senhor � concordou o fantasma abaixando a cabe�a.
- Os amigos do meu pai j� chegaram?
- Avery, Crabbe, Goyle, Nott e Rowseng j� chegaram � disse prestativamente � Em breve Macnair e Netwander devem aparatar pr�ximo a colina e se reunir para a festa que acontecer� daqui a pouco, em comemora��o da volta de servi�os para o Lord das Trevas.
-  Mais uma festa pat�tica e chata? � exclamou Draco s�dico � Onde eles est�o hospedados?
- No quarto andar � Harry entendeu a t�tica de Draco, ent�o significava que como eles estavam no primeiro andar, seria provavelmente f�cil chegar at� o quarto � Eu acho que seu pai e sua m�e gostariam da sua presen�a...
- Eu n�o pedi sua opini�o! � disse Draco rispidamente � Voc� N�O pode contar a eles que me viu, entendeu? Agora v�!
- Com licen�a, senhor � o fantasma fez uma rever�ncia exagerada e com velocidade desapareceu.
- Voc� acha que ele n�o vai contar nada? � perguntou Harry desconfiado.
-  Eu conhe�o os criados daqui � falou Draco com os olhos cinzas reluzindo � Eles s�o leais quando precisam, m�o importa a quem.

**   **

Sirius seguiu o rastro do cheiro de Draco, ele estava na sua forma de animago. O c�o preto passava sorrateiramente pelo jardim, e sempre seguindo a trilha deixada pelos meninos, Sirius chegou ao tijolo que abria para a passagem secreta.
Ele se embriagou na escurid�o, apenas confiando em seus olhos de c�es e corria ligeiramente, passando pelos lugares sem ter tempo de observar como a paisagem era grotesca.
As quatro patas de Sirius o impulsionavam, ele sentia um vento gelado bater em seu rosto por causa da velocidade, os p�los pretos se arrepiando. Almofadinhas n�o estava seguro de onde deveria ir, ele estava consciente que precisava seguir as marcas de Harry e os outros, mas como agora elas come�avam a se separar, ele resolveu optar por Harry.
Ele havia prometido a Dumbledore, e acima disso Sirius sentia a obriga��o de cuidar de Harry. Almofadinhas estava ali para isso, nem que custasse sua vida, nem que ele precisasse se sacrificar, ele n�o deixaria o �ltimo dos Potter morrer, ele n�o fingiria que acreditava que Harry estava bem na companhia dos seus amigos. At� porque ele n�o confiava em Draco, e nem no poder do talism�, que poderia se virar contra Harry a qualquer momento.
Sirius tomou ci�ncia que estava num labirinto, mas ele n�o se deixou abalar por isso, sua vontade de achar Harry era maior. Sirius n�o pretendia interferir at� quando fosse poss�vel, talvez fosse bom para Harry resolver seus problemas sozinhos, ser� que ele conseguiria?
Seu padrinho n�o tinha d�vidas disso, e ficava muito orgulhoso toda vez que ouvia o nome de Harry ser citado, porque sabia que o prest�gio era merecido, ele havia sido a �nica coisa boa que sobrou de Tiago e L�lian Potter. Algu�m fazia Sirius lembrar dos seus amigos, que por culpa dele estavam mortos, Sirius nunca tirou esse fardo das suas costas, e talvez ele nunca pensasse de outra maneira, na opini�o de Almofadinhas, ele era o maior respons�vel por tudo, por sua ingenuidade.
Desta vez, Almofadinhas n�o permitiria que Voldemort fizesse o mesmo mal, isso tamb�m era uma tentativa de compensar todo o descuidado que ele teve, sua imprud�ncia, e Sirius gostava muito de Harry, em muitas caracter�sticas ele lembrava Tiago, ele n�o permitiria eu isso fosse tirado dele mais uma vez.
Sirius parou de correr por um momento, e voltou a ser um homem. Ele se encostou a uma parede fria, ofegante decidiu que precisava descansar, para voltar a correr novamente.
Quando Sirius se transformava em um c�o preto, alguns o confundiam com um agouro de morte, isto �s vezes facilitava para expulsar olhares curiosos. Por�m, at� Harry se enganou antes.
O caso era, ele faria tudo para ser realmente o agouro de morte para Voldemort e os Comensais, transformando-se novamente Sirius voltou a correr pela passagem.

     **   **

Draco apontou sua varinha para a porta:
- Kadherow! � e a porta fez um estralo quando a fechadura virou.
Harry, Tathy e Gina apareceram debaixo da Capa da Invisibilidade, que era consideravelmente pequena para os tr�s. Foi um esfor�o chegar at� l� espremidos, e por ora levando um pis�o no p�, um empurr�o.
Harry jogou a capa em cima da cama de Draco Malfoy, que era muito espa�osa e ficava de frente para a janela, que tinha vista para o quintal de tr�s da Mans�o. Draco permaneceu de p� enquanto Gina e Harry sentaram na cama, e Tathy num canto mais adiante.
- Malfoy, n�s precisamos saber o qu� eles est�o tramando � disse Harry � Eu acho que seria melhor voc� aparecer nesse jantar.
- Voc� se esquece que o meu pai pensa que eu estou estudando em Hogwarts neste momento? � replicou Draco relutante � Ele pode ser um cr�pula, mas vai estranhar se eu aparecer do nada.
- Pense � mandou Harry � Apenas pense numa desculpa, voc� deve ter feito isso tantas vezes na sua vida.
- N�o � t�o simples assim � disse Draco num tom meio irritado � Eu sou o cara que vou conseguir as informa��es, eu estou abrindo os caminhos pra voc�s e, al�m disso, eu tenho que ser o c�rebro tamb�m.
- Ok, se pra voc�s falta c�rebro pra mim n�o � disse Tathy e os dois olharam seriamente para ela � E n�o me olhem assim! Eu posso arranjar um pretexto bem legal pra voc�, Malfoy...
- Por que eu tenho a impress�o de que isso n�o ser� nada bom pra mim? � perguntou Draco indignado.
- Por que voc� est� paran�ico � respondeu Tathy num tom definitivo � Diga ao seu pai que as aulas terminaram mais cedo este ano porque o Dumbledore tinha compromissos e teve que se afastar de Hogwarts.
- E voc� acha que ele vai acreditar nisso? No m�nimo ele vai mandar uma coruja e pedir explica��es? � disse Draco como se aquilo fosse besteira.
- Voc� � ou n�o � convincente? � disse provocante � Vamos l�, cad� o seu jogo de cintura? Acho que eu estava enganada quando pensei que voc� conseguisse manipular qualquer um.
- Meu pai � experiente no ramo, mas... � ele se corrigiu � Eu posso dar um jeito nisso, deixem comigo.
- �timo � concluiu Harry � Ent�o, o Malfoy se infiltra na festa e depois nos conta tudo que ouviu. Mas, preste aten��o � falou com veem�ncia � N�o v� ficar comendo e esquecer de escutar as conversas.
- Que tipo de babaca voc� acha que eu sou, Potter? � revoltou-se � Eu n�o preciso dos seus serm�es idiotas.
- Que bom que voc� pensa que n�o precisa... � disse Harry no mesmo tom � Eu espero que voc� n�o esque�a disso enquanto estiver l�.
- Tudo bem � Tathy interrompeu antes que eles continuassem. Ela ficou parada na frente de Harry e mexeu a boca de modo que somente ele pudesse ouvir � Voc� precisa aprender a ficar quieto �s vezes.
Ent�o, Harry ficou emburrado na cama descontando os olhares severos em Tathy, enquanto Draco pegou uma pena e um pergaminho e come�ou a desenhar.
- O que � isso? � falou Gina curiosa.
- � um rascunho das propriedades da Mans�o � Draco terminou e entregou a menina que ficou observando o mapa � Caso voc�s precisem sair, assim ser� mais f�cil de se localizar. Guardem com voc�s.
- Obrigada � Gina sorriu.
- � melhor voc� ir logo, voc� n�o quer chegar no meio da festa enquanto meia d�zia de Comensais da Morte te encaram surpresos � recomendou Harry � Se voc� quer mesmo conseguir alguma coisa v� agora!
- Est� certo � Draco lan�ou um olhar determinado a Harry � Tomem cuidado, eu n�o quero saber que voc�s foram capturados antes de eu voltar.
- Espere a�! � gritou Gina com energia na voz � Eu vou junto com o Draco.
- O qu�? � falou Harry escandalizado � Voc� est� maluca? Na mesma hora o L�cio vai te reconhecer, se lembra quando ele jogou o di�rio de Riddle na sua mala?
- Harry, o Draco n�o pode ir sozinho � Gina disse com mais calma tentando persuadi-lo � Vai ser melhor se tiver dois espi�es, eu posso procurar a espada...
- N�o! � falou Harry � Eu vou ser o culpado se acontecer alguma coisa com voc�... eles s�o perigosos...
- Voc� sabe muito bem que eu posso fazer isso. Eu mudei muito nesses tr�s anos que se passaram, eu acho que voc� n�o notou, mas com certeza algu�m que n�o me v� a tanto tempo n�o vai me reconhecer t�o facilmente.
- Voc� � ruiva � falou Harry secamente.
- Minha fam�lia n�o � a �nica que tem cabelos ruivos, isto n�o � uma marca registrada � disse � Eu n�o vou ficar aqui!
- Se voc� quer se arriscar, o problema n�o � meu � Harry disse jogando as m�os para o alto.
- Voc� tem certeza que quer fazer isso? � perguntou Draco confuso e fitou a garota.
- Tenho, eu quero ir com voc� � confirmou Gina.
- Mas... � disse pensativo � Quem voc� �? � um minuto depois ele se sentiu meio idiota com a pergunta.
- Quem mais eu poderia ser? � Gina deu de ombros � A sua namorada!
Parecia que tinham batido com alguma coisa pesada na cabe�a de Draco, primeiro ele ficou em choque depois ele parecia achar o que Gina havia acabado de dizer inacredit�vel.
- Voc� tem certeza? � ele repetiu.
- � perfeito: voc� aproveitou e trouxe sua namorada para conhecer a sua fam�lia, ningu�m vai desconfiar!
Antes que Draco e Gina pudessem fechar a porta, Harry disse:
- Tragam comida! N�s estamos morrendo de fome...

**   **

Eles ouviram o barulho da porta se fechar atr�s, e Draco se voltou para Gina:
- Eu sei que voc� est� tramando algo... � ele falou num tom suspeito � Porqu� voc� fez quest�o de deixar os dois sozinhos?
- Porque eu acho que eles t�m alguns assuntos para resolver � disse Gina meio cabisbaixa.
- Mas isso n�o � ruim pra voc�? � indagou perplexo.
- Eu n�o quero que o Harry fique comigo pensando que podia estar com ela, eu acho que ele ainda est� confuso... se ele se arrepender agora eu n�o vou sofrer tanto se ele vier a descobrir isto depois � Gina deu de ombros � � melhor que o Harry me desiluda logo no come�o, porque se ele escolher outra menina depois que eu j� tiver trocado tudo por ele ser� bem pior...
- O qu� voc� poderia perder se ficasse com ele? � Draco falou num tom melanc�lico.
- Voc� � Gina afirmou olhando profundamente nos olhos dele � Seria loucura da minha parte trocar um amor verdadeiro por um simples sonho imposs�vel com o Harry. Voc� me faz sentir coisas estranhas quando eu olho pra voc�, eu sentiria falta disso... e se eu decidir pelo Harry, isso tamb�m seria ruim pra voc�.
- Voc� tem raz�o � Draco sorriu felinamente � Ent�o esque�a o babaca do Potter e fique comigo!
- Voc� n�o perde uma chance, n�o � mesmo? � Gina respondeu com um sorriso.
Eles pararam em frente uma porta dupla, de uma madeira escura, uma das mais bonitas que Gina j� havia visto em toda sua vida. A ma�aneta, os detalhes eram t�o precisos... ela constatou que ali deveria ser o escrit�rio principal.
- Meus pais est�o ali dentro, provavelmente discutindo os �ltimos preparativos para a festa � Draco disse � Eu entro primeiro e a� respondo todas as perguntas iniciais, quando eles estiverem cansados de fazer um interrogat�rio sobre a minha chegada, eu apresento voc�.
- Ok � Gina concordou atentamente.
- Fique a�... e qualquer coisa grite!
Draco chegou bem perto de Gina, os dois olhando um nos olhos do outro, ela estava t�o envolvida que nem percebeu como ele estava pr�ximo de beija-la. Ent�o, Gina conseguiu desviar seus pensamentos dos olhos de Draco e sentiu que ele estava sendo muito verdadeiro em tudo que os olhos dele diziam, e ela tomou consci�ncia que Draco iria realmente beija-la. Gina virou o rosto, intimamente desapontado ele se afastou e girou a ma�aneta:
- Eu j� volto! � sussurrou e Gina deu um sorriso nervoso.

Draco abriu a porta e os olhos igualmente cinzas de Narcisa e Lucio Malfoy subiram em escala at� chegar no garoto, vestindo suas cal�as todas sujas e sua camiseta manchada de sangue que ele havia estancado da sua m�o, seus trajes totalmente irreconhec�veis das caras pe�as de roupa e refinadas que ele estava acostumado a usar.
Lucio Malfoy ergueu sua cabe�a, com um olhar arrogante e at�nito, parecia que ele havia acabado de ver um esp�rito agourento.
- Draco? � ele soou estupefato � O qu� voc� est� fazendo aqui?
- Eu tamb�m estou muito feliz em rev�-los, mam�e e papai � respondeu cinicamente andando at� uma cadeira e sentando com seu corpo todo largado � Ainda mais em dias de festa!
- Voc� foi expulso de Hogwarts? � os olhos de Narcisa se arregalaram, ela falava rispidamente � N�s j� dissemos para voc� n�o se meter com aqueles sangues-ruins e nem ficar se gabando por seu conhecimento de Artes das Trevas... algum dia isso ainda lhe traria problemas.
- Moleque, o qu� voc� aprontou desta vez? � os l�bios de Lucio se encresparam, ele usava seu tom de voz mais amea�ador � Estou vendo a hora que o Minist�rio come�ar a me investigar por sua culpa...
- Calma! � disse Draco com a voz esgani�ada � De qualquer forma o Minist�rio vai duvidar de todos quando o Lord das Trevas voltar, e n�o serei eu que vai deixar pistas que levem at� n�s, francamente pai! Eu pensei que voc� n�o se preocupasse com isso nessa altura do campeonato...
- Ent�o explique, Draco � Narcisa o encarou decidida � Voc� fugiu de Hogwarts?
- N�o � falou � Dumbledore provavelmente previu a volta de Voldemort e resolveu terminar as aulas antes do previsto, acho que ele est� tentando impedir isso. Ent�o, eu resolvi voltar e n�o esperava que voc�s fizessem tantas acusa��es.
- Dumbledore � um tolo! � desdenhou Narcisa � Ele pensa que � o bruxo mais poderoso do mundo, ele pensa que poder� salvar os mais fracos da ira de nosso Mestre, no entanto ele vai morrer assim como todos que cruzaram o caminho do Lord das Trevas.
- Filho, voc� chegou em boa hora � um sorriso meio torto estava no rosto de L�cio Malfoy � Estamos nos preparando para comemorar a volta definitiva do nosso Mestre, Dumbledore estava certo em duvidar disso.
- O qu� est� acontecendo? � Draco fingiu interesse � Porque h� dias n�o vejo o Potter nos corredores de Hogwarts.
- Harry Potter est� tentando fugir do seu destino � falou Narcisa, praticamente sem emo��o alguma, e se houvesse sentimentos no que ela dizia seriam de �dio � Soubemos que existe a Quarta Maldi��o Imperdo�vel, aquele bruxinho metido a corajoso j� pode ser considerado morto.
- Ainda faltam algumas horas para a festa come�ar � os olhos desdenhosos de L�cio fitaram Draco da cabe�a aos p�s � Voc� est� imundo, precisa se arrumar para ajudar a receber os convidados.
- Convidados? � exclamou � Voc� d� tantas festas e jantares que isso j� virou rotina, e eles nem olham para mim como se eu fosse transparente.
- Fa�a o que o seu pai manda � crepitou Narcisa enquanto Lucio lan�ava um olhar maldoso a ele.
- Tudo bem, vai ser como voc�s querem � Draco se levantou e disse � S� que eu tamb�m trouxe uma convidada.
- Ah, �? � perguntou Narcisa meio interessada e meio debochada � Quem?
- A minha namorada... � Draco caminhou elegante mente at� a porta, pensando em algum nome. N�o poderia ser da Sonserina porque a maioria seus pais j� conheciam, nem algum nome que eles j� tivessem ouvido Draco citar, geralmente xingando. Algu�m que ele j� tivesse ouvido falar nos corredores, qualquer nome � Susana Bones � disse finalmente e olhou para Gina.
- Draco... � ela murmurou aflita.
- Vai dar tudo certo � ele disse decidido e os dois entraram na sala.
Draco e Gina pararam de m�os dadas assim que entraram. Narcisa e Lucio a estavam analisando, Gina sentia isso, sentia cada parte dela sendo observada cuidadosamente.
Os pais de Draco n�o faziam o menor esfor�o para serem simp�ticos, ser� que eles sabiam o qu� era isso? Muito pelo contr�rio Narcisa tanto quanto Lucio pareciam estar se lixando para formalidades.
- Ol� � falou Narcisa com uma nota de decep��o � N�s nunca ouvimos falar de voc�, foi uma surpresa quando Draco nos contou.
- Bom � Gina deu um passo � frente tentando encarar os dois e parecer convincente. Ela pigarreou � Faz pouco tempo que n�s nos conhecemos, e tudo aconteceu inesperadamente.
- N�s esper�vamos que Draco namorasse algu�m da Sonserina, ele sempre falava muito das meninas de l� � mentiu Narcisa, os ossos da face de Draco ficaram r�gidos ao ouvir aquelas bobagens. Gina percebeu que a conversa estava ficando desagrad�vel.
- Realmente eu tamb�m n�o pensava em me envolver com meninos de Hogwarts � Gina disse vagamente � S� que eu n�o esperava encontrar algu�m t�o encantador como o Draco. Foi como se nos conhec�ssemos h� muito tempo, uma sintonia perfeita. E eu acho que por ter sido surpresa que deu certo, �s vezes n�s planejamos muito e acaba dando tudo errado.
- Essa loucura deve ser boa para os adolescentes, nunca sabendo o qu� fazem � Narcisa comentou terminantemente e indicou a cadeira � Sente-se.
Draco levou Gina at� uma das cadeiras, foi estranho para ele ouvir a garota dizendo o quanto ela havia gostado dele. Draco tentou pensar por alguns instantes que isso n�o era mentira.
- Em que casa voc� est�? � foram as primeiras palavras que Lucio dirigiu a ela.
- Lufa-lufa � respondeu, e Draco a abra�ou.
- Hum... � Lucio pareceu particularmente interessado � Lufa-lufa � a casa daqueles que n�o tem medo da dor e s�o leais com seus prop�sitos. Ent�o, a quem voc� � leal?
Gina revirou sua cabe�a at�nita, essa foi a pergunta mais indiscreta. � �bvio que ele queria saber se ela estava do lado de Harry ou do lado de Voldemort. Mas Gina n�o cairia nesse joguinho.
- Eu sou leal a mim mesma � disse firmemente.
- S�rio? � Narcisa ficou ligeiramente admirada � Isto mostra que voc� � uma mulher de fibra, melhor para seus interesses e pior para os que dependem de voc�. N�o se preocupe querida, eu apoio isso.
Mas Lucio Malfoy n�o ficou totalmente contente com essa resposta, e seus olhos cinzas olhavam cada vez mais atentos, como se estivessem passando um raio-x na menina, isso fazia Gina sentir calafrios de inseguran�a.
- Voc� � muito bonita... quando voc� entrou eu quase lhe confundi com... � Lucio estava prestes a dizer �uma Weasley�, mas parou. Porque sem pensar duas vezes, Draco pegou Gina que estava deitada em seu colo e a beijou. Foi um beijo meio apressado e descontrolado, quando Gina se deu conta Lucio parara de falar e Draco j� havia a soltado.
- Pai � Draco disse num tom apaixonado que deixou Gina envergonhada � Ela � incompar�vel, n�o existe ningu�m igual a ela...
Ele sorriu e Gina retribuiu.
- Ent�o vamos oficializar esse namoro � disse Narcisa num tom de algu�m que ensinava uma receita � Podemos apresentar sua namorada para nossos amigos esta noite... hum... voc� trouxe alguma roupa?
- N�o � respondeu Gina num tom baixo.
- Ent�o venha comigo � Narcisa atravessou a mesa e puxou Gina pelo bra�o � Tenho v�rios vestidos para hospedes, garanto que voc� vai gostar de um...
Draco percebeu o olhar desesperado que ela lan�ou a ele:
- Nos encontramos daqui a pouco! � ele gritou com bastante �nfase, e viu as duas desaparecerem.
Obviamente Draco sabia o qu� fazer agora, se vestir rapidamente e ir correndo atr�s de Gina. Ele nunca havia apresentado uma namorada antes, ele n�o confiava em seus pais. Nesse momento Draco estava mais preocupado com Gina do que com o brilho maquiav�lico nos olhos de Lucio.
- Voc� esta levando esta garota a s�rio? � perguntou num tom divertido.
- Eu gosto dela � respondeu Draco com toda a sua for�a � E acho que voc�s n�o devem se intrometer nisso.
- Eu esperava mais de voc�... � Lucio desaprovou balan�ando a cabe�a � Mulheres s�o trai�oeiras, n�o � conveniente voc� ficar cego de amor...
- Eu vou me trocar � disse Draco revoltado � E quando eu voltar � bom que ela esteja viva ainda, eu n�o quero que ningu�m fa�a mal a ela ou eu vou proteger com o meu pr�prio sangue...
- Que desnecess�rio � falou friamente � Aposto que ela n�o te defenderia com tanto entusiasmo...
Draco bateu a porta.

     **   **


Harry estava encostado na cama de Draco olhando para Tathy que estava muito interessada em algum ponto do ch�o.
- Voc� n�o quer vir se sentar comigo? � ele ofereceu gentilmente � A� deve estar muito frio e este cama � a melhor coisa que j� inventaram.
- Voc� quer que eu experimente o quanto ela � macia? � Tathy replicou.
- Eu n�o quero que voc� fique isolada � Harry disse � Parece que voc� est� com medo de mim, eu n�o vou fazer nada que voc� n�o queira, voc� devia me conhecer o suficiente para saber como eu sou.
- Eu tenho medo do que eu possa fazer � Tathy disse sinceramente.
- Ent�o, porqu� essa cara emburrada pra mim?
- Eu n�o estou braba com voc� e desculpe, mas voc� vai ter que me aceitar do jeito que eu sou...
- Voc� n�o � assim... � Harry se levantou e puxou ela � Vamos, confie em mim.
- Como voc� � persistente! � ela disse sentando ao lado dele.
- Voc� n�o acreditou em tudo o qu� eu te disse l� embaixo? � Harry perguntou desapontado.
- Eu n�o sei se voc� mesmo acreditou � Tathy deu de ombros.
- Porque voc� sempre duvida do qu� eu falo? � ele disse num tom trivial.
- Porque eu acho que voc� deve se decidir primeiro, Harry � ela disse seriamente � Voc� n�o sabe se me quer ou quer a Gina, voc� tem que escolher, e eu sei que voc� est� indeciso.
- Estar indeciso significa que eu esteja mentindo pra voc�? � Harry olhou profundamente nos olhos verdes dela, que traduziam infelicidade e amor, talvez o amor trouxesse como conseq��ncia a infelicidade.
- Eu vou anotar isso, depois eu te respondo � Tathy continuou encarando-o � Voc� est� se enganando, n�o �? � ela disse definitivamente.
- Eu estou? � perguntou vacilante.
- N�o sei... voc� est�? � replicou Tathy.
- Sei l�... porque eu estaria?
- N�o sei... � disse num tom reflexivo � Por qu� voc� estaria?
Harry sorriu, ele n�o tinha muita certeza do qu� responder.
- Voc� me odeia? � ele disse tristemente.
- � claro que n�o, eu te amo � Tathy murmurou � Mas eu n�o devia te amar...
- Por qu� voc� n�o devia? � Harry replicou frustrado.
- Porque eu sou muito complicada, eu posso te trazer problemas.
- N�O, voc� est� errada � afirmou com veem�ncia � EU posso te trazer grandes problemas... voc� tem medo de tudo que eu posso atrair para voc�? Porque infelizmente todas as pessoas que eu me envolva correm perigo, eu tenho consci�ncia disso, Voldemort pode querer me chantagear com qualquer um de voc�s.
- Voc� n�o est� entendendo � os olhos dela estavam cheios de afli��o � Eu e voc� nunca vai dar certo, Harry. Eu achei que tinha a obriga��o de te ajudar, s� que eu acabei me apaixonando, e foi uma burrice. Voc� tem que ficar longe de mim.
- Eu n�o vou ficar longe de voc� � ele exclamou num tom perplexo e teimoso � E por qu� era sua obriga��o me ajudar?
- Um dia voc� ainda vai saber e quando voc� souber voc� vai se arrepender de ter sido meu amigo. � ela disse depressiva.
- Voc� acha? � Tathy confirmou com a cabe�a � Eu acho que nada vai me separar de voc�.
- Harry, h� tantas coisas que voc� ainda tem que descobrir. Coisas que voc� nem imagina, coisas tenebrosas.
- Mas nenhuma delas vai fazer eu me arrepender de estar com voc� � afirmou Harry � Confie em mim, eu nunca vou te odiar.
Tathy olhou intensamente nos olhos dele e pensou como ela iria sofrer quando isto acabasse.
- Repete? � falou Harry.
- O qu�?
- Que voc� me ama.
- Eu te amo, mais do qu� tudo.
- Eu j� decidi � falou sinceramente � Eu quero ficar com voc�. Eu amo voc�.
- N�o fale isso... � parecia que cada palavra que Tathy falava lhe causava uma dor profunda � Eu fui ego�sta e precipitada, voc� tem que esquecer tudo que sente por mim... � ela passou a m�o delicadamente no rosto dele � Meu �nico amor, eu sou a fonte de todo o seu �dio...
Harry franziu as sobrancelhas, ele n�o estava entendendo o qu� Tathy queria dizer. Mas era alguma coisa grave, ele sabia disso e n�o estava gostando nada. Harry ficou encarando apreensivo os olhos da garota, tinha muito sofrimento l�.
Instintamente, Harry a abra�ou:
- Porqu� o qu� voc� diz � t�o indecifr�vel? � ele disse perto do ouvido dela � N�o me importa o qu� voc� fez antes de me conhecer, eu n�o quero saber!
- S� porque eu sei que � errado o qu� eu sinto, isto n�o quer dizer que eu deixei de sentir � Tathy respondeu.
- E o qu� exatamente voc� est� sentindo? � os dois ainda estavam abra�ados com as cabe�as encostadas uma no ombro do outro.
- N�o importa mais o qu� eu sinto, eu s� quero que voc� fique bem. Harry, quanto mais voc� se aproximar de mim, pior vai ser quando a gente tiver que se separar.
- A gente n�o vai precisar se separar � ele disse firmemente como se pudesse prever o futuro.
- Acredite em mim... � falou Tathy com paci�ncia � Eu n�o quero ser a sua ru�na, eu n�o quero destruir voc�. E eu posso, eu vou mesmo sem querer. Ent�o, depois que voc� destruir o talism� voc� tem que continuar sem mim, entendeu?
Harry a soltou e olhou furiosamente indignado para Tathy, enquanto ele devia sentir pena dela, ele estava brabo porque Tathy queria v�-lo longe dela.
- Eu n�o acredito e n�o entendo voc�! � exclamou com raiva � Eu duvido que voc� n�o queira ficar comigo e que tudo o qu� voc� est� dizendo seja o melhor pra voc� mesma.
- Pra mim n�o �, mas pra voc� sim � Tathy disse.
- Deixe que eu decida as coisas por mim... � Harry disse num tom revoltado � Me prova, me conven�a que voc� quer que eu desista de voc�! Fale olhando dentro dos meus olhos.
- Eu. N�o. Gosto. De. Voc�. � ela falou fortemente.
- Voc� � uma mentirosa... � Harry disse com perseveran�a � E as suas mentiras acabam prejudicando voc� mesma...
Harry estava t�o perto dela, que Tathy conseguiu sentir o movimento da boca dele. Harry estava determinado, e isto era assustador, porque mesmo sabendo que ela poderia virar para os lados e fugir, existia uma for�a maior que a impedia de fazer isto, talvez ela mesma.
Porque Tathy se sentiu t�o fraca sob o olhar de Harry, deste jeito ela n�o conseguiria mentir pra si mesma, ela estava com medo, porque sabia que n�o iria conseguir fugir e o que n�o poderia acontecer, aconteceria.
- Harry... � Tathy murmurou fracamente � N�o...
Mas tudo que aconteceu a partir dali, mostrou totalmente o contr�rio do que tinha acabado de dizer, as suas palavras foram incoerentes ao que ela fez.
Tudo o qu� Tathy havia explicado para Harry antes, e tudo aquilo de que ela tinha tentado se convencer ficou na contra-m�o. Porque Tathy estava virada na dire��o de Harry e as m�os dele seguraram a cintura dela, e ainda mantendo um olhar fixo os dois inclinaram a cabe�a. Ela estava t�o perto da boca dele, que mal podia acreditar que isto estava acontecendo, que nada naquele momento a faria desviar sua aten��o. Harry ouvia a respira��o acelerada de Tathy, mas ningu�m se importava com isso, porque cada segundo passou r�pido e devagar ao mesmo tempo, como a embriaguez da realidade, e pouco depois os l�bios de Harry encostaram os de Tathy pela primeira vez.
Beijar Harry foi mais incr�vel do que ela tinha pensado que poderia ser, porque aquilo refletiu em tudo que podia ser considerado parte dela, em seu arrepio na espinha, em suas m�os desnorteadas que ficaram irregularmente sobre as costas dele, nos l�bios dela e no �ntimo mais profundo da emo��o dela, onde moravam os sentimentos.
Harry estava na frente de Tathy, beijando-a com o entusiasmo de algu�m que n�o tinha certeza de que estava certo, e no entanto todo o seu receio foi desnecess�rio, ele sentia que Tathy gostava dele e que ela queria isso tanto quanto ele. Harry a segurou bem firme, apertando com a ponta dos dedos a cintura dela, que ele subia e descia irregularmente com suas m�os. Tathy sentia que Harry a estava segurando com uma for�a exagerada, que ele estava apertando seu corpo e lhe causava algumas dores, s� que isto n�o prevalecia comparado ao sentir o cora��o dele batendo fortemente contra ao dela, e os seus l�bios se encontrando ao mesmo tempo delicada e furiosamente.
De repente Harry foi tomado por uma onda intensa de dor que o atingiu na cicatriz, poucas vezes na vida sua cicatriz havia ardido tanto, e a dor foi se espalhando por sua mente. Ele sentiu-se fraco e perdeu completamente os sentidos.

Draco entrou no quarto, e viu Tathy desesperada segurando Harry em seus bra�os. Ela tentava faze-lo acordar balan�ando os ombros dele, por�m Harry n�o respondia a nada.
- Qu� diabos aconteceu aqui? � disse Draco olhando perplexo para Tathy.
- Eu n�o sei... � ela gaguejou com seus olhos cheios de l�grimas � Ele sentiu uma dor na cicatriz e simplesmente desmaiou... eu n�o sei o qu� fazer...
Draco surpreso viu Tathy deitar o corpo de Harry na cama, ele se aproximou:
- O Harry vai ficar bem, n�o �? � perguntou Tathy implorando.
Draco franziu as sobrancelhas:
- Eu acredito que uma tontura n�o seja eficiente a ponto de acabar com o Potter � ele observou � N�o, ele sempre escapa!
Tathy n�o soube se isto soou mais como otimismo ou como um pouco de rancor.
Eu n�o devia ter beijado ele, pensou Tathy olhando para Harry com afli��o e sentindo a culpa afundar em seu peito Eu sabia que iria causar mal a ele e mesmo assim n�o controlei meus impulsos. Harry acorde, por favor. Eu n�o vou conseguir ficar em paz se voc� n�o melhorar...
Draco e Tathy ficaram em silencio por alguns minutos, esperando para ver se Harry acordava e foi um al�vio quando isto aconteceu. Meio gemendo de dor, ele colocou sua m�o sobre a cabe�a, parecia que algu�m havia lhe dado um soco e lhe levado a nocaute.
Simultaneamente Tathy e Draco viraram assustados, encarando Harry.
- Voc�... voc� est� bem? � disse a garota hesitante.
- O qu� aconteceu? � Harry disse atordoado e sentou na cama.
- Voc� n�o se lembra de nada? � falou Tathy.
- Hum... de algumas coisas sim � Harry e ela se entreolharam envergonhados porque ele mal havia se tocado que antes de desmaiar os dois estavam se beijando � Eu sei que de repente a minha cicatriz come�ou a arder e da� eu perdi os sentidos, mas foi muito estranho.
- Realmente foi... � concordou Tathy � Harry voc� me deixou apavorada, voc� simplesmente caiu desacordado e ficou assim at� agora, eu pensei que voc� estava... � a voz dela foi morrendo e sua express�o de preocupa��o aumentando.
- Potter � Draco soou s�rio � Eu sei n�o exatamente o qu� essas coisas significam pra voc�, mas eu sei que sempre que isto acontece � por causa de Voldemort, ent�o eu acho que nada de bom est� para acontecer.
- A cicatriz � uma liga��o com Voldemort, s� que ela nunca d� alarmes falsos � Harry franziu as sobrancelhas � Voldemort pode estar aqui?
- Definitivamente n�o � disse Draco com convic��o � Meu pai prev� que ele n�o venha t�o cedo, porque ele e Rabicho ainda est�o procurando por voc� em algum lugar distante daqui, sem imaginar que o alvo est� bem debaixo do nariz de todo mundo.
- Voc� pode ter sentido a dor porque Voldemort deve ter se irritado, talvez os sentimentos dele transpareceram em voc� mais uma vez � sugeriu Tathy receosa.
- Pode ser � disse, por�m Harry sabia que foi forte demais para a dor ter sido provocada de t�o longe, ele sentia a presen�a invis�vel de Voldemort, mas n�o faria bem ficar discutindo isso, e nem sentido. Finalmente ele olhou para Draco e procurou por Gina, s� que a menina n�o estava ali. Harry levantou-se apressado � Malfoy, onde est� a Gina?
- Ela ficou com a minha m�e escolhendo o traje para a festa � respondeu alarmado pelo tom de voz de Harry.
- O qu�? � Harry gritou � Onde voc� est� com a cabe�a? Como voc� pode confiar que ela est� realmente escolhendo vestidos com a sua m�e psicopata? E se ela estiver sendo torturada por uma legi�o de Comensais da Morte?
- Ei! � reclamou Draco � Ela pode ser minha namorada, mas aqui em casa n�s n�o costumamos fazer esses rituais estranhos!
- Voc� � um irrespons�vel � Harry pegou furiosamente na gola de Draco � Eu juro que acabo com voc� se...
- Espere a�! � replicou Draco no mesmo tom se afastando de Harry e pegando a primeira roupa que apareceu na sua frente de dentro do arm�rio � Se voc� n�o deixar eu n�o posso salvar ela, se voc� ficar me segurando igual a um idiota...
- O qu�? � exclamou Harry, mas Draco j� havia batido a porta.
Ele bufou e virou indignado para a Tathy. Pouco depois Draco reapareceu com uma express�o divertida no rosto:
- � p�ssimo voc� ter que admitir... � ele sorriu maliciosamente � Mas eu sou o �nico que posso ir atr�s dela, nada mal para um irrespons�vel e arrogante, n�o � mesmo?
Draco fechou a porta com uma express�o triunfante, e Harry partiu com toda vontade de sair do quarto e procurar Gina. Por�m Tathy o deteve.
- Harry, voc� n�o pode... � ela come�ou a dizer.
- Eu sei � ele disse exasperado � Mas ele � t�o insuport�vel!
- Nesse caso... ele tem toda raz�o. O m�ximo que voc� pode fazer � sentar e torcer por ele!
- Eu odeio fazer isso � disse mal-humorado, mas Harry sentou-se em desist�ncia na cama novamente.

**   **

Hermione estava sentada no degrau da porta dos Weasleys, ela ao mesmo tempo entediada e impaciente atirava pedrinhas na grama, como uma forma de descontar a raiva que ela estava sentindo de Voldemort, daquela situa��o. E Hermione sabia que a ang�stia que ela sentia em rela��o aos sentimentos dela por Rony tamb�m tinha uma parcela de culpa em seu atual estado de humor.
Fazia algum tempo, Hermione n�o fazia no��o do quanto, de que ela estava pensativa e a noite ca�a sobre o c�u o cobrindo de preto. Rony abriu a porta:
- Eu pensei que voc� ainda estivesse no quarto � ele disse ainda com o corpo para dentro da casa, num tom inseguro.
- Voc� n�o quer vir sentar comigo? � Hermione falou docemente � Vamos l�, eu n�o vou transfigurar seu bra�o e muito menos te lan�ar o feiti�o do corpo preso e ver voc� se debater at� amanh� de manh�.
Rony sorriu:
- Voc� n�o est� braba comigo? � ele perguntou.
- N�o, eu pensei que voc� estivesse zangado porque eu sou uma garota que tira minhas pr�prias conclus�es e n�o fui legal quando eu sa� da cozinha te deixando sozinho � ela falou seriamente.
- Realmente voc� n�o estava nada simp�tica, e extremamente furiosa eu devo acrescentar... � Rony viu a express�o amea�adora dela � Mas eu n�o fiquei magoado com voc�...
- Ent�o eu acho que n�s n�o temos motivos para agir como se fossemos estranhos.
Rony sentou do lado dela:
- � tranq�ilizante saber que voc� n�o vai me transformar num sapo comedor de moscas num impulso de raiva! � Rony disse brincando.
- Seu bobo! � Hermione sorriu e deu tapinhas no ombro dele � Voc� n�o merece isso...
Hermione jogou mais uma pedrinha e olhou desanimada para o ch�o, Rony percebeu a tristeza dela.
- No qu� voc� est� pensando? � ele disse carinhosamente.
- Em ir visitar o Lupin � ela respondeu simplesmente.
- Hermione? � a express�o de Rony ficou s�ria � Voc� tem certeza?
- Tenho, eu n�o vou mais suportar ficar parada como se o Harry estivesse bem, como se a Gina e a Tathy n�o corressem perigo algum! � ela afirmava decidida � E at� o Draco est� se sacrificando, e se voc� n�o quiser vir comigo, eu vou sozinha.
- Voc� acha mesmo que voc� conseguiria chegar l� sozinha? � disse num tom meio ir�nico.
- Sem voc� vai ser mais dif�cil, eu vou demorar mais � Hermione disse � S� que de qualquer forma eu vou procurar o Lupin e ningu�m vai tirar isso da minha cabe�a...
- N�o se preocupe, eu nunca iria deixar voc� ir sozinha � disse Rony terminantemente � Por dois motivos, um: eu seria irrespons�vel se deixasse voc� sair correndo desprotegida para um lugar que talvez voc� nem conseguisse chegar. Dois: voc� n�o pode ficar se arriscando numa hora dessas.
- Porque n�o? � replicou com vigor � Qual o problema se eu decidir realmente fazer alguma coisa pelo Harry?
- Voc� � indefesa demais � disse Rony.
- Voc� acha? � Hermione indagou num tom suspeito � Voc� acha que eu n�o sei me cuidar sozinha?
- Voc� � delicada demais... e tamb�m boazinha demais... Imagine se fosse um elfo dom�stico assassino, voc� nunca desconfiaria dele, mesmo se ele te amea�asse com uma faca na m�o � argumentou Rony num tom divertido.
- N�o fale besteiras, Rony � disse Hermione sorrindo.
- Sobre o qu�?
- Sobre um elfo dom�stico assassino, isso � rid�culo! � Hermione falou decidida � Eles n�o seriam capazes de fazer mal a nem uma mosca.
- As moscas que eu comeria no in�cio da conversa se voc� me transformasse num sapo! � falou Rony � Falando s�rio, voc� nunca foi boa para se arriscar.
- Voc� acha que eu n�o seria capaz de agir assim? � falou Hermione num tom desafiador.
- Hermione voc� pode fazer o tipo durona, que sabe o qu� est� fazendo e n�o tem medo de nada � replicou Rony � S� que o qu� est� dentro de voc� � totalmente o contr�rio.
- Como o qu�? � ela disse.
- Como uma menina insegura que morre de medo de prejudicar os outros... � Rony olhou significantemente para ela � Se algu�m tinha que estar l� era mesmo o arrogante do Malfoy que se considera melhor que todo mundo, quando o orgulho lhe sobe a cabe�a. E principalmente o Harry, que tem sangue-frio e coragem para enfrentar perigos que at� grandes bruxos temeriam s� de imaginar, se o Harry foi escolhido para passar tudo isto � porque ele � a pessoa certa para enfrentar e vencer o mal.
- E a Gina e a Tathy, elas n�o t�m grandes poderes para se equivalerem a tudo isso � lembrou num tom preocupado.
- Quando a gente precisa cria for�as do inimagin�vel para superar as dificuldades, eu e voc� sabemos muito bem do qu� eu estou falando � havia certeza nos olhos de Rony e isso confortou Hermione de uma forma muito segura � N�s sabemos que nasce uma for�a que vem de dentro, que � muito verdadeira e que nos faz enfrentar tudo com ousadia.
- Como voc� acha que eles est�o agora? � disse Hermione soturna.
- Pra ser sincero, eu acho que quando tiver a��o de verdade o Harry vai trancar as duas num arm�rio e s� abrir depois que a confus�o acabar! � respondeu com ironia.
- Rony, como voc� � machista! � Hermione exclamou incr�dula.
- Pelo menos as duas v�o ficar em seguran�a � argumentou.
- A for�a cresce com o n�mero, sabia? � falou perplexa.
- N�o em todos os casos... s� se os gritinhos hist�ricos delas deixarem Voldemort tonto... �, isso � uma hip�tese!
- Ok, mas saiba que eu vou me juntar � massa feminina naquela Mans�o dos Horrores � falou Hermione num tom s�rio e decidido.
Rony n�o disse nada, apenas ficou fitando-a intrigado.
- Voc� n�o acredita em mim? � amea�ou Hermione cada vez mais desafiadora.
- Eu sempre acredito em mulheres revoltadas... � afirmou Rony � Eu j� te disse hoje o qu�o est�pido eu me senti por n�o ter me declarado antes?
- N�o, � o sorriso desapareceu na express�o de Hermione e Rony sentiu que ela ficou meio tensa � eu acho que voc� n�o deveria brincar com isso.
- Hermione, o qu� te impede de acreditar em mim? � ele se aproximou dela.
- A raz�o. � Hermione fresou � Voc� pode me achar indefesa, s� que apostar na minha ingenuidade n�o foi a melhor coisa. Voc� esperava que eu retribu�sse, como se nada tivesse acontecido antes disso. Como se o V�tor n�o existisse e...
- Eu sei que coisas acontecer�o � replicou Rony firmemente � E n�o fale do qu� voc� n�o sabe.
- Eu tenho absoluta certeza de tudo que eu estou dizendo, Rony � ela murmurou.
- Voc� n�o sabe se eu gostava de voc� � ele garantiu determinado � E h� quanto tempo eu j� n�o sentia isto por voc�.
- E como voc� explica o fato de voc� ficar babando por Fleur Delacor e depois namorar com a Padma? � teimou Hermione.
- Horm�nios adolescentes � Rony deu de ombros.
- E talvez estes mesmos horm�nios tenham feito voc� me beijar � concluiu decidida.
- N�o, quando eu te beijo s�o mais do que horm�nios. Voc� n�o percebe?
Rony pegou no queixo de Hermione e beijou os l�bios dela brevemente:
- Pare! � ela mandou angustiada.
Rony olhou desconfort�vel para ela:
- Voc� disse que eu estraguei tudo quando voc� pensou que j� tinha me esquecido � ele falou calmamente � Voc� ainda gosta de mim? Eu preciso saber.
Hermione hesitou:
- Eu n�o quero discutir esse assunto com voc� � ela disse.
- Eu n�o quero ser chato, mas tamb�m n�o quero ficar tentando adivinhar o qu� voc� est� sentindo � Rony insistiu � Por qu� voc� n�o me fala?
- Porque eu n�o sei exatamente o qu� eu estou sentindo por voc�... � Hermione desviou o olhar � Ent�o, me d� um tempo.
- Tudo bem.Tempo. � ele falou parecendo satisfeito.
- Agora, esque�a isso um pouco � disse em reflex�o desviando o assunto � Eu quero saber se voc� vai me acompanhar?
- � claro que vou � respondeu com vigor � Eu jamais te abandonaria.
- �timo, eu n�o queria ir sem voc� � admitiu aliviada.
- S� que n�o pense que eu irei fazer loucuras de sair � noite com voc� � disse � Vamos incluir o bom senso nos nossos planos desta vez, para variar.
- E a moral de indefesa n�o conta nada? � replicou Hermione.
- Muito engra�ado, ultimamente eu esque�o que voc� � a mais cuidadosa entre n�s dois.
Rony ficou em sil�ncio olhando para o ch�o, mas como uma tentativa de esconder seu rosto de Hermione.
- O qu� houve? � ela sussurrou preocupada.
- Hermione, voc� � linda! � Rony disse sinceramente � E neste momento voc� deve estar pensando que eu sou um cretino.
- N�o � Hermione afirmou, e abra�ou Rony carinhosamente, encostando a sua cabe�a no ombro dele � Eu n�o sinto nada parecido com raiva por voc�, isto eu posso garantir.
- E a noite vai ser longa, at� que o Sol possa aparecer amanh� � comentou Rony fora de �rbita.
- E se voc� deixar eu queria ficar mais um pouco olhando as estrelas com voc�? � Hermione pediu.
- Claro � Rony a beijou no rosto � O qu� ser� que eles est�o fazendo agora?
- Eu n�o sei, mas logo eu acho que n�s podemos encontra-los l�, n�o �? � falou vacilante.
- Logo... � concordou Rony, e ningu�m fez id�ia de quanto tempo mais eles ficaram abra�ados. Pareceu muito tempo at� que o sono venceu e relutantes os dois tiveram que ir dormir em seus quartos separados, com a expectativa de se reunir a Harry e aos outros, em breve.
Muitas coisas foram deixadas no ar, como a possibilidade de Hermione dizer que ama Rony, ser� que ela teria coragem suficiente pra isso? Lupin permitiria que os dois fossem atr�s de seus amigos? Porque j� tinham quatro pessoas mais Sirius correndo perigo, perto dos olhos dos Comensais da Morte, cada segundo l� era um mist�rio e uma chance a mais de fracassar.
Ningu�m sozinho seria capaz de vencer, todos se tornam indefesos se decidirem seguir por si pr�prio e enfrentar as for�as do mal, por�m o destino pode se encarregar de coloca-los numa armadilha... e somente com sua vontade ter�o de vencer porque isto � uma luta mortal.
Mais uma guerra: talvez n�o definitiva para acabar com o mal, no entanto letal se o bem for destru�do.
Todos sabem disso, � por este motivo que cada um est� se esfor�ando, para continuar a sobreviver, e apesar de tudo, Rony e Hermione t�m consci�ncia de que n�o podem abandonar a luta, eles querem ajudar Harry a destruir o talism�, a passar pelos Comensais e por Voldemort. Eles v�o... em breve.

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Cap�tulo 9 � Entre c�modos e fantasmas
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