VÍNCULOS












Textos

Quando se quer, pode-se construir outro mundo

Ausência de Religião
Torna as Pessoas Melhores?

Será Que Deus Existe?

Hierarquia e Religião

Justiça
Social

Evangelho e Anticapitalismo

Possessão Ideológica

Cristandade Sem
Religião

Igreja Tradicional
Atraso Espiritual e Charlatanismo

A Realização e a Supressão da Religião -- Uma Crítica à Crítica


Livros
Eletrônicos





Repensando o Odre
Frank Viola


Quem é Tua Cobertura?
Fank Viola


Cristianismo Pagão
Frank Viola


Homossexualidade e Práticas Matrimoniais
David McCarthy Matzko

Profetas de Israel: comunais, acratas e anticlericais
R.B.Y.Scott

Zoroastro, Buda e Cristo

Jorge Bertolaso Stella

Cristianismo e Anarquismo

Leão Tolstoy

Comunalismo Cristão
Charles E. Raven

Igreja Caseira
Jon Dee

Comunalismo
Kenneth Rexroth

Quem é Jesus?
William Barclay


«Quem nos separará de tal amor? Seguramente nenhuma aflição, nem morte, nem vida, nem anjos, nem governantes, nem presente, nem futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra coisa criada» Romanos 8:38 [Roma, ~ 57-58 A.D.] parafraseado por Charles E. Raven, citada em Comunalismo Cristão, pág. 92







Livros Eletrônicos





Repensando o Odre. Por Frank Viola. REPENSANDO O ODRE é mais um dos livros escritos por Frank Viola sobre cristianismo primitivo que o Coletivo Periferia disponibiliza em lingua portuguesa. Reconsiderando o Odre, de Frank A. Viola, é parte de uma longa e distinta série de exposições que descrevem o estilo de vida que caracterizava a igreja neotestamentária e seu efeito sobre nós no dia de hoje. Vozes como a de Frank expressam a marca da igreja neotestamentária —a igreja é um corpo, uma família e uma noiva. Na realidade, a igreja neotestamentária é relacional.



Quem é Tua Cobertura? Por Frank Viola. A palavra adelfoi, traduzida como “irmãos”, aparece 346 vezes no NT e 134 vezes só nas epístolas de Paulo. A maioria das vezes esta palavra é a forma abreviada que Paulo usa referindo-se a todos os crentes da igreja, homens e mulheres. Em contraste, a palavra anciãos aparece somente cinco vezes nas epístolas de Paulo. A palavra episcopos aparece nada mais que quatro vezes e a palavra pastores aparece apenas uma única vez! O NT enfatiza a responsabilidade coletiva. É a comunidade crente que é chamada a levar a cabo as funções pastorais. O NT enfatiza a responsabilidade da igreja como um todo. A liderança e a responsabilidade pastoral repousa sobre os ombros de cada membro da igreja, e não sobre as costas de determinada pessoa ou grupo seleto.



Cristianismo Pagão. Por Frank Viola. CRISTIANISMO PAGÃO é o terceiro dos nove livros escritos por Frank Viola sobre cristianismo primitivo. Trata-se de uma obra ricamente documentada (mais de mil notas de rodapé) que mostra como os cristãos viviam no tempo em que o Novo Testamento foi escrito e como com o passar do tempo foram contaminados por costumes pagãos. Ou seja, o cristianismo primitivo parecia mais um modo de vida do que uma religião. Se você cansou de sermões, pastores, padres, sacerdotes, e acha as igrejas deprimentes, saiba como tais coisas -- sermão, sacerdote, pastor e padre, edifício de igreja, e muitas outras -- foram copiadas de religiões pagãs oriundas das civilizações greco-romanas e egípcias.



Homossexualidade e Práticas Matrimoniais. Por David McCarthy Matzko. A cena é comum, duas mulheres e uma jovem menina. Elas podem ser mãe, filha e uma amiga, ou cunhada, mãe e filha. As possibilidades são muitas, sem nada de extraordinário em suas relações. Agora, imagine que as três voltem juntas para casa; comam, cochilem um pouco, e passem a tarde brincando e executando tarefas domésticas que deixaram para fazer durante os fins de semana. Quando a noite chega, a criança vai para o quarto dela para dormir, e as duas mulheres vão para o quarto delas, deitam-se na mesma cama, após leituras, conversas, abraços, beijos, carícias, ficam com sono e dormem. Pela manhã, as três se entregam a seus afazeres, vão para a escola e trabalham, ao anoitecer voltam para casa como todo mundo faz, no que diz respeito à criança, é bem cuidada, e sustentada por uma relação de intimidade, confiança, e cuidado mútuo.




Profetas de Israel: comunais, acratas e anticlericais. Por R.B.Y.Scott.
«A linguagem dos profetas era, muitas vezes, de tal natureza, que provocava ressentimento entre os poderosos e consciência de classe entre as vítimas da injustiça e da exploração. Isaías declara aos anciãos e príncipes que o que arrancaram dos pobres está em suas casas. Oséias denuncia a devassidão da côrte e refere-se aos sacerdotes como salteadores de estradas. Miquéias chama de canibais os governantes e de canalhas os profetas profissionais. Não é de espantar que as autoridades civis e religiosas considerassem tais palavras como perigosamente subversivas. Amós foi expulso, Jeremias foi aprisionado, acusado de traição, e ameaçado de morte. Seu contemporâneo, Urias, foi morto por ordem real, destino de que Elias havia escapado por pouco e do qual muitos dos seus colegas não escaparam. Outros mais teriam sofrido pena semelhante...». Pág. 172



A Formação do Antigo Testamento. Por Rolf Rendtorff. O objetivo desta série de «Estudos Bíblicos» é introduzir leitores, além do círculo de teólogos profissionais, na pesquisa científica do Antigo e Novo Testamentos e animá-los a continuar o próprio estudo da Bíblia. A série é constituída, principalmente de interpretações cuidadosas de textos escolhidos. A par destas publicamos a presente breve exposição da história de formação do Antigo Testamento conforme é vista pela disciplina vetero-testamentária atual. Procura mostrar que o Antigo Testamento cresceu através de uma longa história e que, no decurso desta formação, se reflete a história de Israel a qual foi entendida, por ele mesmo, como a história do agir de Deus com seu povo.



A Ressurreição de Cristo, A Nossa Ressurreição na Morte. Por Leonardo Boff. Genézio Darci Boff, catarinense de 65 anos, está afastado da Igreja. Seus livros, contrários aos dogmas da Igreja Católica por tratarem de temas polêmicos, lhe renderam o afastamento da Igreja Católica. O ex-frei Leonardo Boff pediu seu próprio desligamento da Ordem dos Franciscanos. Não foi punido e jamais deixou de viver de acordo com sua teoria. Boff é contrário à hegemonia da Igreja Católica Apostólica Romana e aposta na teoria do multicatolicismo, como a quebra da «hierarquia da Igreja» e a libertação dos povos. Para o polêmico frei Leonardo Boff, a Igreja não exerce o verdadeiro sentido intimista do cristianismo, por não permitir a reformulação de seus conceitos a partir de experiências populares. Isso seria evidenciado pela abertura às religiões africanas e indígenas, muito discriminadas no atual contexto. A sociedade entende que a umbanda esteja ligada à feitiçaria e seja semelhante à macumba e que igrejas «tribais», como Santo Daime, utilizam práticas não-ortodoxas, como cantilenas indígenas e ingestão de alucinógenos.
O principal ponto de choque entre Boff e a Igreja se resume no celibato clerical. Em várias entrevistas à imprensa nacional, Leonardo Boff admitiu ter sido fiel à castidade. Atualmente casado, Boff se dedica à pregação ecológica. Um de seus livros, o «Ecologia: Grito da Terra, Grito dos Pobres», tenta unir a religião com o ambientalismo, defende dogmas do budismo e ataca os papas que «teriam contribuído» com um genocídio dos índios.




Zoroastro, Buda e Cristo por Jorge Bertolaso Stella.
Quando digo Cristianismo, não me refiro ao dos nossos tempos, que é um Cristianismo pesado, sobrecarregado de teologia e de doutrinas, mas refiro-me ao Cristianismo do Nôvo Testamento, e de modo muito particular ao Cristianismo de Cristo, como se encontra nos Evangelhos, que, embora não registrem tudo quanto Jesus ensinou, disse e praticou (João 20:30,31; 21:25, Atos 1:1), são contudo a parte mais viva, mais espiritual e, podemos dizer, inspirada, não só de todos os livros religiosos do mundo, mas também de tôda a Bíblia.







Anarquismo e Cristianismo por Leão Tolstoy. Com os presentes ensaios de Leão Tolstoy, trazemos de volta uma velha, árdua e constante polêmica em nosso meio: Pode haver compatibilidade entre anarquismo e cristianismo? Ou será que não existe a menor base nem mesmo para estabelecer uma ponte de comunicação? Há informações suficientes para asseverar que esta comunicação, de fato, se tem dado e este pequeno trabalho, na realidade, é uma mostra inequíva do que afirmamos.







Comunalismo Cristão por Charles E. Raven. Neste livro o Dr Raven responde duas perguntas cruciais. Qual a mensagem de Jesus em sua essência permanente? Esta mensagem foi corrompida por Paulo -- ou (como Dr Raven acredita) foi conduzida por Paulo que pela sua própria experiência deu uma nova e magnífica amplitude às implicações revolucionárias de Jesus para a vida do mundo, implicações novamente urgentes pela crise espiritual da humanidade no século XX? O autor deste livro é peculiarmente corajoso em resgatar as origens do modo cristão de vida.







A Igreja Caseira por Jon Dee. Foi durante o reinado do principe Alexander Serverus, no século III, que um pedaço de terra devoluta foi escolhido por uma congregação como local para construção de um edifício. O Imperador deu a terra aos cristãos. A partir dai, edifícios públicos -- denomidados Igrejas Cristãs -- passaram a ser erguidos em partes diferentes do império, em cima de terras doadas. Os pagãos nunca tinham podido entender por que os cristãos não possuiam nem templos nem altares. O culto cristão até alí tinha sido mantido no âmbito privado. A casa privada, as catacumbas, o cemitério de seus mortos, abrigavam suas pacíficas congregações.





«No que se refere a nações, línguas ou roupas, os cristãos não se distinguem do resto do gênero humano. Porque eles não vivem em cidades próprias, nem usam um idioma diferente, nem praticam uma vida estranha. O conhecimento que adquiriram não foi proclamado pelo pensamento e pelo esforço de homens inquietos; eles não são os campeões em uma doutrina humana, como são alguns homens. Mas quando se instalam tanto nas cidades gregas como bárbaras, seguem as costumes da terra, da roupa e da comida, e em outros assuntos da vida diária, contudo a condição de cidadania que eles exibem é maravilhosa e notavelmente estranha. Vivem em seus países, mas simplesmente como viajantes. Compartilham a vida de cidadãos, e acolhem grupos de estrangeiros. Toda terra estrangeira é para eles uma pátria, e toda pátria uma terra estrangeira. Eles se casam como todo mundo faz. Fazem nascer suas crianças mas não as descartam como alguns fazem. Oferecem uma mesa comum mas não uma cama comum. Existem na carne, mas não vivem pela carne. Gastam a existência deles na terra, mas a cidadania deles está no céu. Obedecem as leis estabelecidas, mas em suas próprias vidas superam essas leis. Amam todos os homens, e por todos são perseguidos. São desconhecidos, e são condenados. São postos à morte, e ganham vida nova. São pobres, e enriquecem a muitos. Falta-lhes tudo, e tudo tem em abundância. São desonrados, e a desonra deles se torna a glória deles. São insultados, e são justificados. São abusados, e eles abençoam. São ofendidos, e respondem com honra. Fazem o bem, e são castigados como malfeitores; e no castigo deles eles se alegram como ganhassem vida nova com isso. Os judeus guerreiam contra eles como estranjeiros, e os gregos os perseguem; e por mais que eles sejam odiados não dão nenhum espaço à inimizade. Em uma palavra, assim como a alma está no corpo, os cristãos estão no mundo.  A alma se espalha por todos os membros do corpo, e os cristãos através de todas as cidades do mundo.  A alma habita no corpo, mas não é o corpo.  Os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo»   (Carta a Diognetus, 5:1-17; 6:1-4, escrita em ~ 300 A.D.).





Comunalismo
por Kenneth Rexroth. Desde que o cristianismo se tornou igreja, enquanto estrutura de poder, os doutores da Igreja vem depreciando ou negando a natureza comunal do cristianismo primitivo. Um leitor sem preconceitos, distante de toda essa controvérsia, lendo o Novo Testamento pela primeira vez, certamente formaria a impressão de que o cristianismo primitivo foi comunista e que sua «vida comunal» permaneceu firme ao longo do ministério de Paulo, e se aprofundasse sua pesquisa, concluiria que esse comunismo continuou ao longo do tempo dos pais apostólicos.





Quem é Jesus?
por William Barclay.«Por esta mesma época viveu Jesus, um sábio homem, se é que se poderia chamá-lo de homem. Porque ele foi alguém que realizou feitos muito surpreendentes e era um mestre dos que aceitavam a sua verdade alegremente. Atraiu muitos judeus e muitos gregos. Era o Messias. Quando Pilatos, depois de ouvir as acusações a Jesus, partidas de alguns dos mais poderosos homens da época, condenou-o à morte na cruz, aqueles que se encontravam entre os seus primeiros seguidores, não desistiram de sua afeição por ele. No terceiro dia, depois de sua morte, ele apareceu aos seus discípulos restaurado à vida, porque os profetas de Deus tinham profetizado estas e muitas outras maravilhas a respeito dele. A comunidade dos Cristãos, assim chamada em sua homenagem, até os dias de hoje ainda não desapareceu». Josephus, Antiguidade dos Judeus, 18.3.

«Conseqüentemente, para se livrar da culpa [de ter incendiado Roma], Nero transfere e inflinge as mais terríveis torturas a uma classe odiada por suas ações tidas como detestáveis, chamada de Cristãos, pela população. Cristo, em quem o nome teve origem, sofreu a punição extrema durante o reinado de Tibério, das mãos de um de seus procuradores -- Pôncio Pilatos -- e a mais detestável superstição, reprimida a princípio, novamente rompeu, não somente na Judéia, a primeira fonte do mal, mas mesmo em Roma». Tacitus, Os Anais, 15.44.

«Eles têm cultivado o hábito de se reunirem em certos dias fixos, antes do amanhecer, quando cantam versos alternados de hinos a Cristo e a Deus, unindo-se uns aos outros em votos de não cometerem qualquer ato de maldade, jamais praticando a fraude, roubo ou adultério, nem faltando à palavra empenhada ou negando a confiança que tenha merecido, conforme seu costume, reúnem-se para a partilha do alimento, mas de natureza comum e de qualidade inocente». Plínio (o Moço), Cartas ao Imperador Trajano, ano 96 A.D.


Outras narrativas da antigüidade

«Sabendo que desejas conhecer, passo à narrativa. Existe em nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus. Pelo povo é inculcado de grande profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado. Ó César, a cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio. Seu olhar é muito afetuoso e grave, tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios de sol, porém, ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, chora, faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belas. Na palestra contenta muitos, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela. Porém, se Vossa Majestade, ó César, deseja vê-lo, dê-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível. De letras, faz-se admirar por toda a cidade de Jerusalém, ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém, em sua presença, falando com ele, tremem e o admiram. Dizem que tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina como ensina este Jesus, muitos judeus o têm como Divino e muitos querelam, afirmando que é contra a lei de Vossa Majestade. Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz-se que este Judeu nunca fez mal a quem quer que seja, mas ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam terem dele recebido grandes benefícios e saúde, porém a sua obediência estou prontíssimo, àquilo que Vossa Majestade ordenar será cumprido. Sou, da Vossa Majestade, fidelíssimo e obrigadíssimo[...] Públius Lentulus, presidente da Judéia, Linbizione sétima, luna seconda». [Carta a Tibério César, Arquivo do Duque de Cesarini, em Roma]

«Impôs êstes tormentos refinados àqueles que por sua abominação faziam-se detestar e que o povo chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Poncio Pilatos havia livrado do suplício. Começou por agarrar aqueles que confessavam sua fé depois, sobre suas informações, uma multidão de outros, que foram acusados menos do crime do incêndio do que de ódio contra o gênero humano. Não se contentou unicamente de os ferir; fêz-se que eles fossem revestidos de pelo de animais para que eles fossem triturados pelos dentes das feras: ou eram presos nas cruzes, ou em madeira inflamada, e, quando o dia terminou, eles clareavam as trevas com as tochas. Nero havia ofertado seus jardins para o espetáculo, e deu em espetáculo ao circo, misturando-se com a população no decorrer dele. Se qualquer destes punidos eram culpados e dignos dos últimos e mais rigorosos castigos, dever-se-ia ter piedade, pois dizia-se que não era mais do interesse público, mas pela crueldade de um só homem.» Tácito, Os Anais, citado por José Jobson de Andrade Arruda, FLCHUSP, em História Antiga e Medieval, Ed. Objetivo, pág. 59.

«O Diácono Sanctus sofria com sôbre-humana força todos os suplicios que os carrascos podiam inventar. A todas as perguntas ele respondia em latim: 'Eu sou cristão!' Não se lhe pode tirar outra resposta. Isso bastou para inflamar a ira do proconsul e dos verdugos: não tendo outro castigo a sua disposição, aplicaram-lhe chapas quentes nos lugares mais sensíveis do corpo. Mas enquanto os membros assavam, a sua alma não se dobrava, e, ele persistia na sua confissão. Maturus e Sanctus sofreram de novo toda a série dos suplícios como se nada tivessem sofrido anteriormente; as chicotadas, as mordeduras das feras que os arrastavam na areia, e tudo aquilo que o capricho de uma multidão insensata reclamava aos gritos: depois, sentaram-nos na cadeira de ferro abrasado e, enquanto os seus membros queimavam, a repugnante fumaça de carne assada enchia o anfiteatro. Longe de tranquilizar -se, o furor mais se inflamava; assim mesmo a multidão queria triunfar da constância dos mártires. Entretanto não se conseguiu que Sanctus pronunciasse uma só palavra, a não ser aquela que não cessara de repetir desde o começo: 'Eu sou cristão!' Para terminar, cortou--se a garganta dos dois mártires, que ainda respiravam, Blandina, uma jovem escrava cristã, durante todo esse tempo, achava-se suspensa em um poste e exposta às feras; nenhuma fera tocou o corpo de Blandina. Tiraram-na então do poste e levaram-na para uma outra sessão. Blandina ficou para o fim. Após ter sofrido o azorrague, as feras, a cadeira de fogo, foi encerrada em uma rêde e atirada diante de um touro. Este lançou-a várias vezes ao ar com os chifres; ela parecia nada sentir, tôda entregue à sua esperança, prosseguindo o colóquio interior com Cristo. Fianalmente, degolaram-na. 'É verdade, diziam os gauleses saindo, jamais se viu em nosso país uma mulher sofrer tanto'.» Extraído de uma Carta dos Cristãos de Lião aos Cristãos da Ásia, 177 A.D., citado por José Jobson de Andrade Arruda, FLCHUSP, História Antiga e Medieval, Ed. Objetivo, pág. 61e 62.


História

As Guerras Camponesas

«Na Guerra Camponesa de 1523-1525 ( a Revolta Camponesa de Thomas Münzer) os mais radicais eram os anabatistas. Em matéria de religião eram extremamente individualistas, rejeitando qualquer sacerdócio e acreditando que Deus continuava a se comunicar diretamente com os eleitos. Do ponto de vista social, a seita anabatista era composta por camponeses empobrecidos, por aprendizes tecelões, ou seja, pelas camadas mais oprimidas da sociedade alemã. Seu principal líder era Thomas Münzer, que pregava a abolição da propriedade privada. Os camponeses e os aprendizes das cidades revoltaram-se contra o domínio da grande e pequena nobreza, dos sacerdotes e dos cidadãos ricos das cidades.

Os camponeses revoltosos queriam que lhes fossem devolvidas as terras comunais, usurpadas pelos senhores e a diminuição do tributo em espécie e em trabalho. Na Alemanha Central, o movimento tornou-se tipicamente revolucionário, com os camponeses exigindo a abolição da servidão e a posse comunitária da terra. Em toda a Alemanha eram queimados os conventos e os castelos da nobreza feudal. Em algumas regiões, as cidades auxiliaram o movimento camponês.

A falta de união e organização nas forças camponesas facilitou o seu esmagamento pela grande nobreza, aliada aos cavaleiros, aos burgueses, à igreja luterana e à igreja católica. O próprio Lutero incentivou o esmagamento dos camponeses. Mais de 100 mil foram mortos e Münzer foi decapitado». [História Geral - Antônio Pedro e Florival Cáceres - Ed.Moderna]. 

Mais sobre Thomas Münzer em

http://www.geocities.com/projetoperiferia/comunalismo3.htm


Passagens anti-hierarquia (Novo Testamento):


«Ai de vocês, que vivem estudando religião e escondem do povo a verdade...» Lucas 11:52. [Éfeso, ~ 90 A.D.]

«...Todos vocês estão no mesmo nível como irmãos... Não sejam chamados de 'Mestre'... Vocês parecem ser santos,... enquanto estão expulsando as viúvas das casas delas... Vocês vão a qualquer distancia para converter alguém, e depois fazem a mesma pessoa duas vezes mais digna do inferno do que vocês mesmos... Guias cegos!... Fingidos! ... se esquecem das coisas mais importantes – a justiça... Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. Vocês são tão cuidadosos em limpar a parte de fora da taça, mas o interior esta imundo  de exploração dos outros e de cobiça.... Limpem primeiro o interior da taça, então ela inteira ficara limpa... Vocês são como belos túmulos – cheios de ossos de homens mortos, de podridão e sujeira... vocês procuram  parecer homens santos, mas por baixo desses mantos de bondade, estão corações manchados de toda espécie de fingimento...». Mateus 23:8, 10, 14, 16, 23 – 28. [Antioquia, ~ 80 A.D.]

«Portanto Jesus os chamou e disse: 'Como vocês sabem, os reis e os homens importantes da terra dominam sobre o povo. Porém entre vocês é diferente... '» Marcos 10:42,43. [Roma, ~ 70 A.D.]


Passagens anti-hierarquia (Antigo Testamento):


«‘Escolha um rei para nós; veja que todas as outras nações têm seu rei’, disseram os chefes de Israel. Samuel não ficou contente com esse pedido de um rei, e orou ao Senhor pedindo conselho. ‘Faça o que eles pedem’, respondeu o Senhor, ‘pois é a Mim que rejeitam, e não a você – eles não querem mais que Eu seja o Rei deles.... Faça conforme eles pedem, mas também não deixe de avisar a eles, com toda seriedade o que é ter um rei!’. Assim, Samuel contou ao povo o que o Senhor tinha dito: ‘Se vocês insistem em ter um rei, ele vai convocar os seus filhos, e esses rapazes terão de correr na frente dos carros do rei; alguns serão obrigados a chefiar os soldados do rei na guerra, enquanto outros trabalharão como escravos; serão forçados a cultivar os campos do rei, e fazer as colheitas, sem receber pagamento; terão de fabricar armas para os soldados e equipamento para os carros de combate. Ele vai tomar suas filhas e obrigará essas moças a cozinharem para ele, fabricar pão e perfumes. Tomará de vocês o melhor dos seus campos e das suas plantações de uvas e de oliveiras e dará essas propriedades aos amigos dele. Tomará a décima parte das colheitas de vocês, e dará aos seus amigos prediletos[...]Vocês terão de entregar a ele a décima parte dos seus rebanhos, e serão escravos do rei. Vocês vão chorar lágrimas amargas por causa deste rei que estão exigindo, mas o Senhor não virá ajudar vocês’. Porém o povo não quis atender ao aviso de Samuel. ‘Mesmo assim, ainda queremos um rei’, eles disseram, ‘porque desejamos ser iguais às nações ao nosso redor. Ele nos governará, e nos conduzirá à guerra’. Samuel contou ao Senhor o que o povo havia dito, e o Senhor respondeu novamente: ‘Então faça conforme eles pedem, e dê a eles um rei’ ». I Sm 8:1-22. [ ~ VI A.C.]

«Oh Israel! Vocês produziram a sua própria desgraça!. Só Eu poderia salvá-los! Onde está o seu rei? Por que não pedem ajuda a ele? Onde estão as autoridades do país? Vocês pediram um rei e príncipes! Agora, eles que tratem de salvá-los». Oséas 13:9,10; «... os Sacerdotes formam turmas de assassinos na estrada de Siquém...» Oséas 6:9; «o povo de Israel ficará muito tempo sem um rei ou um príncipe, sem altar, sem templo, sem sacerdotes e sem ídolos» Oséas 3:4; «ouçam isto, sacerdotes e líderes de Israel! Escutem, membros da família real! Vocês estão condenados porque enganaram o povo...» Oséas 5:1;

«... sua religião não passa de um monte de leis feitas por homens, que aprenderam de tanto repetir» Isaías 29:15;

«Vão desaparecer os soldados, os juízes, os profetas verdadeiros e os falsos, e os velhos cidadãos; os oficiais do exército, os comerciantes, os advogados, os mágicos e os feiticeiros. Os reis de Israel serão como crianças - suas leis e suas ordens serão tolices de criança.» Isaías 3:2-4;

«Não há nada que Eu odeie tanto quanto uma religião fingida» Isaías 2:13;

«Acabem com esse barulho de suas canções; eles são um barulho que incomoda meus ouvidos. Não ouvirei suas músicas, por mais belas que sejam. O que Eu quero é a justiça correndo como um rio. Quero ver uma correnteza de justiça e retidão». Amós 5:23, 24. [~ Século VIII A.C.]


Passagens anti-capitalismo (Novo Testamento):


«...eram um só na mente e no coração, e ninguém pensava que aquilo que possuía era seu próprio; todo mundo estava repartindo o que tinha...» Atos 4:32;

«Todos os crentes se reuniam constantemente e repartiam tudo uns com os outros, vendendo suas propriedades e dividindo com os que tinham necessidade. Regularmente eles adoravam juntos no templo todos os dias, reuniam-se em grupos pequenos nas casas para a Comunhão, e participavam das suas refeições com grande alegria e gratidão, louvando a Deus. A cidade inteira tinha simpatia por eles, e cada dia o próprio Senhor acrescentava à igreja todos os que estavam sendo salvos». Atos 2.44-47;

«Não se preocupem por terem ou não bastante comida para comer ou roupas para vestir. Porque a vida é muito mais do que apenas comida ou roupa. Olhem para os corvos - eles não plantam, não colhem, nem têm depósitos para guardar seu alimento, e ainda assim passam bem - pois Deus cuida deles. E vocês valem muito mais para Deus que uma ave! Além disso, qual é a vantagem de preocupar-se? Que bem faz? Isso aumentará, em um dia só que seja, a vida de vocês? Claro que não! E se a preocupação não pode nem mesmo fazer coisas tão pequenas, qual é a vantagem de preocupar-se por coisas maiores? Olhem para os lírios! Eles não trabalham nem tecem, e Salomão em toda sua glória não se vestiu tão bem como eles. E se Deus dá esta roupagem para as flores que hoje estão aqui e amanhã desaparecerão, vocês não acham que Ele proverá roupa para vocês, seus incrédulos? E não se preocupem com o que comer e o que beber; não se preocupem com nada, porque Deus proverá tudo para vocês. A humanidade cansa-se por causa da comida de cada dia, mas o Pai celeste conhece as necessidades de todos. Ele sempre dará tudo o que vocês precisam dia a dia, se procurarem em primeiro lugar ser fiéis ao Reino de Deus (...) Vendam o que têm e dêem aos que estão em necessidade. Isto aumentará seus tesouros no céu, onde não há ladrão para roubar, nem traça para destruir. Onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração e ainda seus pensamentos.» Lucas 12:23-34, [Éfeso, ~ 90 A.D.]

«Pois escutem! Ouçam os clamores dos trabalhadores que voces enganaram no pagamento. Os clamores deles chegaram até os ouvidos do Senhor dos Exércitos. Vocês engordaram seus anos aqui na terra divertindo-se, satisfazendo todos os seus caprichos, e agora seus corações engordados estão prontos para a matança. Vocês condenaram e mataram homens bons que não tinham nenhuma força para se defenderem contra vocês.» Tiago 5:4-6


Passagens anti-governo (AT):


«'Escolha um rei para nós; veja que todas as nações têm seu rei', disseram os chefes de Israel. Samuel não ficou contente com esse pedido de um rei... Se vocês insistem em ter um rei, ele vai convocar os seus filhos, e esses rapazes terão de correr na frente dos carros do rei, alguns serão obrigados a chefiar soldados do rei na guerra, enquanto outros trabalharão como escravos; serão forçados a cultivar os campos do rei, e fazer colheitas, sem receber pagamento; terão de fabricar armas para os soldados e equipamento para os carros de combate. Ele vai tomar suas filhas obrigará essas moças a cozinharem para ele, fabricar pão e perfumes. Tomará de vocês o melhor de seus campos e das suas plantações de uvas e de oliveiras e dará essas propriedades aos amigos deles. Tomará a décima parte das colheitas de vocês, e dará aos seus amigos prediletos... Vocês vão chorar lágrimas amargas por causa deste rei que estão exigindo... Porém o povo não quis atender o aviso de Samuel. 'Mesmo assim, ainda queremos um rei', eles disseram, 'porque desejamos ser iguais às nações ao nosso redor...'»  I Samuel 8:5-6, 11-15, 18-19. [~ Século VI A.C.]

«Os primeiros a ser castigados serão os velhos e os príncipes, que exploraram o povo. Encheram os bolsos com o que roubaram de gente pobre e humilde» Isaías 3:14; «A minha justiça será o prumo e a régua com que Eu medirei o muro que vocês construíram: ele parece bom, mas será derrubado por uma chuva de pedras» (Isaías 29:17); «O rei se alegra com a maldade dos habitantes de seu país, e os príncipes riem das mentiras que eles contam» Oséias 7:3; «Os líderes de Judá se tornaram ladrões da pior espécie...» (Oséas 5:10); «...O governador e o juiz exigem gratificações 'por fora'. A pessoa rica paga o que eles pedem e diz a quem devem condenar. A justiça é torcida nos planos que fazem. O melhor destes homens fere como se fosse um espinho. O mais correto é tão torto quanto uma cerca de espinheiros!...» Miquéias 7:3,4 [~ Século VIII A.C.]


Passagens anti-bélicas (AT):


«Todas as armas das nações serão transformadas em ferramentas úteis, pás, arados, e enxadas. Nunca mais se falará de guerra, não haverá mais quartéis ou escolas militares» Isaías 2:4;

«... Os homens derreterão suas espadas e farão arados, das suas lanças farão podadeiras. As nações não lutarão mais entre si, porque as guerras acabarão. Haverá paz universal e todas as escolas militares e quartéis serão fechados. Todos viverão tranqüilamente em suas próprias casas, em paz e prosperidade porque não haverá nada a temer.» (Miquéias 4:3,4). [~ Século VIII A.C.*]

* fonte de pesquisa: «Como nos veio a Bíblia», Edgar J. Goodspeed, 1968, Imprensa Metodista



Existem anarquistas cristãos?

Sim, existem. A maior parte dos anarquistas se opõem tanto à religião como à idéia de Deus como uma invenção anti-humana e uma justificação para o autoritarismo e escravidão, porém, muitos crentes em religião tem pautado suas idéias em conclusões anarquistas. Como todos anarquistas, esses religiosos anarquistas combinam a oposição ao Estado com uma oposição crítica à propriedade privada e à desigualdade. Em outras palavras, o anarquismo não é necessariamente ateísta. Segundo Jacques Ellul, «de acordo com os pensadores cristãos, o pensamento bíblico conduz diretamente ao anarquismo, a única posição 'política anti-política'» . [citado por Peter Marshall, Demanding the Impossible, p. 75]. Existem variados tipos de anarquismo inspirados por idéias religiosas. Conforme Peter Marshall relata, a «primeira  expressão clara de uma sensibilidade anarquista pode ser encontrada nos taoístas da velha China por volta do sexto século AC» e no «Budismo, particularmente em sua forma Zen, ... teve... um forte espírito libertário.» [Op. Cit., p. 53, p. 65] Alguns combinam idéias anarquistas com influências pagãs e espiritualistas. Contudo, o anarquismo religioso atualmente tomou a forma de anarquismo cristão, no qual vamos nos concentrar aqui.  
 
  Os cristãos anarquistas levam muito a sério as palavras de Jesus a seus seguidores de que «os reis e os homens importantes da terra dominam sobre o povo. Porém entre vocês é diferente» (Marcos 10:42,43). De forma similar, o dístico de Paulo de que «não há nenhuma autoridade exceto Deus» é obviamente associado à autoridade estatal sobre a sociedade. Isto significa, para um verdadeiro cristão, que o Estado além de usurpar a autoridade de Deus tira de cada indivíduo a chance de se governar a si mesmo e de descobrir que (conforme o título do famoso livro de Tolstoy) o Reino de Deus está dentro dele. 

De forma similar, a pobreza voluntária de Jesus, seus comentários sobre os efeitos corruptores da riqueza e o clamor bíblico de que o mundo foi criado para a humanidade viver em comunhão, tem tudo a ver com a base da crítica socialista à propriedade privada e ao capitalismo. Somando-se a isto, a primitiva igreja cristã (que poderia ser considerada como um movimento de libertação de escravos, embora mais tarde tenha sido cooptada como religião de Estado) baseava-se na comunística divisão dos bens materiais, um tema que continuamente aparece em movimentos radicais cristãos (suspeita-se que a Bíblia teria sido usada para expressar as aspirações radicais libertárias dos oprimidos, e que, com o tempo, foi tomando a forma da terminologia anarquista e marxista). Veja o comentário de John Ball durante a Revolta Camponesa em 1381 na Inglaterra: 

«When Adam delved and Eve span, 
Who was then a gentleman?»

A historia do anarquismo cristão inclui a Heresia do Espírito Livre na Idade Média, quando muitos se levantaram em revolta como os Anabatistas no século XVI. Depois disto, a tradição libertária dentro da cristandade surge novamente nos escritos de William Blake no século XVIII e depois na obra do americano Adam Ballou produzida em 1854: Practical Christian Socialism, plena de conclusões anarquistas. Contudo, o anarquismo cristão só se tornou claramente reconhecido no movimento anarquista com a obra do famoso escritor russo Leon Tolstoy. 

Tolstoy levou a sério a mensagem da Bíblia e considerou que o verdadeiro cristão precisa se opor ao Estado. Com esta leitura da Bíblia, Tolstoy chegou a conclusões anarquistas:  «governar significa usar a força, e usar a força significa fazer para os outros o que certamente não gostaríamos que fosse feito para nós. Consequentemente, governar significa fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros fizessem para nós, isto é, fazer o mal.» [The Kingdom of God is Within You, p. 242]. Um verdadeiro cristão deve ser avesso a governar os outros. A partir dessa posição anti-estatista ele naturalmente passou a defender uma sociedade auto-organizada: «Porque pensar que pessoas comuns não são capazes de auto-organizar suas vidas, e que governantes o farão não em proveito próprio mas em proveito dos outros?» [The Anarchist Reader, p. 306]. Tolstoy proclamava ação não-violenta contra a opressão, e via a transformação espiritual dos indivíduos como a chave para a criação de uma sociedade anarquista. Conforme Max Nettlau argumentava, a «grande verdade expressa por Tolstoy é que o reconhecimento do poder do bem, da bondade, da solidariedade - e de tudo que se chama amor - está dentro de nós mesmos, e que isto pode e precisa brotar, desenvolver-se e exercitar-se em nossa própria existência.»  [A Short History of Anarchism, pp. 251-2]. Como todos os anarquistas, Tolstoy criticava a propriedade privada e o capitalismo. Da mesma forma que Henry George (cujas idéias, tanto quanto as de Proudhon, tiveram um forte impacto sobre ele) ele se opunha à propriedade da terra, argüindo que «não há nada que justifique a propriedade da terra, e sua conseqüente valorização, as pessoas não foram criadas para viver em espaços restritos mas para ocupar a terra livre tão abundante no mundo». Contudo, «nesta luta [pela propriedade da terra] não são aqueles que trabalham na terra, mas aqueles que participam em um governo violento que saem ganhando.» [Op. Cit., p. 307] Segundo Tolstoy os direitos de propriedade de qualquer meio de produção requer a violência do Estado para protegê-lo (a possessão é «sempre protegida pelos costumes, opinião pública, pelo senso de justiça e reciprocidade, e nunca precisa ser protegida pela violência.» [Ibid.]). Acrescentando, ele argumenta que: 

«Dezenas de milhares de acres de terras cobertas por florestas pertencem a um único proprietário - enquanto que milhares de pessoas... precisam ser contidas pela violência. Criam-se fábricas e ofícios onde muitas gerações de trabalhadores são fraudadas. Uma situação onde centenas de milhares de sacas de grãos, pertencentes a um só dono, aguardam os tempos de fome para serem vendidas pelo triplo do preço.» [Ibid.] 

Tolstoy argumenta que o capitalismo conduz o indivíduo à ruína moral e física, e que capitalistas são «condutores de escravos.» Ele considera impossível para um verdadeiro Cristão ser um capitalista, pois o «patrão é um homem cujo ganho consiste na supressão de valores pertencentes a trabalhadores cuja ocupação principal baseia-se em trabalhos forçados, contra a natureza humana»  portanto, «ele [patrão] arruina vidas humanas em proveito próprio.» [The Kingdom Of God is Within You, p. 338, p. 339] Tolstoy qualifica as cooperativas como «atividade social onde a moral e o auto-respeito faz com que as pessoas queiram ficar bem distantes da violência». [citado por Peter Marshall, Op. Cit., p. 378]. A partir de sua oposição à violência, Tolstoy rejeita tanto o Estado como a propriedade privada e defende táticas pacifistas para dar um fim à violência dentro da sociedade e gerar uma sociedade justa. Nas palavras de Nettlau, ele «defendeu a . . . resistência ao mal; e a essa forma de resistência - pela força ativa - ele acrescentou outro caminho: a resistência pela desobediência, a força passiva.» [Op. Cit., p. 251] Em suas idéias sobre uma sociedade livre, Tolstoy foi claramente influenciado pela vida rural russa e pelas obras de Peter Kropotkin (como Fields, Factories and Workshops), de J. P. Proudhon e do não anarquista Henry George. 

As idéias de Tolstoy tiveram uma forte influência em Gandhi, que inspirou muita gente em seu país ao uso da resistência não-violenta para acabar com o domínio britânico da Índia. Aparentemente, a visão de Gandhi de uma Índia livre enquanto uma federação de comunas é similar à visão anarquista de Tolstoy de uma sociedade livre (embora tenhamos clareza de que Gandhi não foi um anarquista). O Catholic Worker Group nos Estados Unidos foi também fortemente influenciado por Tolstoy (e Proudhon), assim como por Dorothy Day, uma destacada anarquista e pacifista Cristã fundadora do jornal Catholic Worker em 1933. A influência de Tolstoy e do anarquismo religioso em geral pode também ser encontrado nos movimentos ligados à Teologia da Libertação nos países latinos e na América do Sul que combinam idéias cristãs com ativismo social em meio às classes trabalhadoras e marginalizados (embora não haja dúvida que a Teologia da Libertação em geral inspira-se mais em um Estado socialista do que em idéias anarquistas). 

Em países onde a Igreja controla de fato o poder político, como a Irlanda, partes da América do Sul, e Espanha, que exerceu grande influência em todo século XIX e no começo do século XX, os anarquistas foram fortemente anti-religiosos porque a Igreja tinha o poder de reprimir a dissidência e a luta de classes. Tanto que, quase todos anarquistas eram ateístas (e concordavam com Bakunin que se Deus existisse seria necessário, para a liberdade e dignidade humana, aboli-lo), existe uma tradição minoritária dentro do anarquismo que desvincula conclusões anarquistas da religião. Nesta mesma direção, muitos anarquistas sociais consideram o pacifismo tolstoyano como dogmático e extremo, vendo a necessidade (algumas vezes) do uso da violência para resistir a um grande mal. Contudo, muitos anarquistas concordam com os tolstoyanos no que se refere à necessidade de uma transformação dos valores individuais como o aspecto chave para a criação de uma sociedade anarquista, e da importância da não-violência enquanto tática geral (embora, convenhamos, seja raro o anarquista que rejeite totalmente o uso da violência na autodefesa, quando não restar outra alternativa). 

o texto acima foi extraído de




Endereços em Inglês

Tradição Anabatista, huterita, menonita, amish

http://www.hutterianbrethren.com/

Anabaptist www Site
Biblical Viewpoints - An Anabaptist-Mennonite Site
Menno-Link
Mennonite Church USA
Mennonite.net
Third Way Cafe

Tradição Quaker

A Quaker Understanding of Jesus Christ

House Church -- Igreja Caseira

Back to the Beginning


See Sharp Press


Anarchism and Religion por Nicolas Walter


Anarchists
Are there religious anarchists?





casa




[email protected].com 1