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<NY - MUSEUM AND PERFORMANCE NOW > A temporada de exposições na primavera nova iorquina tem contemplado e ampliado cada vez mais o espaco para o desenvolvimento de ações performáticas que cruzam arte & tecnologia. Dois dos seus mais importantes museus - o New Museum e o Whitney vêm apresentando sistematicamente um conjunto expressivo de procedimentos desta natureza. > O New Museum, por exemplo, reserva toda a área de seu "basement", de março a julho deste ano, para uma extensa programação que inclui eventos, projeções e sites a serem visitados. Nomeado de MEDIA Z LOUNGE, esse espaço ja apresentou em março, WAVEFORM - um trabalho de David GalBraith (1965) e Teresa Seemann (1965)e que contou com a colaboração de uma série de outros artistas das mais diversas áreas - DJs, bandas experimentais, artistas visuais e performes tais como: Twinkly Girls, Marina Rosenfeld, Megumi Nakai, Malcom Jamieson, entre outros, alem de técnicos e engenheiros, todos contribuindo para a realizacao de um web-evento que culminou com a apresentacao da Performance THE EXPERIMENTAL MAKEUP. > Em maio foi a vez da Performance DIGITAL CULTURE EVENING - SONTEXT com a pianista clássica e tambem artista visual, Debora Warner (1971) e o sound designer Steve Hamilton (1962) num intenso exercício que explorava as qualidades físicas do meio por onde circulava o som. > Também em maio, um outro evento, TROMPE L'OEIL FICTITIOUS INTERNET SITES apresentou sites de Victoria Vesna - Bodies INCorporeted; ANTI-CAPITALIST OPERANTING de Andy Cox e AIRWORLD de Jennifer e Kevin McCoy. > Ainda no New Museum, até julho de 2001, pode-se assistir STATES OF MIND do artista inglês Graham Gussin (1960) que apresenta duas videos-instalações - FALL (7,2000-1), (1996-2000) e BEGINING AND ENDING AT THE SAME TIME (HORIZONTAL MOVIE), ambas tratando de espaco real e espaço de simulação a partir da utilização de tecnologias digitais. > De junho a setembro, o artista sul- africano William Kentridge que na X Documenta de Kassel ja foi alvo de muitos interesses, ocupa todo o espaço do New Museum, apresentando filmes que combinam animação de desenhos e pinturas e documentações de performances desde 1989 até o presente momento. > Mas é o Whitney Museum, sem dúvida alguma, a instituição que vem contemplando de forma mais abrangente a cibercultura nesta primavera. No seu "lower level" já podemos deparar com o DATA DINAMICS, que sobe e atravessa o primeiro andar, apresentando uma serie de trabalhos onde o espectador pode navegar e interagir de forma plena, como vem acontecendo em NETOMAT (www.netomat.net) de Maciej Wisniewski. Dois computadores utilizados por pessoas que transitam pela exposicao, que digitam palavras, temas, nomes, vão criando, na superfície das paredes do museu, um fluxo informacional que percorre as mais distintas áreas. Em alguns momentos pode-se passar por ali e visualizar informações sobre INFÂNCIA cruzando com JET LAG; outras vezes, diálogos interessantes se formam na parede: THIRD HAND e AMERICAN STANDARD; STERLAC e Bodies INCorporeted. (Interessante mesmo, é ver como as pessoas reagem a essa possibilidade de interação e, como em alguns momentos você pode estar ali visualizando DA VINCI e ver surgir na tela, HI, depois, ARE YOU HERE? As pessoas começam a travar um dialogo entre si, combinando com informações que vão de desenhos animados a pintores renascentistas). > Ainda neste primeiro andar, você pode cruzar com o robô KIRU, uma criatura que Adrianne Wortzel levou para viver no espaco do museu e interagir com seus visitantes. > No segundo andar, deparamos com o BITSTREAMS: é uma parada obrigatoria nas "sound performances" pois nos possibilita entrar em contato com as mais diversas formas de se fazer música, agora. Um corredor com uma parede inclinada, forrada de espuma e 25 fones de ouvido de um lado, e a instalacao de 25 pares de lâmpadas fluorescentes que acendem e apagam sem cessar, do outro lado, convidam o visitante a se recostar e fruir de uma escuta extremamente diferenciada, através de uma série de exercícios sonoros experimentais, contando com a participacao de veteranos - como Yasunao Tone (1935) que, nos anos 60, participou ativamente do FLUXUS - a jovens integrantes do grupo DISC. > Respingos futuristas do manifesto THE ART OF THE NOISE (1931) de Luigi Russolo, assim como os princípios da "chance cageana", seguido da "musique concrete" de Pierre Schaeffer e manifestações dos anos 70 como a do grupo alemao de musica eletrônica KRAFTWERK e proposições do GrandMaster Flash com seus "turntables techniques" sao evidentes a cada fone que se experimenta. Sao composições oriundas da justaposicao de conversas telefônicas como apresenta V. Michael (1968) em AGE BREAKER, criada a partir de gravacoes entre um casal de namorados (ele, um rapaz ciumento, ela, uma garota cheia de explicações) e dois policiais discutindo um plano de trabalho. Ou então, como apresenta Brandon La BELLLE (1969) em TOPOPHONY OF THE TEXT, onde o artista utiliza algumas das inúmeras possibilidades harmônicas da linguagem , recitando apenas vogais de trechos do ensaio, O PRAZER DO TEXTO de Roland Barthes, em lugares públicos diversos, captando ruídos que vão de sirenes a tráfego de carros, trens, conversas entre pessoas e choro de alguma crianca. > Essas "assemblages" musicais se intensificam com Andrea Parkins (1959) em FREAK CLOUD IDIOM, uma composição de aproximadamente 7 minutos, onde o som de um piano, um órgão eletrônico e voz humana sao distorcidos, criando uma estranha estrutura harmônica. Gregory Whitehead nos coloca diante da possibilidade eminente, dentro deste vasto mar de informações que se dobram, se justapõem e se recriam continuamente, de nos depararmos também com as inúmeras falhas de comunicação, através de MISTER WHITEHEAD, ARE YOU THERE? - composição onde se cruzam textos lidos por alguém, sons de alguns instrumentos musicais e entrevistas entre pessoas diversas, criando uma ruidosa colagem sonora. > Yasunao Tone (1935) apresenta seu CD Prepared - explícita técnica que parodia o piano preparado de John Cage, através da criação de WOUNDED MAN'YO 2/2000. Jim O'Rourke (1969) busca em STRING QUARTET IN FOUR PARTS, composta em 1950, também por Cage, possibilidades de novas estruturas musicais, criando a partir de dobramentos e interrupções, um verdadeiro "slow sound". > O Whitney ainda estendeu sua temporada de performance em outro espaço - o Whitney at Philip Morris, onde então foi possível conferir, de março a maio, o evento PULSE - A FESTIVAL OF DIGITALLY INSPIRED PERFORMANCE que apresentou The Builders Association com XTRAVAGANZA, Marina Rosenfeld e THE SHEER FROST ORCHESTRA, Yasunao Tone e Stephen Vitiello com SURFACE NOISE e Koosil-Ja Hwang/Dance Kumikokimoto com THE ANATHOMY OF HAPPYNESS. Koosil- Ja, artista que faz do corpo suporte e matéria de sua obra, além de ser uma criadora de sons inigualáveis. Vinda de Osaka, Japão, aterrisou nos anos 80 em New York para estudar dança com Merce Cunningham e de lá para cá vem trabalhando em importantes montagens como THE NORTH ATLANTIC do Wooster Group e, agora, PHEDRE - que de 1 de junho a 1 de julho de 2001 poderá ser conferida no The Performing Garage, sede do Wooster, na rua de mesmo nome, número 33, em pleno Soho. > Yasunao Tone, Stephen Vitiello e Marina Rosenfeld apresentam nesta extensão do Whitney, "live performances" das composições que podem ser ouvidas entre as 25 gravações incluídas na sessão do "sound BitStreams" citado anteriormente. Yasunao Tone, mostra então seu "The Prepared CD", em uma apresentação ao vivo: um trabalho que utiliza inúmeros CDs e, como já foi citado, é uma paródia ao "prepared piano" de Cage. Marina Rosenfeld, que teve uma participação na ultima edição do Ars Electronica em Linz, Áustria, juntamente com uma orquestra de 17 mulheres tocando guitarras acopladas a laptops, apresenta, no período de aproximadamente 1 hora, manipulações e distorções de sons emitidos por ativações de vidros de esmalte nas cordas das guitarras. Já Stephen Vitiello, com PHOCELL MIX And ROOM TONE, uma "site specific composition", apresenta a mais completa interação entre som, espaço e tempo. Usando também processos digitais, Vitiello manipula sons criando verdadeiros "environments" sonoros. > Vitiello também pode ser visto em dois outros espaços de grande importância aqui em New York - P.S.1 Contemporary Art Center em Long Island City, (um espaco alternativo que desde 1971 se firma como um dos grandes focos de discussao de cultura e arte contemporânea e que, nesta temporada de primavera-verão, apresenta a primeira retrospectiva de Luigi Ontani, performer de grande relevancia no panorama dos anos 60-70) e, The Project, desconhecido por muitos, em pleno coração do Harlem. > REGINA MELIM > HARLEM > SPRING 2001. |