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| Fig. 11. Foto de um holograma interferométrico de um alto-falante vibrando. As mudanças de posição de sua superfície foram traduzidas em franjas de interferência, claras e escuras. Toda vez que a amplitude do movimento igualou ou se aproximou de meio comprimento de onda luminosa, apareceu uma nova franja. Observe-se a distribuição verticalmente assimétrica do modo de vibração, provocada pelo peso dos pinos de contato. Nenhuma outra técnica é capaz de realizar este levantamento, pois a superfície estudada é feita de material brando e a presença de qualquer sensor alteraria os resultados. Mudanças de posição de superfícies ou pontos onde se concentram deformações (pontos de defeito) em peças de todos os tipos também podem ser registrados sob a forma de franjas, o que possui grande utilidade para a engenharia. |
| Podemos obter assim registros precisos de quaisquer deslocamentos,
deformações e vibrações em grandes e pequenas
dimensões, o que já tornou habitual o uso dessa técnica
em teses de engenharia, particularmente no caso de materiais laminados
e nas peças que funcionam por rotação. Uma variação
interessante é dada pela holografia interferométrica simultânea,
que permite a observação de inúmeras figuras de interferência
com um único processo de exposição e revelação.
Com um pouco de imaginação, descobre-se novos usos. O próprio E. Leith criou um radar de abertura sintética, onde um pulso de microondas enviado desde um avião é recebido de volta por ele mesmo, gerando, por interferência com um feixe do mesmo emissor, um sinal que, convertido em luz, impressiona um filme fotográfico. A observação, feita através de técnicas de óptica coerente, fornece a mais nítida imagem de fotografia aérea que existe, com a peculiaridade de que os objetos em movimento aparecem deslocados: um carro andando, por exemplo, terá na imagem um deslocamento transversal proporcional à sua velocidade, parecendo afastado de seu caminho verdadeiro. Toda a Amazônia brasileira foi "fotografada" desta maneira, incluindo regiões onde a nebulosidade é permanente. Também na cristalografia há grandes esperanças de aplicação, pois o desenvolvimento de um "laser" de raios-X tornaria possível uma radiografia holográfica, capaz de retratar com grande fidelidade e em três dimensões as estruturas internas das moléculas. Já está sendo desenvolvida atualmente a "holografia nuclear", para uso na medicina. A radiação nuclear de um objeto ativado por meios radioativos projeta no filme fotográfico a sombra de uma máscara com estrutura de "placa zonal de Fresnel", anéis concêntricos cujos raios estão na proporção da raiz quadrada de seu número de ordem, contados desde o centro. Como vimos, esta é a figura característica da representação de um ponto no holograma. A posição lateral de cada ponto irradiante define diretamente a posição lateral da placa zonal de Fresnel que lhe vai corresponder no registro fotográfico, enquanto a distância longitudinal (profundidade) determina sua proporção. O registro fotográfico dá uma figura de zonas de Fresnel que é iluminada exatamente como um holograma e oferece uma imagem tridimensional, embora, no atual estágio da técnica, de baixa resolução. Os hologramas podem agir também como lentes focalizadoras, de fácil reprodução e alinhamento, e são utilizados na forma de discos varredores para laser nas máquinas leitoras e impressoras. Possuem ainda grande interesse como coletores solares, porque podem permitir não só o acompanhamento passivo do movimento do sol, mas também a separação espectral da luz para sua mais perfeita conversão fotovoltaica. Haveria muitos outros exemplos a dar sobre as aplicações
da holografia, bastando por enquanto lembrar que, na física, ela
foi usada em experiências recentes para mostrar a não existência
da quantização no magnetismo e, na astronomia, para identificar
estrelas duplas, demostrando-se capaz de superar completamente as distorções
geradas pela atmosfera, através da técnica de speckle (radiação
espalhada na forma de granulado óptico). A viagem de uma frente
de onda luminosa já pode ser registrada num único holograma,
que mostra uma cena de cinema holográfico onde ela é observada
viajando como uma onda na superfície da água, com nitidez
de milímetros e precisão temporal de 10-11s.
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