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A holografia é desenvolvida no mundo inteiro por um número crescente de pessoas como técnica de expressão visual, mas a maioria dos artistas nela envolvidos envia seus modelos para serem holografados em laboratórios especializados em óptica, devido à sofisticada aparelhagem necessária. É possível, porém, fazer experiências holográficas em pequena escala por um custo bem menor do que se imagina. Os elementos indispensáveis de origem estrangeira são o próprio filme e um laser de hélio-neônio de 0,5 -5mW de potência, cujo custo é comparável ao de um equipamento fotográfico de boa qualidade. A técnica utilizada nestes casos é a dos hologramas espessos, devido à simplicidade de sua montagem. Os requerimentos de estabilidade absoluta limitam a tomada a objetos rígidos, podendo-se compor com eles cenas de grande criatividade. Alguns aficionados já têm feito isso em São Paulo, e são unânimes em dizer que a holografia leva a incursionar na ciência e no laser com grande emoção. O Autor realizou, em junho de 1983, o primeiro holograma para reconstrução com luz branca feito no país, obtido por meio de uma montagem simplificada para hologramas espectrais. Alguns exemplos se encontram na UNICAMP, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, no Instituto de Física da USP (tanto na capital quanto no campus de São Carlos), no Instituto de Física da Universidade Federal de Santa Catarina e na exposição de holografia do Museu do Cinema da cidade de Frankfurt (Alemanha). Atualmente, o Autor pesquisa as condições necessárias para que a fotografia de um holograma também possa apresentar um efeito anaglífico. Na UNICAMP, as pesquisas começaram em 1976 e as primeiras aplicações foram as da holografia interferométrica em testes de vibração, deformações em peças mecânicas e absorção de umidade por sementes. O grupo de óptica do Instituto de Física utiliza hoje a holografia como uma de suas principais ferramentas, estudando os materiais fotossensíveis, a fabricação de grades de difração e de elementos ópticos holográficos, além da aplicação na metrologia de precisão para testes de engenharia civil e eletrônica. Produz também hologramas para observação com luz branca e filmes didáticos. O equipamento para testes holográficos é bem complexo. Lasers gasosos de grande potência são usados para iluminar áreas de até um metro quadrado; espelhos e lentes de altíssima qualidade óptica constituem um sistema cujo posicionamento é rigoroso. Equipamentos para fotometria, isolamento de vibrações, excitação por vibrações, processamentos fotográficos especiais, placas e filmes diversos, medição de posições de feixes e localização de franjas -- tudo isso constitui o conjunto de elementos importantes para um trabalho profissional e aplicado com holografia. O pessoal especializado da UNICAMP ministrou cursos de
óptica moderna, incluindo a holografia, em dezembro de 1974, um
julho de 1982 (durante a 34a Reunião Anual da SBPC) e,
como parte dos cursos de graduação e pós-graduação,
a partir de 1977. Durante a citada reunião da SBPC, foi montada
também a exposição "Princípios da holografia",
com experiências demonstrativas sobre tridimensionalidade, interferência,
difração e construção de hologramas simples.
Foi, possivelmente, uma experiência inédita em todo o mundo,
repetida um ano depois.
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| Mas seria muito pouco esperar
da holografia apenas um conjunto de aplicações técnicas.
O conhecimento aprofundado da óptica abre também novos horizontes para as artes visuais, o que não é nada desprezível se lembrarmos que já houve época em que ciência e arte caminhavam juntas, sendo desenvolvidas pelas mesmas pessoas. Além de filosofia, Leonardo da Vinci estudava a química das tintas e a anatomia dos corpos para pintar melhor suas obras. Hoje, o conhecimento está completamente pulverizado e suas ramificações formam traços muito finos. No futuro, poderemos caminhar para nova integração, com esta ramificação se fechando numa estrutura de rede, de forma a ficar novamente evidente que arte e ciência fazem parte de um mesmo todo. É dentro deste espírito que estamos trabalhando agora, junto com o Instituto de Artes da UNICAMP, na criação de um holograma múltiplo que mostra várias peças que caíram ao acaso no chão, enquanto a luz que refletiram na posição original permaneceu ocupando o local em que elas estavam anteriormente; portanto, suas imagens apareceram flutuando no espaço. Parte da imagem que o observador verá é absolutamente verossímil, mas outros componentes do mesmo conjunto induzem à pura fantasia. Creio que este choque de informações que a holografia,
mais do que as outras técnicas, permite ressaltar ainda poderá
ser muito explorado na arte, até que, algum dia, o senso comum das
pessoas possa libertar a idéia de luz da imagem de objeto, coisa
que nossos olhos, por si sós, não podem fazer. Enquanto isso
não ocorrer, a técnica holográfica, capaz de capturar
e isolar a luz, continuará a causar perturbações,
desafiando a imaginação de todos nós.
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LUNAZZI J.J., "Catálogo da exposição "Princípios da holografia", 1982 (disponível por solicitação ao Autor). LUNAZZI J.J. e WICKERT L., "Um equipamento prático para holografia interferométrica", in Anais do V Simpósio Nacional de Ensino de Física, UFMG, Belo Horizonte, 1982. OSTROVSKY Y., Holography, editora Mir, Moscou. CASAS J., Óptica, editora da Universidade de Zaragoza, Zaragoza (Espanha), 1981. BULABOIS J. e TRIBILLON G., "Les images à trois dimensions", in La Recherche n 144 (especialmente dedicado às técnicas de formação de imagens), 1983. LEITH E. N. e UPATNIEKS J., "Phorography by laser", in Scientific American, junho de 1965. PENNINGTON K.S., "Advances in holography" in Scientific American,
fevereiro de 1968.
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