O holograma é capaz de registrar
a inclinação relativa das ondas porque a mudança geométrica
dos percursos gera no plano de observação uma estrutura de
franjas cuja largura é inversamente proporcional ao ângulo
existente entre as ondas que interferem. No caso de ondas luminosas, a
figura resulta invisível a olho nu para ângulos maiores do
que 30o, a distância entre as franjas é de apenas
um micron, ou seja, a milésima parte do milímetro. A figura
pode resultar completamente alterada pelo efeito de qualquer vibração
ou dilatação cuja amplitude corresponda a somente uma fração
do comprimento de onda, isto é, seja menor do que um micron.
Por causa da forma específica de representação de cada ponto irradiante no holograma, mostrada na figura 10, cada ponto do filme registra informações oriundas não de um raio só, mas de uma infinidade deles, podendo depois devolvê-las ao observador, que "lê" uma ou outra (isto é, vê uma ou outra imagem) de acordo com sua posição relativa ao holograma. Assim, cada pedaço do holograma registra e conserva todas as informações que chegaram ao conjunto do filme, o que dá origem a outra característica notável e inusitada: desde que a imagem tenha sido tomada com suficiente profundidade (fator que vai definir a distância na qual a imagem virtual se forma na hora da reconstrução), cada parte do holograma é capaz de reproduzir a imagem de todo o holograma original. Mal comparando, isso equivaleria, pura e simplesmente, a cortarmos ao meio uma fotografia, sucessivamente, e continuarmos com sua imagem total intacta em cada parte separada! Esta característica pode ser melhor compreendida
através de uma metáfora: o holograma equivale a uma janela,
através da qual vemos um objeto qualquer. Parti-lo significa perder
o espaço total da janela, mas o pedaço restante equivale
a uma fresta através da qual podemos continuar olhando. Ora, se
o objeto estiver suficientemente afastado (isto é, a profundidade
da imagem gravada for suficiente), podemos continuar a vê-lo por
inteiro.
|
| A utilização
da holografia na informática está relacionada com essa característica
de armazenamento de múltiplas informações em cada
ponto. No caso de um holograma de um só objeto, todas as informações
recebidas pelo filme possuem semelhanças entre si, sendo um pouco
redundantes. Mas se, na tomada, conseguirmos separar os objetos de forma
que cada ângulo de incidência transmita imagens de diferentes
fontes (vários textos, por exemplo), poderemos dispor de um sistema
muitíssimo mais avançado de armazenamento de informações.
Teoricamente, a memória holográfica armazenada no volume de um cristal fotossensível - cujos protótipos já existem - supera em várias ordens de magnitude o alcance dos computadores atuais, bastando lembrar que cada centímetro cúbico deste cristal pode acomodar de 1012 a 1013 bites, quantidade de informação equivalente à existente em uma biblioteca com cinco milhões de volumes de 200 páginas cada um. Não temos ainda uma visão clara do potencial
de aplicações da holografia, mas já sabemos que é
muito expressivo. As principais dentre elas derivam da possibilidade de
registro holográfico (sob a forma de uma figura de interferência)
de deslocamentos, deformações e vibrações de
superfícies, mesmo em escala muitíssimo pequena.
|