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O fenômeno da interferência luminosa constitui a base do processo holográfico. Quando dois feixes de luz pura (monocromática e coerente) são superpostos geram-se figuras compostas de franjas, algumas escuras, outras brilhantes. Estas figuras de interferência possuem uma estrutura dada pela diferença do caminho percorrido pelos dois feixes desde sua origem até o ponto de observação. Segundo a maneira como ambas se encontram neste último, teremos uma soma construtiva (franja brilhante) ou destrutiva (franja escura). Fica claro, portanto, que a possibilidade de criar interferência
de raios luminosos é limitada, pois é necessário que
o comprimento de onda seja único, isto é, que se trabalhe
com luz estritamente monocromática. Havendo a presença de
valores próximos (o que ocorre quando se utiliza luz quase monocromática,
obtida nas lâmpadas de descarga gasosa) a interferência só
acontece se a diferença de percurso entre os dois feixes não
ultrapassar o valor-limite característico de um intervalo, chamado
de comprimento de coerência temporal que, para a emissão da
maioria dos gases, filtrando uma única linha espectral, vale alguns
centímetros.
Assim, a possibilidade de se obter interferência com uma fonte dada depende de seu comprimento de coerência, que caracteriza sua monocromaticidade e suas dimensões. Daí a importância do laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, cujo princípio é o da emissão coordenada (estimulada)de fótons pelos átomos ou moléculas de uma determinada substância. Ao contrário da situação normal, em que cada molécula emite fótons por si própria, todas as moléculas de um sistema laser são estimuladas a emitir sincronizadamente e na mesma frequência, agindo como se fossem uma única molécula produtora de uma onda de grande intensidade, monocromática e coerente, com máximos e mínimos bem definidos. O efeito laser pode ser criado a partir de vários
materiais, sólidos l(como materiais semi-condutores), líquidos
(como a própria água, que emite em infravermelho) ou gasosos
(como o dióxido de carbono, o nitrogênio ou o hélio-neônio,
o tipo mais barato de todos), e pode ser excitado por meio de uma corrente
elétrica, luzes ou reações químicas. Na maioria
dos casos, o efeito laser é acentuado pela colocação
de dois espelhos nos extremos do tubo. As passagens múltiplas da
luz entre estes espelhos alimentam o processo de amplificação
da radiação.
Fonte essencial ao desenvolvimento da holografia, o laser
é também, paradoxalmente, o principal obstáculo à
sua generalização, devido ao custo e à complexidade
técnica de sua operação. No dia em que essa técnica
puder libertar-se dele, seu potencial revolucionário poderá
aflorar completamente.
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Fig.9. Um equipamento simples, montado na UNICAMP, permite construir hologramas de pequenas dimensões.
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