Mas apesar deste "fracasso" prático, Gabor descobriu um princípio teórico que, segundo suas próprias palavras, podia "ser aplicado em todos os casos em que se dispõe de radiação monocromática coerente e de suficiente intensidade para produzir figuras de difração com um fundo coerente suficientemente forte". Por isto, foi necessário esperar o advento do laser para que a holografia começasse a desenvolver seu imenso potencial. 
Em 1962, a utilização dessa nova fonte de radiação permitiu a E. Leith e Y. Upatnicks a criação de uma técnica para a reprodução de imagens de quaisquer objetos tridimensionais, eliminando também a presença de ondas indesejáveis, formadoras de imagens secundárias. Foi um grande passo à frente. 

Mas para se tornar conhecida de um público mais amplo, a holografia tinha que se libertar da necessidade do laser na hora da reconstrução das imagens, o que foi conseguido dois anos mais tarde por Y.N. Dennisyuk através de uma técnica semelhante à usada por Lippman para a produção da primeira fotografia a cores do mundo, apresentada na Feira Mundial de Paris em 1891.

   Lippman já usava o princípio da interferência, espelhando a parte de trás de um filme fotográfico comum, de modo que, ao fazer a foto, a luz se refletia no fundo do filme e interferia com a que estava chegando logo depois, criando uma grade de sulcos microscópicos ao longo da espessura da emulsão fotográfica. Depois de revelado, o filme apresentava à primeira vista uma foto convencional, mas a reflexão luminosa era marcada pelo sincronismo da estrutura de sulcos gravada no filme, fazendo com que só aparecesse de volta a luz cujo comprimento de onda (e, portanto, cuja cor) correspondesse ou, pelo menos, guardasse uma relação com o do raio original.

   O princípio de Lippmam não foi levado adiante nas fotografias modernas, porque não apresentava uma reprodução perfeita e era pouco prático. Foi a holografia que recuperou sua idéia, com a utilização do registro de interferência ao longo da espessura da emulsão fotográfica para o desenvolvimento de uma técnica capaz de tornar possível a observação de holograma, o feixe de referência é aplicado por trás do filme, imprimindo um registro de  interferência ao longo da espessura da emulsão. 
Por isto, estes hologramas podem ser chamados de "espessos", embora sua espessura palpável seja igual à de qualquer emulsão fotográfica normal.

   Em 1968, S. Benton criou uma nova técnica onde um primeiro holograma é projetado através de uma fenda num outro holograma, que ganha a propriedade de dispersar verticalmente a luz branca, gerando uma imagem monocromática às custas da perda de perspectiva no sentido vertical. Podemos chamar este holograma de "espectral", porque a imagem toma as cores do espectro conforme a altura do observador se modifica. 
Assim, em cada posição vertical o observador vê uma cor de cada vez, pois recebe uma fração da luz branca, monocromatizada por cauda da dispersão. 
Ao contrário do holograma espesso, que isola uma fatia da luz branca e preenche com ela todo o espaço visual, o espectral aproveita toda a luz branca mas oferece uma cor diferente para cada fatia do espaço horizontal, sendo, por isso, mais brilhante (ver figuras 4 e 5).
 


 
Figura 4: 
Fotografia do primeiro holograma para reconstrução com luz branca feito no país, em 1983. Uma imagem holográfica possui diferentes planos que nosso olho focaliza alternadamente, da mesma forma como o faz na observação de um objeto comum. Por isso, na fotografia de uma holografia a objetiva da câmera também focaliza seletivamente os objetos, aparecendo uma perda de nitidez em alguns deles.

 
 
Figura 5: 
Fotografia de um holograma espectral, que dispersa a luz branca e oferece imagens monocromatizadas. Por isto, o observador pode acompanhar as mudanças de cores do espectro modificando sua própria posição relativa ao holograma, que apresenta cores diferentes para cada fatia do espaço horizontal.

 
 

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