A técnica espectral permitiu inclusive a montagem de breves cenas tridimensionais animadas e a reprodução holográfica em plástico em larga escala, mas é preciso que se evite algumas especulações muito comuns: embora já existam protótipos de cinema holográfico que podem ser apresentados para pequenas audiências, não se descobriu ainda nenhum caminho técnico para a generalização  destas experiências ou para a criação de uma "televisão holográfica". 

Até aqui, o requerimento de monocromaticidade da luz na hora da tomada só foi eliminado para a realização de hologramas de objetos planos, como os primeiros feitos por Gabor. Dois exemplos recentes (E. Leith, 1981, e Heiniger e outros, 1981) chegaram a demonstrar inclusive a possibilidade de tomada de hologramas planos por meio de uma simples lâmpada de filamento, mas isto não contorna os obstáculos referidos ao cinema e televisão holográficos. 

   A generalização do uso das câmeras de fotografia e de filmagem desenvolveu em todos nós uma tendência natural à associação entre o registro de imagens e o uso de lentes. Mas essa relação não é absolutamente necessária. Existem diferentes instrumentos e técnicas de registro que não usam lentes, e, hoje em dia, podemos afirmar inclusive que a holografia parece ser a técnica destinada a eliminar da nossa vida cotidiana, no futuro, as lentes formadoras de imagens. 
Os registros tridimensionais obtidos por meio da holografia dispensam a necessidade de focalização, o que, aliás, não chega a representar uma novidade, pois são diversas as possibilidades de formação de imagens, isto é, de um campo luminoso proporcional na intensidade e nas relações geométricas ao campo oriundo de um objeto qualquer. Esta definição não envolve os instrumentos ópticos em si mesmos, admitindo a existência de diferentes formas de intervenção sobre a trajetória dos raios luminosos. 

   A absorção pura e simples da luz já altera seu caminho original, podendo formar uma espécie de imagem, a sombra . A reflexão da luz numa superfície muda a direção dos raios e forma a imagem típica dos espelhos. Uma terceira possibilidade, bastante conhecida e presente na ação das lentes, é a refração, que ocorre quando a luz altera seu caminho original por causa da diferença de meios em que se propaga: por isso, o fundo de uma piscina parece sempre fora de seu lugar real quando o observamos de fora para dentro d'água. 

   A difração ocorre quando a luz encontra obstáculos micrométricos, que estão próximos ao valor de seu próprio comprimento de onda e que também alteram sua direção. A produção ordenada, numa grade, de um conjunto de riscos destas dimensões permite que se controle o espalhamento subsequënte dos raios. Gerando, por meios ópticos, uma figura de interferência simples, podemos fabricar grades de difração de grande perfeição e resolução, que hoje já competem com as de fabricação mecânica. 
   Quando as dimensões do obstáculo são realmente próximas do comprimento da onda luminosa, o espalhamento destas abrange um ângulo apreciável. Por outro lado, a existência de uma periodicidade na distribuição dos obstáculos (grade de difração) permite o acoplamento construtivo das ondas, fazendo com que parte delas seja desviada numa direção determinada pelo seu comprimento de onda, o que, no caso da luz, resulta numa distribuição espectral semelhante àquela que é obtida, por refração, num prisma (figura 6). 
 


 
Fig. 6: As grades de difração gravadas por interferência luminosa são chamadas holográficas, sendo formadas por conjuntos de traços micrométricos e equïdistantes entre si. Cada milímetro abriga cerca de 1.500 destes traços, que não podem ser obtidos por meios mecânicos. A interferência luminosa registra figuras muito mais perfeitas, que devolvem cores mais puras do que o prisma, pois consegue o máximo efeito de separação possível entre os diferentes comprimentos de onda.
As fotos foram obtidas a partir de um foco comum de luminária, difratado por grades holográficas. Acima, aparece o espectro do vermelho para o azul, sob a forma de camadas horizontais superpostas. As aplicações horizontais, de caráter meramente artístico, simbolizam o fato de que a microestrutura desta grade é composta de linhas também dispostas nesta direção. No outro caso, a aplicação tomou a forma simbólica de rede.

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