
Finalzinho dos anos oitenta, na simpática Sumaré do tempo em que ainda era conhecida como “cidade orquídea” (agora virou cidade do tomate) ,nascia, para o desespero da população do Franceschini, mais um futuro talento das baquetas. Quem olha esse rapaz bonito, saudável, com carrões, jatinho particular e rodeado de garotas não sabe o quão grande foi a labuta para chegar até aqui.
-
É...
o pessoal só vê as pinga que a gente toma, os tombo ninguém vê né?
Calma
Cyro, daqui para frente todos conhecerão sua trajetória.
Um
belo dia a turminha escutava Guns n’Roses no prédio de sua avó, quando
por
força do destino o pequeno Cyro se sentiu estranho. Logo em seguida,
fitando
algumas plantas do jardim, roubou-lhes o caule e começou a batucar no
chão.
Imediatamente seus amigos ficaram espantados com o que viram e lhe
incentivaram
a procurar aulas de bateria.
-Você
é muito ruim moleque , vai aprender a tocar primeiro!!
Foi
o primeiro passo. O problema era como arranjar uma bateria? Pediu ao
seu pai, e
o velho disse que providenciaria assim que pudesse.
No
dia seguinte a grande surpresa, Seu Ademir havia conseguido alguns
potes de
sorvete, dois aros de basquete, uma caixa de papelão e um pandeiro.
Pronto,
nosso herói agora já tinha onde estudar.
Foi
então que formou sua primeira banda “Os
Escravos do Demônio” , a qual era
apelidada carinhosamente por alguns colegas de seu genitor como “Carrapatos do
Porão” devido ao local onde tais pragas se ploriferavam.
- Aquela época foi muito importante em minha formação como musico, pois pude aguçar minha audição, conseguindo distinguir claramente o que era som da bateria e o que era guitarra por exemplo.
Mas
nosso herói não se contentava com pouco. Decidiu tocar heavy metal,
pois era
um som que realmente sonhara em fazer desde então. Foi aí que formou
sua
Segunda banda, formada por
colegas do bairro, de onde futuramente iria surgir o Iron Maiden
Cover...mas
isso é outra história, e quem sabe outro site.
Essa
banda nunca teve nome, porém durou quatro anos, 3.765 ensaios e apenas
1 show.
- Meu Deus eu nunca vô me esquecê desse show....cara, foi o nosso show de estréia, achei que iria defecar ali mesmo no palco de tão nervoso q’eu tava [risos] é sério.
É,
mas após quatro anos, as garotas e os iates não vinham, então teve uma
brilhante idéia...iria tocar Rock and Roll, isso mesmo Rock and Roll
!!! Deixou
seus amigos fulos da vida e partiu para o mundo. Assim formou o Capitão Mandruvá,
uma banda de músicos experientes, indo tocar em várias casas famosas em
Campinas, dentre elas o lendário Delta
Blues Bar e Opera Rock.
Nesse meio tempo
participou de vários concursos de bateria mas devido ao seu baixo
desempenho só
levou um.
- Gentem!!! Vocês não sabem como existem bateristas bons nesse nosso Brasil !!!
Éh...
papo de perdedor né Cyro...hã-ham...bem, onde estávamos? Ah sim, após
algumas tretas no Capitão, vai para o Allbatroz e após 10 meses deixa a
banda,
decidindo tornar-se músico profissional.
Após
varias duplas, trios, bandas bailes, MPB, Forró, Country
e outros estilos até então abominados por este
“mercenário das baquetas” se desilude e decide tocar Jazz. O máximo que
consegue arrumar é uma rapaziada com o triplo da sua idade que toca
musica
instrumental brasileira.
Como
as mulheres e a grana continuaram não querendo nada com ele, faz uma
loucura:
Decide ir para Cuba estudar música ...porém
volta decepcionado.
- Lá eu via crianças de 5 anos tocarem o dobro do que eu tocava, e velhinhos com quase 90 anos tendo o triplo de disposição, aí eu falei: Pra mim chega !! Eu vou vender cachorro quente!!!
Pois
é, sem dinheiro, sem garotas, e sem salsicha (pois não conseguiu
arrumar
nenhum empréstimo no Banco do Povo) volta para casa e decide vender
tudo o que
tinha. Mas por sorte do seu azar, o comprador acaba dando o calote em
nosso
baterista e ele adquiri tudo de novo, inclusive a disposição para tocar.
-
Nossa
meu, foi como se a mão do Senhor me tocasse, algo me dizia dizia: Vai
Cyro!!
você nasceu para tocar... esqueça o dinheiro, esqueça as garotas,
esqueça a
fama...toque meu filho, toque!!! Aí eu tô aí né.....
A
partir daí a banda Prana apareceu em sua vida, e juntos vieram o
sucesso,
dinheiro, mulheres, iates, viagens, casa na praia, etc
- É por isso que eu digo pessoal, nunca desista do seu sonho. Persista, pois um dia você consegue, diga a você mesmo: Eu hei de vencer!!
E
assim, o menino que um dia sonhou em ser baterista continua trabalhando
com o
pai, fazendo curso de Letras e nos finais de semana faz seus showzinhos
em troca
de coxinha e cerveja.
- MAS FELIZ PRA
CARALHO, SEU DOTÔ NARRADOR !!!!