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Histórias do Pontão
O Descobrimento por Alexandre "Linha" Paranhos e Rodrigo "Rodras" Paranhos
Como
sempre, a sapatilha e o saco de magnésio estavam dentro da mochila.
Estava indo viajar com amigos para a praia, mas como todo escalador
decente, era mais atraído pelas rochas que pelas ondas. Numa caminhada a caça
de boulderes, Rodrigo Paranhos (Rodregas) não imaginou que do lado direito da
calma Praia de Fortaleza, iria encontrar um dos melhores picos de boulder do
Brasil. O que viu era fascinante: chão de pedra bastante regular, inúmeros boulderes, tetos, negativos, regletes e abaloados, numa formação difícil de encontrar pelo litoral paulista. Parece que tudo foi construído especialmente para a escalada, ha ate uma travessia perfeita para o aquecimento, com agarras grandes e levemente negativa.Tudo isso num pontão cercado pelo mar, com um visual maravilhoso. Para sua surpresa, encontrou chapeletas nas pedras mais altas, indicando a passagem de escaladores por lá anos antes, embora não com o propósito de fazer boulder. Voltamos
logo no próximo final de semana, desta vez levando nas costas um crash-pad, o
que nos deu aspecto de ET’s para os turistas e moradores da praia. O
primeiro boulder a ser aberto foi o Sorvete
-V4. E o boulder perfeito, saída
sentado, dois lances explosivos e a virada a apenas dois metros de altura do
chão! Isso aconteceu em abril de 2000 e, desde então, não ha uma vez que não
descemos a serra em direção ao Pontão que não voltamos com um novo projeto
ou novos boulderes encadenado. E as linhas mais obvias ainda estão longe de
se esgotar! Mas
sem duvida nenhuma, o boulder mais clássico do local, sendo obrigatório para
todos e o Van der Waals – V3 (. Localizado no principal bloco, sai de
agarras abaloadas para uma fenda e depois vira um pequeno tetinho a três
metros de altura, numa saída praticamente sem agarras, sendo necessário
confiar totalmente nas pernas, o
que já levou mais de um escalador a ficar travado lá em cima, esperado alguém
que o puxasse para cima! A
dupla Pezinho - V4 e Pezão -V5 também merece alguns ATP’s dos seus antebraços.
Só e preciso tomar cuidado com o agarrão invertido no final do negativo, que
esta perigando cair. E extremamente recomendada uma segurança de agarra! Se
algum amigo estiver se achando muito, convide-o a tentar o Ejaculação
Precoce - V7 e veja como ele vai ficar mais humilde quando perceber que,
apesar da primeira agarra ser uma invertida gigante, seu pe esta praticamente
do lado de sua mão, o que faz com que sua bunda insista em voltar ao
crash-pad cada vez que ele tenta se erguer! Na mesma face, desta vez na
categoria divertidos, o trio Curta, Media e Longa Metragem (V3, V3 e V2)
garantem boas horas de escalada com movimentos explosivos. Subindo
o grau, para aqueles que querem testar a forca de seus abdominais e pernas, o
mais recomendado e o belíssimo Chave de Coxa
-V8. No mesmo grau, se você
tiver paciência de esvaziar a eterna poça que sempre se forma, entre no Mal
do Nome – V8. Mas se os regletes são sua especialidade, não deixe de
arrancar sua pele no Tsunami – V9
e no Ostras em Coma – V10, por um bom
tempo o boulder mais difícil de Ubatuba. No
final de 2002 um antigo projeto finalmente caiu. Jerico –
V11, com apenas 5
movimentos e um crux extremamente explosivo onde se deve buscar um pequeno
reglete abaloado a quase 1.5 m de distancia, e com certeza o boulder mais difícil
de São Paulo e talvez do Brasil. Já são mais de 60 boulderes catalogados, de V0 a V11, concentrados principalmente na metade final do pontão. O começo esta quase inexplorado, e tem um potencial enorme, principalmente para boulderes ate V4. Os projetos, obviamente, são abertos a todos, não deixe de tenta-los e, caso consiga encadena-los ou tenha aberto novas linhas, não esqueça de dar o nome, graduação e nos informar no e-mail:, que o incluiremos no futuro guia a ser lançado.
Veja o gráfico com a distribuição da graduação.
Dicas Quando
o sol estiver a pino, os dedos começando a sangrar, o corpo pedindo um
descanso, a namorada pedindo um pouco de atenção ou todas as anteriores, não
deixe de dar um mergulho no mar do lado esquerdo dos blocos, onde ele e mais
calmo. Se você tiver uma mascara de mergulho, não deixe de leva-la, a água
e cristalina e com muitas surpresas. Mas o que faz de Ubatuba um lugar
perfeito e a recém-descoberta jacuzzi natural, bem em frente ao bloco do
Piano. Leve um isolante velho para não ter que sentar sobre os ouriços e
espere as ondas baterem. Depois disso, e impossível não fazer uma nova sessão
de boulder! A
graduação utilizada e a mesma de Hueco
Tanks, o V. O grau de muitos deles ainda e objeto de discurso e qualquer
um com experiência na graduação V e bem vindo a dar opiniões! Adotamos
essa graduação por acreditar ser bem complicado (se não impossível),
comparar graus de vias, com descansos, costuras, etc., com os poucos
movimentos, muitas vezes explosivos dos boulderes. De qualquer maneira, seja
V0 ou 10 a, 5 sup ou V13, os boulderes continuarão sendo os mesmos, e cada um
deve buscar se divertir ao Máximo, independente do grau dado. Uma
coisa importante que não deve ser nunca deixada de lado e a segurança de
corpo. Muitas vezes, por estarmos a poucos metros do chão, achamos que isso e
desnecessário, mas ha um grande risco de lesões ósseas e areolares em
quedas durante a pratica de boulder, mesmo que sejam pequenas. Portanto, toda
atenção e pouca! Se
você estiver começando agora, não desanime se os movimentos parecerem todos
muito fortes. A característica do boulder e justamente ter movimentos
concentrados, que vão exigir toda a sua forca e técnica. Apenas não se
esqueça de alongar e aquecer bem e boas escaladas! Quando
ir? O ideal e ir durante o inverno, mais frio e seco, mas nada impede de
escalar no verão, basta acordar bem cedo ou chegar para escalar depois das
quatro da tarde. Ubachuva não e um apelido escolhido ao acaso para a região,
e o maior problema do verão e justamente esse, a chuva, mas com um pouco de
sorte e possível aproveitar bem.
O
que levar? O principal, alem do magnésio e da sapatilha (óbvio), e o
Crash-Pad, mas não esqueça também o protetor solar, muita água e uma
escova de dentes macia, para limpar as agarras, que as vezes ficam
escorregadias com a maresia.
Em breve mais Histórias do Pontão | |||||||||||||
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