Cortez,
Desta vez
Pediu-me uma poesia
Que queria
Sujeita ao mote:
"Em terras do canguru"!
Estão mesmo a ver
A rima que ele pretendia...
Mas eu pensei: Com canguru
Pode rimar Guru
E até fica muito bem,
Também
Honolulu
E Corfu.
Também não fica mal,
Afinal,
A rima com Zulu,
Ou talvez,
Em francês,
Bijou, caillou,
Chou, genou,
Hibou, joujou e pou.
.
Mas tenho cá para mim
Que, assim,
Não agrado,
Pois o malvado
Do Lucifer
Nenhuma destas rimas quer!
Pois, meu Caro Cortez,
Desta Vez
Não vou fazer-te a vontade
Não vou rimar
Com o que estás a pensar.Mas se insistes na maldade
Então arranja tu
A rima p'ra canguru.
Se, por falta de inspiração,
Queres uma sugestão...
Então
Não fica mal,
Em vez da tal,
Rima com "tu-tu"!
ede-me o Cortez,
Perverso,
Para desta vez
Prescrever´à Fló
Uma dieta, só
Em verso.
Aqui vai Fló,
Com muito dó:
- Coma seis vezes ao dia,
Faça exercício
E perca de vez a alegria
De qualquer vício
Alimentar.
Sem desesperar,
Coma verdura
Com fartura,
Açucar, não,
Bolos, também não!
Batata, arroz, massa e pão
Coma com moderação.
Fibras com muita abundância
E o álcool sempre à distância.
Se assim fizer
Irá viver
Com muita elegância.
Ficará uma flor,
Se possível for,
Mais linda, ainda,
Do que já é, Florinda.
.
ão horas de aflição,
A viagem é um horror,
Se não há no avião
Lugares para fumador.
E, assim, os viciados,
Um tanto fora de si,
Têm os olhos esbugalhados
E um certo frenesi.
Começam a conversar
E a gente ouve-os dizer:
- Duas horas sem fumar...
É preferível morrer!
.
Parece que desta vez,
De todos, quem mais sofreu,
Foi o amigo Cortez
Que quase endoideceu.
Correu todo o avião
À procura dum cantinho,
Numa grande excitação
P'ra fumar um cigarrinho.
E como não encontrou
O cantinho, isto é fantástico!
Toda a viagem mascou
Um pedaço de plástico.
E no fim da tempestade,
À procura de bonança,
O Cortez fumou metade
Dum maço... só por vingança!
m Sidney valeu a pena,
Aquela noite serena.
Fui só,
Com a Isabel e a Fló
E reparem no que vi:
Uma prostituta aqui,
Mais um travesti
Ali
E um negro, muito feio,
Muito gordo, muito cheio,
Que eu fiquei sem saber
Se era homem, ou mulher...
Figura mal acabada,
De mama uma tonelada!
O taxi, aproximando
E o "perigo amarelo", olhando
Admirado.
Um rabinho desnudado,
Bastante bem torneado,
Não parecendo nada imundo,
Foi na rua apresentado
Tal como foi dado ao mundo
Um pouco mais aumentado.
Mesmo ao lado,
Um salão de tatuagem
E, na rua, alguém cansado
Faz massagem
Enquanto um negro convida
P'ra uma casa de má vida.
Noite em Siney, que palpite,
King Cross, Crown Street!
.