SEGURANÇA PÚBLICA - POLÍCIA* -

Em face de debates/propostas de um novo sistema/política para a atividade policial

A)"...Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança,... Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha..." (Castro Alves,O Navio Negreiro). B) "...A minha terra tem palmeiras, onde canta o sabià..." (Gonçalves Dias, Canção do exílio). C) "Euclides da Cunha, em "Os Sertões", registrando os poucos sobreviventes (de Canudos), onde não se via...nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de campeador domado : mulheres, sem-número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados...Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5 ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas : um velho, dois homens e uma criança, na frente dos quais rugiam cinco mil soldados".

(8ª Parte)

1) Murilo de Macedo Pereira, D.Sc.,M.Sc., Delegado de Polícia, Prof. Universitário- 2) Vera Kühn de Macedo Pereira, Advogada, Professora, Pesquisadora,Trilingue -3) Vera de Macedo Pereira, Economista, Pesquisadora, Trilingüe, Artista Plástica -4) Renato de Macedo Pereira, Médico, Pesquisador, Médico-legista/SP, Mestrado em Medicina Legal/USP-Faculdade de Medicina. Av. Salim Elias Bacach, 630-Vila Oliveira - Mogi das Cruzes/SP - CEP - 08790-180-Telefone & Fax (011) 47961109---"E.mail/correio eletrônico : [email protected] Site - Home Page : www.murillo.com.br

- CONCLUSION - SUMMARY - ABSTRACT -

POLICE SUBSIDY FOR A POLITIC/SYSTEM/PHILOSOPHY OF PUBLIC SECURITY

Murillo de Macedo Pereira, Civil Police Commissioner of São Paulo State & Colaborators

The authors, after an ample debate concerning the several aspects of this work in sequence of others initiated at the end of 1985 and begining of 1986, since the time of the Afonso Arinos Commission, regarding the "50 Notables", which was held in Petropolis and Rio de Janeiro, and following the period of the constituent legislative process of 1987/88 in Brasília, Federal District, which involved researches in several libraries of the universities (UFRJ - Federal University of Rio de Janeiro, USP- University of São Paulo, UBC-Univesity of Braz Cubas from Mogi das Cruzes/São Paulo, UNB-University of Brasília), of the Legislative Body (House of Commons / Senate), National of Rio de Janeiro (Cinelândia), the Gabinete Português de Leitura/Rio de Janeiro, Arquivo Público Nacional/Rio de Janeiro, the Police Academies from Rio de Janeiro and São Paulo, and particulars, with support of librarians, paleographers and also some "special collections" from some of these libraries, ad contact with the Diplomatic Body with the help of the "diplomatic pouch" at the Consulates in São Paulo, to obtain material concerning the constitutional right from the criminal and Police branches, which made possible the studies and examinations of twenty six countries among the most developed, published by the magazine "ADPESP" (14 : 63-171, 1987), distributed to the five hundred and fifty nine constituents of the House of Commons and Senate (National Congress), in Brasília, Federal District, on the occasion of the "mens legis" and subsequently in another editions of the same magazine "ADPESP" (13 : 89-106, 1986; 15 : 62-77, 1988; 17 : 105-172, 1989; 19 : 29-55, 1994; 20 : 98-144, 1995) and in Files of the São Paulo Civil Police (magazine "Arquivos da Polícia Civil"/Civil Police Archive, in São Paulo) under the title : "Coca, the secret plant. An ethnographic, ethnological, linguistic, archeological and anthropological test concerning the origin of the use of coca leaves and its products in the modern society : cocaine, cocaine paste, freebasing, crack - which is to smoke, etc. /Erythroxylum coca L.", in volumes 40 : 103-219, 1983; 41 : 141-194, 1983; 42 : 139-190, 1984, work continued in the magazine "ADPESP", conclude that :

a) the injustices of economical, social and political characters were the principle causes of the great nativism popular movements of revendication, with nationalist character and creating movements for a national affirmation of independence and for another form of government (republican, as an example) and of revendication for a better life, worthy, condign and with a better life quality index, all them popularly movements, violently repressed by the authorities from the public secutiry of the government in that time;

b) the public security organs acted in a violent and energetic manner, under a governmental determination, without the consciouness regarding the reason why it was happening an historical event;

c) the security organs did not have any kind of theoretical, intellectual and technical scientific prepare, and due to this fact they did not know what they were doing, and used only the physical strenght with the weapons they had and were rudimentary trained to use, just following orders from their superiors with no right to argue and the government, creating serious problems to the society;

d) the elite from that time, as well as the present, used the security / Police forces most of the times to the "crowds control" in their revendication movements than to an act of Police administration (preventive) and almost did not use them to the judiciary Police (penal infractions), because this last requires technical, theoretical, philosophic, doctrinal and scientific prepare and condign salaries, therefore contributing to the solution of social, politics and economic problems than to the police ones;

e) therefore it is necessary the construction of a politic, philosophic, doctrine and system of public security on a national level and attending local counties, state and regional peculiarities to the Policy activity, which is estremely important once it is unique, indivisible, integrated, civil, whith an uniformed branch in an open and democratic society;

f) furthermore, the Police activity in the heterogeneity of its multiple organizational, structural and functional aspects, must never loose the sight for its uniqueness, which must be under the control of civil Police authorities, career’s Police commissioners, approved via public concourses for Law bachelors and after studies in specific professional courses in civil Police academies, originated preferably from civil formation ambient, consonant with the cultural process and historical evolution of our country with its Portuguese origin;

g) the Civil Police Academies must educate and train their teaching bodies and Police in general according to the permanent process of education, recommended by the UNESCO/UNO (UN, ED/MD/26 of 18/March/1966, in Paris from 11 to 20/December), obligatory submitting them to a doctorate and mastership courses with pedagogical methodology aiming them to offer courses in these Institution of Police Teaching, to which they must be selected by concourses and approved before and examining board, following the example of what has been recently done by the Civil Police Academy from São Paulo State, identical to the concourses of the State and Federal Universities;

h) the Civil Police Academies, together with the scientific part of the judiciary Police, that is, the Criminal Institute and also the Legal Medicine Institute, the Supervision Services of Controlled Products (explosive, weapons, ammunition, chemical, flamable, corrosive, etc.), Civil and Criminal Identification Institute, in contact and strait collaboration (if necessary stablishing contracts) with Institutes and Researches Centers, including the ones of Advanced Studies of the Universities, in all fields, specially regarding rights (post-graduated : martership / doctorate / post-doctorate) and sciences in general, in special Laboratories of the mathematics, physics, chemical, biology / botanical and biochemical fields, participating in congress, meetings, reunions, debates and working groups where there is an ample liberty of thoughts expression to open the way to the civil society, to the public security organs (security) in general and specially to the Civil Police and specifically Police Commissioners.

1 - INTRODUÇÃO

Os problemas dos momentos mais recentes do país têm sido marcados por acontecimentos da maior gravidade, não só na área econômico-financeira a nível nacional e internacional, mas também na área política e social1 . Várias CPIs/Comissões Parlamentares de Inquérito, no Congresso(Senado & Câmara) do Sisterma Financeiro / Bancos/Senado & CPI-Narcotráfico/Câmara e o noticiário da mídia, ilustram os escândalos de evasões de bilhões de dólares para o exterior e de sonegação de impostos, remessas ilícitas,para o entrangeiro,de R$.60 bilhões de dólares, nos últimos 5 anos, pelas contas "CC-5" etc., etc. (mídia, de jan/jun/1999). É o que se vê in : Miguel Reale, "novo capitalismo selvagem" (OESP-O Estadão,29/05/1999,A/2), "Calheiros vê crise entre PF e inteligência do governo"(Folha S.Paulo,02/06/1999,1/6) & Elio Gaspari, "A Abin deve ser fechada"(Folha de S.Paulo,02/06/1999,1/6).Essa relação está in "9ª Parte", seqüencial , sobre "segurança pública/polícia", no momento com mais de 250 páginas.

E nesta última (área social) o colorido mais forte é de um quadro de referências onde predominam o baixo padrão de vida do povo brasileiro, má distribuição da renda nacional ,por pessoa física e por região (geográfica), algumas áreas de extrema pobreza e densamente faveladas, com ausência de saneamento básico (água tratada, esgoto, coleta de lixo e de águas pluviais etc), mais de 25 milhões de pessoas na miséria absoluta, desemprego em áreas urbanizadas e na zona rural, esta ainda com os latifúndios, que deram origem ao movimento dos trabalhadores rurais sem terra/MST(FHC,"Os 10% mais ricos têm 90% da terra", in jornal OESP,02/12/97,A/8). Também, de deficiências, em grande escala, na saúde e na educação, no trato da população em geral. Igualmente, a presença de violência extremada, do crescimento do uso indevido de drogas em geral, em particular de substâncias que produzem dependência física e/ou psicológica, prejudiciais à saúde, entre as quais o uso imoderado do álcool/alcoolismo, do tabagismo, e de derivados da Cannabis sativa L./maconha, da Erythroxylum coca L./coca-cocaína, crack : a coca fumada, etc. E do acendramento do crime organizado, em todos os níveis, dos "crimes de colarinho branco", da prostituição de menores, da corrupção generalizada, em todos os sentidos, da violência e da corrupção policial, dos órgãos de segurança, em todas as escalas, envolvendo as forças armadas do país e o mundo político, da venda de órgãos do corpo humano a nível internacional, não apenas nacional, da impunidade, gerada principalmente pelas deficiências do aparelho policial, do Ministério Público, da justiça e de uma legislação inadequada/desatualizada, ainda provocando lentidão, excesso de recursos e impunidade etc.

O perigo nesse quadro de variáveis tem sido a presença de "cartéis de cocaína e de heroína", fortes, ricos, poderosos, bem estruturados a nível internacional, em países limítrofes(ver."sites", DPF,INL,DEA,INTERPOL,ONU etc.) , atuando bem próximos do terrorismo, da subversão, do tráfico ilícito de armas de fogo (tanques de guerra, aviões e equipamentos leves e pesados de guerra etc), já algum tempo operando com o crime organizado, em escala internacional, agora interrelacionando-se em algumas áreas do planeta , exigindo providências, inclusive acordos internacionais, e políticas públicas de governo, notadamente do Executivo e do Congresso Nacional, solicitando as reformas que o povo, a população e o governo pretendem, em a Constituição Federal.

São as reformas administrativa, previdenciaria, política (fidelidade partidária e voto distrital misto etc), fiscal (equilíbrio/ajuste fiscal), tributária, que torne a carga de impostos mais competitiva, com os países industrializados, mas também com os emergentes. Alguns deles, em a série conhecida : PIS, Cofins, IPI, CPMF, INSS, Incra, Sebrae, Sesi, Senai, FGTS, ICMS, IPTU, IPVA, IR, Contribuição sobre o lucro, salário-educação, seguro-acidente, imposto de importação, guia de importação, contribuição sindical e ainda outros tributos e obrigações fiscais e parafiscais, etc. Necessidade de um plano diretor de reforma de Estado de fortalecimento do núcleo estratégico de servidores públicos/carreiras estratégicas de Estado/atividades exclusivas de Estado e de controle social direto pelas comunidades a que servem 4- , da legislação trabalhista etc. Igualmente, o debate sobre a questão dos gastos públicos, do emprego, do salário, o da redução da jornada de trabalho e das privatizações, política para minorar o desemprego, trabalho a tempo parcial, o teletrabalho e as jornadas flexíveis, com rigorosa limitação das horas extraordinárias, geração de empregos permanentes, evitar em larga escala o contrato temporário/provisório de trabalho, com redução de direitos tradicionais, etc. São alguns dos temas, sob debate(ver."site" do sae/gov/federal : http://www.sae.gov.br ).

Aprofundar o diálogo/a discussão a respeito desses temas é da maior importância, para o país, neste momento da vida nacional.(Celso Furtado,"A reconstrução do Brasil",Folha S.Paulo,13/06/1999, 2/6). Daí, "O combate à corrupção é importante porque afeta o mundo dos negócios", e as "mudanças exigem a melhora do serviço público, a valorização dos sistemas de ensino e de produção de conhecimento, a conclusão do ajuste fiscal, a simplificação dos processos burocráticos, alterações tributárias, melhora em os serviços judiciais". E, repetindo-se, o combate à corrupção, incluindo a redução dos chamados custos de transação (cartório, certidões, licenças, requerimentos, taxas etc), conforme abordagens5 da mídia. .

Agora mesmo com enfoques do embaixador dos EUA no Brasil, confirmando o relatório a empresários norte-americanos que acompanharam o presidente Bill Clinton ao país (13 a 19/out/97 : Venezuela, Brasil e Argentina), no qual se afirma que a corrupção é "ainda endêmica na cultura brasileira", acrescentado de crítica áspera ao ensino/processo de educação e às deficiências/lentidão da justiça brasileira. Esse relatório foi divulgado pela Internet, para o Brasil e todo o planeta, provocando protestos e desculpas do próprio Bill Clinton (Presid. dos EUA), que lamentou "a crítica ao Brasil, errada, rejeitada e retirada do texto", resultando em protestos da mídia e de autoridades (Presidente do STF, Governadores do DF, do RJ, de SP etc). O fato é que a corrupção se acrescenta a esses custos, porque tudo isso é parte do custo Brasil . Em meio à crítica e abordagens da mídia (TVs, rádios, jornais, revistas), os EUA acabaram por reconhecer a nova realidade brasileira. Samuel Berger, assessor de Segurança Nacional dos EUA, disse à imprensa, "Não se esqueçam de que o Brasil é um país quase tão grande quanto os EUA, com 160 milhões de habitantes, que é a 8ª economia do mundo, e é uma economia e um país que tendiam a se definir em oposição aos EUA" . É também a afirmação do jornal "The New York Times"/NY/EUA, "O Brasil joga habilmente o jogo diplomático, fortalecendo o seu grupo regional de comércio, o Mercosul, e construindo laços com a União Européia e o Japão, como contra peso para o predomínio dos EUA". É essa exatamente a aposta do Brasil : fechar, antes da ALCA, a ALCSA (Área de Livre Comércio Sul-Americana), envolvendo todos os países da América do Sul.

Daí a importância das reformas, necessárias ao país. É o que se vê, da íntegra do "Memorando de Entendimento/Entre o Brasil e o FMI",de 13/11/1998,de Pedro Sampaio Malan/Fazenda & Gustavo A.B.Franco/Banco Central(OESP,14/11/1998,cad.B/20 p.).

Igualmente, reforma da área da segurança pública no interesse da sociedade, da população, do povo e da melhoria do índice de qualidade de vida/IQV e/ou ICD(Índice de Condições de Vida/PNUD/ONU), efetivamente a serviço da cidadania, respeitando os direitos humanos, restabelecendo condições de convivência, preservando o regime democrático de representação popular por meio de eleições livres e através do voto direto, secreto e universal, protegendo as liberdades, o direito de participação e do livre debate de idéias, que defendam os direitos e as garantias fundamentais da pessoa humana, estabelecidos pela Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988.

O fato é que as reformas são fundamentais para o processo de estabilização e crescimento da economia, para a qualidade de vida de todo o povo (brasileiro), no quarto ano de inflação em trajetória de queda e no quinto ano de crescimento sustentado da economia, dos quais depende também a consolidação de um Estado democrático de direito no Brasil . E, em momento difícil da vida nacional , onde se afirma, "Que espaço restará para a empresa nacional, depois do grande remanejamento das peças na economia brasileira ?", quase, concluindo, "O governo brasileiro, tudo indica, está vencendo as inibições de recém-convertido ao liberalismo e começando a construir uma estratégia industrial. Discutir a divisão dos mercados, no Brasil, sem levar em conta que a referência não é mais o tabuleiro nacional, pode ser um suicídio coletivo. Na melhor hipótese, sobrarão alguns bons empregos em multinacionais para a próxima geração".

Em época de rota de colisão de interesses entre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas, de interesse dos EUA) e o MERCOSUL. Assim como o NAFTA-sigla em inglês (North American Free and Trade Act) significando acordo geral de livre comércio entre o EUA, o Canadá e o México, também como principal interessado os EUA, em rota de colisão com os interesses do MERCOSUL (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). Este último(Mercosul) em expansão de/no interesse latino-americano, onde "os brasileiros não devem preocupar-se com a existência de desígnios em Washington/EUA para enfraquecer o Brasil ou minar o Mercosul" , segundo Henry Kissinger, ex-Secretário de Estado dos EUA, ex-professor da Universidade de Harvard (EUA), uma das pessoas mais influentes da diplomacia americana nos últimos 30 anos. A construção da Alca visa a minar o Mercosul, abrindo mercados por meio de eliminação de barreiras tarifárias, que, em tese, beneficiaria principalmente empresas norte-americanas, mais competitivas por dispor de melhor capacidade gerencial e tecnológica, por via de conseqüência prejudicando o mundo latino-americano e, portanto, o Brasil.

Toda essa problemática nacional ganha maior dimensão, em razão da "globalização / mundialização". Daí a indagação "entenda o que está acontecendo no mundo", "a crise que abala as bolsas é a mais recente manifestação de um processo em que o poder dos governos, o papel das empresas, o destino dos empregos e as culturas nacionais são transformados pela integração econômica e tecnológica". É o estudo de o jornal "Folha de São Paulo"15 , em seu caderno especial, "globalização" (12 páginas), do Conselho Editorial. Aí estão os artigos de Clóvis Rossi, Maria Ercilia, Josias de Souza, Marcos Augusto Gonçalves, Célia de Gouvêia Franco, José Roberto de Toledo e do francês François Chesnais, da Universidade de Paris, com abordagens técnicas. Entre outras : 1) a globalização ainda é, acima de tudo, um fenômeno financeiro ou ainda uma clara interdependência do mercado financeiro ? ; 2) uma interligação dos mercados nacionais onde é possível movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu com as bolsas de todo o mundo (bolsa de Hong Kong ; fins de out/nov 97) ? ; 3) esses fatos ocorrem devido a uma terceira revolução tecnológica (processamento, difusão e transmissão de informações) ?; 4) segundo Robert Reich (ex-secretário do Trabalho do governo de Bill Clinton/EUA) em seu livro de 1991, a mundialização é uma modalidade de funcionamento do capitalismo no qual "os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres" ? ; 5) a mundialização financeira tornou a ser ao menos tão importante quanto a mundialização do capital produtivo ? As carteiras de investimento são novamente tão ou mais importantes que o investimento direto ? ; 6) uma fibra ótica com espessura de um fio de cabelo transmite 500 canais de TV simultaneamente e comporta informação equivalente a 1.000 freqüências de rádio; 7) o fluxo de comércio internacional de bens e serviços em 1994 foi de US.8,4 trilhões de dólares. O valor em 1984 era de US$.3,5 trilhões de dólares ; 8) o volume de transações internacionais com ações, entre 1980 e 1990, teve um crescimento de 28% ao ano, em média; 9) hoje, supera 700 milhões o número de ligação telefônicas entre os EUA e a Europa. Em 1960, elas foram apenas de 2 milhões; etc. Em a mesma edição da Folha de São Paulo (02/11/97,2/13), John Keneth Galbraith/EUA15 , afirmava que, a "crise asiática serviu para NY/Nova Iorque realizar lucros", e quanto a globalização de que, "Não é um conceito sério. Nós, os americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países". É também a preocupação do texto "Cenários Exploratórios do Brasil 2020",da Secretaria de Assuntos Estratégicos/SAE, da Presidência da República, depois de ouvir mais de 70 consultores de diferentes áreas (jornal OESP-O Estadão,30/11/97, A/8).(ver.Home Page/site: http://www.sae.gov.br .

Daí, neste momento da vida nacional, a importância do debate e das propostas em geral, em todas as áreas do comportamento humano, dentre as quais as reformas constitucionais, e entre elas a da segurança pública. Esta, uma das variáveis do desenvolvimento/progresso, com proposituras, do governo Federal, através da PEC nº 517/97-Câmara dos Deputados Federais (Congresso Nacional), e do Governador do Estado de S.Paulo, Mário Covas, esta última publicada in Diário Oficial do Estado/SP, de 24/07/1997 , além de esboços/anteprojetos, de grupos e instituições interessadas. Todos, sob a mira das armas da crítica da mídia e de representações da sociedade em geral, além do Parlamento/Congresso Nacional.

Agora sob o gravame, do "pacote fiscal de 51 medidas rigorosas", anunciado pelo Presidente da República, FHC, e Ministros, Pedro Malan, da Fazenda, Antonio Kandir, do Planejamento, relacionado com a vida econômica, social e política do país, reduzindo o ritmo de crescimento da economia"(in jornais OESP-O Estadão e Folha de S.Paulo, de 11/11/97).As medidas atingem, com o aumento dos combustíveis, do imposto de renda e do IPI-imposto sobre produtos industrializados, prevê demissão de 33 mil servidores públicos federais, aumento do IPI sobre os automóveis e bebidas, envolvendo todos os brasileiros, corte de incentivos regionais, demissões operárias de mais de 20 mil só na área industrial da Capital (São Paulo), etc. Essas medidas do governo produzindo recessão, desemprego, queda de crescimento do PNB/PIB, vêm sendo aplaudidas pelo Fundo Monetário Internacional/FMI, Banco Interamericano de Desenvolvimento/BID, etc. Estão sob amplo debate / questionamento da mídia(TV, rádio-emissoras, jornais, revistas etc). Tudo sob o efeito da crise financeira internacional, iniciada na Ásia (Hong Kong, Coréia, Cingapura, Filipinas, Japão, Malásia, Tailândia etc / bolsas de valores em queda), envolvendo todas as bolsas de valores do planeta. É momento de grande tensão nacional e internacional,dada ao fenômeno da "globalização"(Folha de S.Paulo,02/11/97, caderno especial, de 12 p. - "globalização - entenda o que está acontecendo no mundo"). Época difícil, em que "o modelo 20 por 80 foi consagrado num célebre encontro de líderes mundiais, em San Francisco/EUA (1995). A fórmula, alude à previsão de que no século que vem não será preciso aproveitar mais do que 20% da população apta a trabalhar para a economia mundial funcionar "normalmente". E o resto ? Cf.."A armadilha da globalização",de Hans Peter Martin e Harald Schumann, jornalistas da revista Der Spiegel, alemã, cit. Marcos Augusto Gonçalves, "Ave, FHCésar!",In : "Folha de S.Paulo"(07/12/97, 1/17).E, mais recente, o conjunto de medidas do Programa de Estabilização Fiscal, cf. jornal "Folha de S.Paulo" (29/10/1998,Caderno Especial/20 p.)."O Brasil peerdeu com a crise econômica mais de US$.100 billhões de dólares e o governo torrou as reservas para conter a sangria especulativa.Com a desvalorização do real, o Banco Central perdeu R$.5.4 bil~hoes e o Banco do Braasil R$.6 bilhões. Corretoras que surgiram do nada se tornaram poderosas danoite para o dia e algumas instituições lucraram mais de 1.000% só em janero"(Jose Genoíno , OESP ,01 /01 /1999 ,A/2).Mais de 50% dos Bancos, não pagaram imposto de renda do período de 1997/1998, e, tiveram lucro em jan/1999, superior a de todo o ano de 1998.

É o que se verá em face desta "Introdução", o relato ao longo deste trabalho, seqüencial, 8ª Parte. Inicialmente, na área da segurança pública, vejamos

2 - AS DUAS PROPOSTAS DE GOVERNO (FEDERAL E DE S.PAULO)

O da Justiça, Ministro Iris Rezende, do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, por meio de Mensagem, enviada ao Congresso Nacional, através do Aviso nº 1.125 - SUPARC/C - Casa Civil, de 02/09/97, de Clovis de Barros Carvalho, Ministro de Estado Chefe da Casa Civil, com proposta de emenda constitucional/PEC nº 517/97. Esta proposta, "Altera os arts. 21, 22, 30, 32 e 144, revogando ainda o inciso XVI, do art. 24 (organização estrutural e funcional da polícia civil, seus direitos, deveres e obrigações, etc.) e os parágrafos 3º e 4º, do art. 125 (justiça militar, das PMs), todos da Constituição Federal/CF, que regem o Sistema de Segurança Pública e o Regime Jurídico de seus servidores, fundamentada e subscrita pelo Ministro.

Considera a segurança pública direito fundamental e o compromisso inequívoco de governo com o combate à criminalidade e a implementação e promoção dos direitos humanos no Brasil, considerando ainda os recentes episódios de violência "não só um cenário perigoso, mas a inadequação do próprio modelo traçado pela Constituição para garantir a segurança pública". Poderá ser de "inadequação intolerável, tendo em vista que nem o mais legítimo pleito salarial poderia justificar, aos olhos do cidadão, e também do prisma institucional, o conflito armado entre os próprios agentes incumbidos de garantir a manutenção daquele direito fundamental" (as recentes greves/movimentos salariais de policiais PMs) . E indicando o foro privativo para apuração de crimes eventualmente praticados por agentes de segurança pública, "como estimulador de um quadro de impunidade". É o caso da justiça militar das milícias(das PMs). Deseja assegurar autonomia aos Estados para estabelecer quais os órgãos de segurança a serem criados, subordinando as PMs, caso permaneçam, sob a subordinação dos Governadores dos Estados.

Acena com a possibilidade da cooperação dos Municípios nessa área, com as guardas municipais, incluindo para estes (os Municípios) os Corpos de Bombeiros. Proíbe aos agentes de segurança a sindicalização, a greve e a atividade político-partidária. Enfatiza não mais se justificar a justiça militar estadual, etc.

Mantém a polícia federal.

Extingue a polícia civil e conseqüentemente os delegados de Polícia, da Constituição Federal/CF. Dá nova redação ao parágrafo 4º, do art. 144 (Às policias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares), que, aprovada, teria a seguinte redação, "Lei estadual disciplinará limite de idade, estabilidade, condições de transferência para a inatividade, direitos, deveres, remuneração, prerrogativas e demais situações especiais de seus integrantes, consideradas as peculiaridades de suas atividades, organização e funcionamento estabelecidos em regime disciplinar próprio". Como na PEC nº 173/95, da "reforma administrativa", o art. 241, da CF, deixa de existir, desaparecem os delegados de Polícia, i.e.,"Aos delegados de polícia de carreira aplica-se o princípio do art.39, parágrafo 1º, correspondente às carreiras disciplinadas no art. 135 desta Constituição", referentes ao mundo jurídico/carreiras jurídicas, do Capítulo IV (Das Funções Essenciais à Justiça, do Título IV-Da Organização dos Poderes). Portanto, os delegados de polícia deixariam de existir. Permaneceria, apenas, a atividade policial, no Titulo V-Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas, minimizando a autoridade policial e seus agentes civis, colidindo com o processo sócio-cultural, o direito pátrio e a evolução da história do país. É o que veremos mais adiante.

O importante, para a sociedade, a população, o povo e o delegado de polícia de carreira, civil, de longa tradição no direito brasileiro -, é o de melhoria real da segurança pública efetivamente a serviço da cidadania, respeitando os direitos da pessoa humana, restabelecendo condições de convivência, defesa dos direitos humanos, preservando o regime democrático de representação popular e as liberdades, estabelecidos por meio de eleições livres, por partidos que protejam os direitos e garantias fundamentais estabelecidos na Constituição Federal/CF, de 05/08/1988. Conseqüentemente também o de estar assentado no texto constitucional, como carreira jurídica/do mundo jurídico, o delegado de Polícia, com a condição, conditio sine qua non, para acesso, a de bacharel em Direito, por concurso de provas, títulos e curso profissionalizante de especialização / aperfeiçoamento em Academia de Polícia Civil, também para os policiais em geral, todos, sob o "processo de educação permanente", aliás de acordo com Recomendação da UNESCO / ONU, adiante referida.

E, no Brasil como no caso paulista, Academia de Polícia, situada em campi universitário (Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira- Universidade de São Paulo/USP). Como também o seu Departamento de Polícia Científica. Isto é, Instituto de Criminalística/IC/polícia técnica, Instituto Médico-Legal/IML (ao lado do Hospital das Clínicas/HC e da Faculdade de Medicina /FM-USP), Divisão de Produtos Controlados /explosivos, armas, munições, químicos, corrosivos, inflamáveis etc. ao lado da Academia de Polícia, i.e., teoria, pesquisa científica e prestação de serviços à comunidade,da polícia civil, no mesmo campi universitário/USP. Repetindo, titulação de bacharel em Direito, para a autoridade policial do delegado de Polícia, que vem desde o império, com a Lei nº 261, de 03/12/1841 (Código Criminal do Império) e a lei que a disciplinou, o Decreto nº 120, de 31/01/1842, com 504 artigos. Estabelecendo-se daí, como no passado, uma autêntica política/sistema/filosofia de segurança pública, civil, para o país, como adiante se verificará e que tem raízes profundas (civis), mais distantes e remotas.

Dentre as mais distantes (raízes), estão os Alvarás do Rei de Portugal de 25/06/1760, e a "Circular a todos os Corregedores e Ouvidores, das Comarcas do Reino", de 07/07/1760, do Conde de Oeiras/Marquês de Pombal, os Alvarás do Rei de 15/01/1780 e do de 10/01/1808 (Anexos I, II e III), portanto, já de muito tempo, desde a fase colonial, as autoridades policiais e a atividade policial eram civis.Entre as raízes mais distantes estão o Regimento dos Quadrilheiros, de 12/09/1383, do Rei de Portugal, D. Fernando Iº . Foram, sempre, civis.Quanto às mais remotas (raízes), serão referidas mais adiante, algumas datadas de 1.383, de Portugal, e outras, de quase 5 mil anos, 2.969 anos a.C., no Egito( Faraó Menés). É só verificar Nicolas Delamare, in : "Tratado de Polícia", e revistas "ADPESP",nº 20 : 98-144, 1995; e "ARQUIVOS DA POLÍCIA CIVIL", São Paulo, nº 44 : 215-249, 1996; "INDÍCIOS VEEMENTES", nº 2 : 41-81, 1996; e, in bibliografia ao final cits.

O crescimento da violência em geral e da criminalidade em especial, incluindo a violência policial, das PMs, o tráfico de drogas ilícitas, do crime organizado, da impunidade, da corrupção em geral objeto de escândalos publicados pela mídia (TV, rádio, jornais, revistas etc.), abordados em nossos últimos trabalhos, notadamente in 6ª e 7ª Partes, seqüencial. Esta, a derradeira, in "O momento nacional e a segurança pública" , em prosseguimento àquela publicada in revista "INDÍCIOS VEEMENTES" , para o "VIIº Congresso Nacional de Delegados de Polícia de Carreira", em Guarujá/SP (9 a 12/09/97), agravaram-se.

Essas variáveis e os acontecimentos internacionais passaram a exigir u’a máquina de Estado melhor, moderna e otimizada e, por outro lado, econômica e financeiramente, de menor custo, participativa (controle social direto pelas comunidades a que servem), receptiva a investimentos nacionais e do exterior. E todo eles sob observação atenta da crítica de instituições tais como o Fundo Monetário Internacional/FMI, Banco Mundial, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento/BIRD, Organização Mundial do Comércio/OMC, União Européia/UE, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico/OCDE (comitê de investimentos, reunindo 29 países membros), Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento / UNCTAD, Banco Interamericano de Desenvolvimento / BID etc.

Daí, em uma sociedade globalizada/mundializada, condicionaram a uma tomada de posição do governo brasileiro quanto às reformas constitucionais em geral, para atrair investimentos do sistema financeiro internacional, que até ha pouco tempo, preferentemente, investiam na Ásia, em os chamados "tigres asiáticos" : "velhos"(Coréia, Formosa/Taiwan, Cingapura), e os "novos" (Malásia, Indonésia, Filipinas, Índia, China, Hong Kong) etc. E, neste dias com a presença do Presidente dos EUA, Bill Clinton & comitiva, em nosso país (14, 15 e 16/10/97), o noticiário da mídia aguçou alguns dos problemas nacionais. Entre eles o da corrupção, ao depois das acusações a esse respeito em o relatório do embaixador (no Brasil) dos EUA/Departamento de Estado, amplamente divulgado, inclusive pela Internet, ainda com as críticas ao processo educacional e às deficiências da Justiça. Esse acontecimento provocou a crítica/verberação de amplas áreas do país. Entre as quais a do Presidente do Supremo Tribunal Federal/STF, Celso de Mello, considerando-o "um gesto de arrogância imperial e prepotência, politicamente inconveniente e diplomaticamente inoportunas" , acrescentando ainda que, "em matéria de soberania não se pode transigir", "nenhum país estrangeiro tem essa autoridade", e quanto à omissão do Poder Judiciário (brasileiro) "são genéricas, inconseqüentes e inaceitáveis" . Acrescentar-se-ia, a esse quadro, o protesto do Governador do DF, Cristovam Buarque (ex-reitor da UNB, de Brasília) e do Governador do Estado de São Paulo, Mário Covas que, "quase desiste de comparecer ao encontro com Bill Clinton, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, em SP"(Folha de S.Paulo,15/10/97), irritado, também, com o Cerimonial da Casa Branca, do Governo dos EUA(OESP-O Estadão, 12/10/97).

E, dentre essas reformas, apressadamente, o governo foi levado a uma posição equivocada, contrária ao processo sócio-cultural e a evolução histórica do nosso país, por meio de iniciativa que resultou em a PEC nº 517/97, sobre a segurança pública, mais militar, mais militarizada do policiamento, que sempre foi civil, com exceção apenas do período instituído pela revolução de 1964. É o que se verá ao longo deste e de outros trabalhos (alguns anteriores a este) adiante referidos.

O debate dessa situação exacerbou-se em razão do andamento no Parlamento, da proposta de emenda a constituição/PEC nº 338-A/96, do Poder Executivo, subscrita pela Presidência da República, de iniciativa de 8 Ministros de Estado, i.e., Justiça, Exército, Marinha, Aeronáutica, Estado Maior das Forças Armadas/EMFA, Administração, Planejamento e Orçamento e Chefia da Casa Civil, em Mensagem nº 246, de 25/03/96. De autoria do Poder Executivo da União, e que, em a Comissão Especial, da Câmara dos Deputados (Congresso Nacional), através emenda, aprovada, considerou o miliciano da PM, militar, na acepção constitucional de "militar". Passaria o Brasil, então, a ter "além das Forças Armadas da União, 27 exércitos estaduais", aprovação essa sob a crítica áspera da mídia em geral e dos principais jornais (editorial d’OESP-Estadão, 26/07/97, A/3 ; e in "a dimensão da crise", in Folha de S.Paulo, 27/07/97, ½) do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, ainda de os jornais "O Globo", "Jornal do Brasil"/JB.

Por outro lado, os debates desses acontecimentos já tinham sofrido o impacto da proposta do Governador/SP, Mário Covas, que está em acordo com a nossa história e o nosso processo sócio-cultural. Ou melhor, para uma polícia, civil, com um ramo uniformizado, sob orientação/chefia instalada em edificação própria, civil, de livre acesso ao público, i.e., em Delegacias de Polícia, sob direção de delegado de Polícia, publicada in Diário Oficial do Estado/SP,de 24/04/1997 (Seç.I). Esse posicionamento foi defendido pelo constitucionalista, Prof. José Afonso da Silva, Secretario da SSP do Estado de São Paulo,no cargo desde 01/01/1995, portanto, hà mais de quatro anos (Follha SPaulo,31/ 01/1999,3/4;acusa o Gov.Fed. "de matar a proposta/PEC de sua autoria, pelo próprio partido PSDB e pelo Planalto/José Gregori"),defendido,em depoimento pessoal (24 / 06 /1997,in : "INDÍCIOS VEEMENTES", nº 6 : 22-59, 1997), em Comissão Especial sobre Segurança Pública (Câmara dos Deputados Federais-Congresso Nacional), favorecendo debate da mídia(TV, rádio, jornal, revistas, etc.).

Diz a proposta Mário Covas, para o art.144,da Constituição Federal, in parágrafo 4º, "Ás polícias civis, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária, de polícia investigativa e de polícia preventiva uniformizada". In parágrafo 5º, "As funções de polícia preventiva uniformizada serão exercidas por um corpo uniformizado da polícia civil constituído em carreira própria, segundo dispuser a lei estadual". A seguir, completado in parágrafo 6º, "Cada unidade territorial da polícia civil, sob direção e responsabilidade de um delegado de polícia, contará, nos termos da lei estadual, com equipes de polícia judiciária e de investigação e com uma sub-unidade do corpo uniformizado da polícia civil, destinada ao policiamento preventivo da respectiva área".

Em sua justificativa, o Governador foi enfático : "É preciso que enfrentemos o problema da segurança pública com a compreensão de que ela só terá solução do ponto de vista policial com profunda transformação das estruturas policiais existentes. Precisamos admitir, sem temor, que o sistema de segurança pública instituído na Constituição de 1988 consagrou a deformação gerada especialmente em 1970 pelo regime militar então vigente, com a institucionalização de uma duplicidade policial que provou mal, que não funciona, em razão do desentrosamento entre os dois organismos policiais, pelos desencontros entre elas, pelos atritos e conflitos constantes entre ambas, em prejuízo de uma ação policial eficiente que requer comando único em cada unidade de polícia territorial com harmonia de horário, de modo a propiciar relacionamento comunitário permanente, pois só assim se pode chegar à formação da tão almejada polícia comunitária, em que o policial seja entrosado com os habitantes da área de sua atuação e a população conheça os agentes policiais incumbidos de sua segurança. Isso não se conseguirá sem a unificação da ação policial" (ipsis litteris).

Diz ainda a proposta do Gov. de S.Paulo, "foi um erro, que se vem comprovando dia a dia, a separação, em organismos distintos, da polícia judiciária e investigativa e da polícia ostensiva-preventiva. Embora a polícia ostensiva tenha que se apresentar nas ruas com características especiais, de modo a ser reconhecida de longe, não pode ser ela, contudo, apartada da relação com a polícia judiciária e investigativa, pois, a rigor, nada mais é do que um componente imediatamente visível e complementar daquelas".

E mais adiante, "Daí por que a proposta de emenda encerra a unificação da ação policial nos seus aspectos de polícia judiciária, polícia investigativa, polícia preventiva especializada e polícia ostensiva, concentrada na polícia civil, mas, desde logo, referidas às unidades territoriais em que a polícia civil atua no território do Estado. Em cada uma dessas unidades territoriais, seja ela uma simples delegacia de polícia municipal, única no território do Município, seja ela um distrito policial das grandes cidades, se terá uma organização policial unificada com a responsabilidade de combater a criminalidade seja evitando a ocorrência de fatos criminosos pela presença da polícia civil uniformizada da área, seja pela investigação de ações criminosas, seja pelo exercício de polícia judiciária. Tudo sob a direção, planejamento e responsabilidade do delegado titular da unidade territorial (delegacia municipal ou delegacia distrital), de modo que, no mesmo território, se tenha uniformidade de atuação e de responsabilidade, e de modo que a população saiba quem é o responsável pela segurança naquela unidade territorial".

Refere ainda que, "As modificações, introduzidas no art. 125 da Constituição visa eliminar o foro especial para o processo e julgamento dos crimes praticados por policiais militares. A função policial, mesmo nos limites propostos para a polícia militar, é de natureza civil, de modo que os crimes praticados por seus membros são também de natureza civil e assim devem caber aos tribunais penais ordinários da organização judiciária dos Estados. Quer isso dizer que, sendo de natureza civil, não podem cometer crime militar. É diferente a situação dos integrantes das Forças Armadas, que, por sua destinação específica, pode e deve ter foro especial para o processo e o julgamento dos crimes militares praticados por eles". Essa é a proposta que, "O Governador Mário Covas encaminhou ao presidente Fernando Henrique Cardoso, proposta de emenda constitucional que prevê profundas mudanças nos organismos de segurança pública dos Estados".

3. A DISCUSSÃO/DEBATE/CRÍTICA ÀS (DUAS) PROPOSTAS

A do Gov./SP, Mário Covas, minimizada pelo governo federal, acabou tramitando, não para o Congresso Nacional,mas para uma Comissão de 18 Membros, junto a Secretaria de Direitos Humanos,do Ministério da Justiça, da qual participavam Generais de Exército e Coronéis da Polícia Militar/PMs (do RJ e SP), sofrendo as modificações de costume, de interesse dos militares e da militarização da atividade policial ostensiva (desde 1970), i.e., da fração uniformizada do policiamento. Fato único no mundo.É a acusação de José Afonso da Silva/SSP/SP contra José Gregori/Secretário de Direitos Humanos/MJ,que montou uma Comissão para estudá-la com a maioria de elementos contrários"("PM fez corpo mole, diz Secretário-SSP/SP que sai",in : Folha São Paulo,31/01/1999,3/4).

Entre esses interesses está o óbvio, a rede de informações da Polícia Militar/PM, o "serviço secreto/reservado, P-2, da PM", espalhado em todos os municípios de cada Unidade da Federação, servindo "informes" (informações) ao Exército. E, obrigatória e gratuítamente, aquele (a PM) em razão da condição de militar (inferior e superior hierárquico) e o último, os exércitos estaduais (PMs;inferior hierárquico), remunerados não pela União, mas por cada Unidade da Federação. É só verificar o que consta de leis federais, dentre elas : a) o Decreto-lei nº 317, de 13/03/1967, logo após a revolução de 1964; b) Decreto-lei nº 317, de 13/03/67, vedou às PMs a aquisição de engenhos, armamentos de guerra e aeronaves; c) Decreto-lei nº 1.072, de 1969, do Presidente Garrastazu Médici. As Guardas Civis foram extintas, em 15 Estados, e absorvidas pelas PMs, criando os "Exércitos Estaduais"; d) Decreto-lei nº 2.010, de 12/01/1983, in seu art.6º, o comando das PMs por oficial da ativa do Exército; e) Decreto nº 88.777, de 30/09/1983, que aprova o regulamento para as PMs e Corpos de Bombeiros Militares, R-200, que, pelo seu art. 41, integram o "Sistema de Informações do Exército". E tudo isso em acordo com a legislação sobre as PMs, desde sua criação, absorvendo as Guarda Civis/GC, civil, de 15 Unidades da Federação, de 1969, em diante. Em São Paulo, precisamente em 1970, por Decreto do Governador Abreu Sodré, que não foi eleito, em pleito eleitoral, em eleições livres e democráticas, comprometido com a Democracia, mas indicado / empossado pelos militares da revolução de 1964.

Era uma proposta do Governo,Mário Covas,de um Estado da dimensão de São Paulo. De um Governador eleito em eleições livres e democráticas. Atitude estranha do Governo Federal, cuja verdade ficamos sabendo apenas agora ("O próprio governo federal não se interessou pela unificação das polícias. O José Gregori montou uma comissão no MJ para bombardear e matar a proposta", diz José Afonso da Silva, "Folha de S.Paulo",31 / 01 / 1999,3 /4, "PM fez corpo mole,diz secretário que sai").

Tanto o Governador de S.Paulo (Mário Covas), Estado líder da Federação, quanto o Presidente da República (FHC),eleitos, em eleições livres, pertencem ao mesmo partido político, o PSDB, e são oriundos, politicamente, do mesmo Estado, São Paulo. Incompreensível, a posição na área federal de Governo, sob influência de milicianos,de militares e de José Gregori. Bem diziam Bismael B. de Moraes,"PM,um Estado dentro do Estado"(OESP, 27/01/87),Gilberto Freyre, Pontes de Miranda, Raymundo Faoro, Ruy Barbosa, Dalmo de Abreu Dallari etc.

Entre parêntesis, "Sociologicamente, as polícias militares são conseqüência do ditatorialismo estadual, que o presidencialismo de 1891 a 1967 vem organizando, na razão direta da decadência intelectual e moral do país : presidencialismo múltiplo, esteado em forças armadas também múltiplas, e organizado em simetrias tribais (federal e local) de centro, para que se retarde a efetiva democratização do país. A luta passa a ser só entre centro federal e centros estaduais, Rei e senhores feudais. Como antes do século XVIII....As polícias militares entraram na Constituição. Entidades intra-estatais possuem Exércitos. Não sejamos ingênuos. Foi isso o que a Constituição de 1934 permitiu. Sob a Constituição de 1891 eram inconstitucionais: e viveram, progrediram, floresceram, guerrearam. 1934 nenhum experiência tirou de 1930 e de 1932. É um mal ? Consagremos o mal. Enegrece-se o futuro ? Desafiemo-lo...."(Pontes de Miranda, Comentários à Const. de 1967 com a Emenda nº 1 de 1969. SP, Edit. Rev. dos Trib., 1973, T. IIº, obra em 6 vols.).

Neste mesmo momento (1997), a Câmara dos Deputados (Congresso Nacional), tinha criado (e estava em andamento, com depoimentos de autoridades da vida pública do país) uma Comissão Especial de Estudos sobre Segurança Pública. E com a finalidade de, ao final, oferecer proposições versando sobre o assunto, para tramitação no âmbito da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional, com relatoria, do PSDB, de político também oriundo de São Paulo.

Interessante : da "Comissão do MJ", sob direção/orientação de José Gregori, da Secretaria de Assuntos de Direitos Humanos, "Secretário Nacional de Direitos Humanos....--- que se diz civilista---membro da Comissão de Justiça e Paz durante os anos mais difíceis da repressão do autoritarismo militar"(da "revolução de 1964"), é chefe de gabinete do Ministro da Justiça/MJ (entrevista a "Folha de São Paulo",de 20/09/97, 1/13). José Gregori é também oriundo de São Paulo e do PSDB, que dizem da amizade pessoal do Presidente, FHC. Essa Comissão do MJ, de 18 membros, dela participaram ilustres Generais de Exército e Coronéis da Polícia Militar dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, aquele responsável pela morte, questionada, de Carlos Lamarca, além de outras ilustres personalidades. Todavia, sem delegado de Polícia e muito menos delegado do mesmo Estado de São Paulo, onde ocorreram fatos da maior gravidade e que tem uma polícia civil de maior preparo técnico-científico, tradição e operosidade do país. E, da mesma forma, representatividade. E, tanto assim que tem um Senador da República, Romeu Tuma/SP, eleito, em eleições livres, que é delegado de Polícia, com mais de 43 anos de carreira policial/SP e que foi, diretor-geral do DPF/SP/MJ, tanto em o Estado de São Paulo como de todo o Departamento de Policia Federal/DPF, em Brasília/DF. Sua gestão (Romeu Tuma, como diretor do DPF),ocorreu antes e à época da constituinte (1987/8). E, o Senador da República, Romeu Tuma, que não foi ouvido, é pai de um delegado de Polícia, de S.Paulo, em plena atividade, e chefe de atividade policial, civil, de uma das áreas mais complexas e delicadas da capital do Estado de São Paulo, portanto, do país, envolvendo vários Distritos Policiais, cidade que tem 10 milhões de habitantes, e mais 5 milhões na Grande S.Paulo,totalizando mais de 15 milhões. Ambos, Senador/SP e delegado de Polícia/SP ( filho do Senador), são profissionais de segurança pública/SP (polícia paulista/SP).Interessante.A polícia paulista foi decisiva em os anos 1964 / 1985 ,segundo os militares do movimento de 1964.Incrível, quase paradoxal, a ação da área federal do Governo, para equacionar problemas de segurança pública (atividade policial), por inspiração de José Gregori e os militares e a ausência da polícia civil de S.Paulo ?!.

Com esse quadro de referências, caracterizando-o em outras cores, é só verificar o noticiário da mídia, como por exemplo, "Mário Covas - A presença da ausência do pequeno Ives" , "Covas, PM e Assassinatos" . Também, "Pobreza não explica violência",diz José Gregori". Noticiário de diversos órgãos dos meios de comunicação, da mídia brasileira (TVs, rádio-emissoras, jornais, revistas etc.), do eixo Rio de Janeiro-São Paulo , e da própria capital da República, Brasília, nestes mais de 10 meses de 1997(jan/nov). No entretanto, a polícia/segurança pública, nessa Comissão do MJ é representada apenas por Generais de Exército e Coronéis da milícia/PM-Polícia Militar ( Rio - S.Paulo) estadual !?

E isso em um país, de mais de 150 milhões de habitantes, com a 10ª economia do mundo (10º PNB/PIB), o 8º parque industrial do planeta, com uma renda per capita de mais de $.5.000 dólares, com mais de 75 Universidades particulares e mais de 55 Universidades Federais e Estaduais, Centros/Institutos de Pesquisas Avançadas, em grande expansão, contando com u’a mídia,sindicatos e associações livres - portanto, uma sociedade civil forte - , também, poderes legislativo e judiciário livres, e que, contrariamente aos países plenamente desenvolvidos e a totalidade das nações, está tentando manter e/ou montar um esquema militar, militarizado, de sua atividade policial, fruto de um regime autoritário / militar !? Mantendo, montando e aumentando o efetivo, policial, militar, militarista, militarizado e constitucionalizando 27 Exércitos Estaduais / PMs !? E tudo isso, acontecendo, em pleno regime/estado democrático de diretos !?

E em u’a época em que "a existência de pesquisa permanente e consolidada é o que vai distinguir uma Universidade de um Centro Universitário, dedicado apenas ao ensino (graduação, extensão, especialização)". É o que estabelecem duas Portarias do MEC (Diário Oficial da União, de 23/10/97, Ministro Paulo Renato), definindo critérios para Centro Universitário, que deverão integrar ensino, extensão e, para as Universidades, além destes, obrigatoriamente, a pesquisa permanente e consolidada.

Paradoxal !? Indaga-se, a "Comissão" não foi criada para estudar a segurança pública e a atividade policial não é civil ? E tinha militares mas não civis (profissionais do sistema de segurança pública) !? Somente militares ? Conclusivamente, dessa Comissão só pode e/ou poderia sair uma proposta militar, militarista, militarizada para a atividade policial. E foi o que aconteceu.Predominou o interesse militar,da teoria de "segurança nacional".

Mas, vejamos a proposta de emenda constitucional, à PEC nº 517/97 (avulso, da Câmara dos Deputados/Congresso Nacional), do Ministro da Justiça/MJ, Iris Rezende :

In parágrafo 3º, de sua proposta, diz, "As corporações militares, se existentes, destinadas, primordialmente, à manutenção da ordem pública e da segurança interna e ao exercício de outras funções, nos termos da lei, constituir-se-ão em forças auxiliares e reserva do Exército, subordinadas aos Governadores dos Estados". In parágrafo 5º, proíbe a sindicalização, a greve e a atividade político-partidária, aos servidores dos serviços de segurança pública, "aplicando-se-lhes o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII, XVII e XIX e no art. 40, parágrafos 4º e 5º", os primeiros referentes aos "direitos sociais" (Cap.II, do Título II, da C.F.), e os últimos, dizendo respeito "dos servidores públicos civis" (Seção II, do Cap. VII-Da Administração Pública, do Titulo III-Da Organização do Estado), dando um aparente colorido civil à atividade policial, na verdade mantendo-a militarizada. É a milícia, militar, estadual, i.e., o "Exercito Estadual", sob a crítica àspera de Pontes de Miranda, Raymundo Faoro, Gilberto Freyre, Bismael Batista de Moraes e, no passado, de Ruy Barbosa. É só verificar a bibliografia e as citações em nossos trabalhos anteriores.

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