Fonte: Jornal do Commercio

Poesias


A liberdade � branca,
o navio � negreiro

Mal de amor n�o tem rem�dio. De saudade, tristeza e tuberculose morrem os poetas ultra-rom�nticos.

Meados do s�culo XIX. O c�u � do condor. A poesia social dessa �ltima fase rom�ntica se inspira em Victor Hugo. Com 16 anos, em 1864, Castro Alves chega ao Recife para os estudos de Direito. Al�m dos suspiros pela atriz Eug�nia C�mara, o baiano empresta voz e versos � grande causa do abolicionismo. Na mesma �poca, vem para ficar o sergipano Tobias Barreto. Poetas rivais, Castro Alves e Tobias Barreto agitam o Teatro de Santa Isabel com embates po�tico-passionais.

Pertence a essa fase condoreira, Vitoriano Palhares (Recife 1840- 1890), com um lirismo subjetivo e patri�tico, que tem a Guerra do Paraguai como tema.

Final do s�culo XIX:
ci�ncia, filosofia e arte

Em torno de 1870, desembarcaram no Recife as influ�ncias do realismo europeu, embora rom�nticos versos inspirassem ainda (e sempre) as voca��es po�ticas, t�nues que s�o os limites de um movimento liter�rio a outro. A vida intelectual da cidade � intensa. A Faculdade de Direito � o grande centro de forma��o de bachar�is, vindos de todo o Nordeste.  Aglutinava professores e estudantes em torno das causas abolicionistas e republicanas, com destaque para os  sergipanos Silvio Romero e Tobias  Barreto que nela viria a ensinar.

A Escola do Recife

Ap�s a fase condoreira (1867- 1870), a poesia rom�ntica de Tobias Barreto cede espa�o � orat�ria e �  prosa cient�fica. Ser� a figura central da escola que o cr�tico liter�rio S�lvio Romero, um dos seus seguidores,  denominar� Escola do Recife, sob a  �gide da filosofia alem�. Irradiar� a nova ordem no meio cultural do  Recife com base no positivismo e no evolucionismo.

Martins J�nior (Recife 1860-Rio1904) assumir� o tom realista na sua poesia cient�fica: Lateja-me, no cr�nio, o c�rebro e, no peito, / lateja-me, fervente, o cora��o. Termos cient�ficos que, no  inicio do s�culo XX, o paraibano Augusto dos Anjos (PB 1884-MG 1914), utilizar� no seu livro Eu.  Morou no Recife e poetizou a Ponte Buarque de Macedo.

A virada do s�culo 

O ideal da impessoalidade que se contrap�e ao Romantismo e o culto pela forma ditam o verso parnasiano.  A est�tica da arte pela arte, assimilada dos franceses Th�ophile Gautier e Leconte de Lisle, atravessa os primeiros vinte anos do novo s�culo.

Vale registrar que o poeta pernambucano Medeiros e Albuquerque inaugura o Simbolismo, no Brasil, antes de Cruz e Souza, quando lan�a Pecados, em 1889.

Parnasianos do fim do s�culo e os neoparnasianos, seus sucessores, cultuar�o o gosto pelo soneto, tra�dos muitas vezes pelos tra�os rom�nticos e at� simbolistas dos temas.

Destacar�amos, j� no s�culo XX, Esdras Farias, poeta da gera��o bo�mia, Oleg�rio Mariano, radicado no Rio de Janeiro, Eug�nio Coimbra J�nior, jornalista com produ��o po�- tica at� os anos 70 e a poeta Edwiges de S� Pereira, que foi a primeira mu- lher a pertencer � Academia Pernambucana de Letras, em 1920, ocupando a cadeira n� 7.

Museu de quase tudo

Foram quatro s�culos de panorama po�tico sob risco da condensa��o. Pedem tempo e merecem estudo cr�tico aprimorado que descarte ju�zos de valor, segundo os c�nones est�ticos atuais. Desde ent�o, delineiam o carater aglutinador e cosmopolita da literatura em Pernambuco, p�lo cultural do Nordeste: seus poetas s�o tamb�m, alagoanos, baianos, cearenses, paraibanos...

POETISAS. TEMAS FORTES. VONTADE DE ESCREVER

A escritora Luzil� Gon�alves  Ferreira fala da atua��o das poetisas no final do s�culo XIX: Tem poetisas muito boas. Francisca  lzidora publicou em v�rios jornais do Brasil, deixou v�rios  poemas, romances e uma pe�a  de teatro Elnar. As mulheres tinham  uma rede de publica��o m�tua.Enviavam e recebiam poemas. Os  temas mais recorrentes eram o  da aboli��o e contra a manarquia. Enquanto nos jornais masculinos a mulher era associada � maternidade, elas, ao contr�rio, abordavam temas como o amor, a fuga, o fazer art�stico e a alegria de escrever. S�o dessa �poca: Ana Nogueira, �rsula Garcia, Elisa Laura, Ana Alexandrina Cavalcanti de Abuquerque, lgnez Sabino, lgnez  Pessoa, Maria Am�lia de Queir�s e Tharg�lia Barreto de Menezes. Maria Her�clia, poetisa e jornalista, fundou   dirigiu o jornal A Madressilva. Joana Tiburtina Lins publicou o livro Meus sonhos.

*Na foto: FRANCISCA IZIDORA - Jaboat�o 1856 - Vit�ria de Santo Ant�o 1919, arquivo Paulo Bruscky, reprodu��o: Natanael Guedes.

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