|
|
Fonte: Jornal
do Commercio
Poesias
S�CULO XX
modernos e contempor�nios
FARTOS DO LIRISMO COMEDIDO
At� in�cio dos anos 20, com raras exce��es, a
produ��o liter�ria, mais especificamente a poesia, restringia-se ao soneto e era repetitiva. Evidente
que este marasmo seria sacudido pelos ventos transformadores que agitavam as
diversas manifesta��es culturais, em v�rias partes do mundo, sendo S�o Paulo, o p�lo dessas
mudan�as que culminaram na Semana de Arte Moderna de 1922.
ASCENSO FERREIRA
Predestina��o
- Entra pra dentro, Chiquinha!
Entra pra dentro, Chiquinha!
No caminho que voc� vai
Voc� acaba prostituta!
E ela:
- Deus te ou�a, minha mae...
Deus te ou�a...
in Poemas de Ascenso Ferreira Nordestal 1995 |
A for�a dos versos de Ascenso
Ferreira corresponde ao seu
furor vivencial: sua maneira
de amar, de viver, de traba-
lhar e de criar ao sabor dos
frutos nordestinos, ao cheiro
dos engenhos, ao balan�o
da rede, aos dengos da
mulata, ao murm�rio das
�guas, mas tamb�m ao
furor das tempestades.
Ant�nio Fernando Viana
Escritor e professor - UFPE |

ASCENSO FERREIRA
Palmares 1895 Recife 1965
Acervo Funda��o Joaquim Nabuco
|
Com Gilberto Freyre
� frente, consolida-se um movimento que direciona a renova�ao cultural para o regionalismo
em Pernambuco, gerando fatos como o Congresso Regionalista do Nordeste e a
conseq�ente publica��o do Manifesto Regionalista. Por outro lado, polemizando, Joaquim
Inojosa divulga as tend�ncias modernistas na cidade.
MANUEL BANDEIRA
Auto-retrato
PROVINCIANO que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na inf�ncia da arte,
E at� mesmo escrevendo cr�nicas
Ficou cronista de prov�ncia;
Arquiteto falhado, m�sico
Falhado (enguliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem fam�lia,
Religi�o ou filosofia;
Mal tendo a inquieta��o de esp�rito
Que vem do sobrenatural,
E em mat�ria de profiss�o
Um t�sico profissional.
in Antologia po�tica Editora do Autor 1961 |
Libertinagem � um livro cujo
amadurecimento prov�m da utiliza��o do bin�mio humor/ironia, respons�vel pela
carga de estranhamento e de non-sense de alguns dos poemas que o comp�em. Sobretudo
de Pneumot�rax, que encerra o lirismo dos loucos, o lirismo dos b�bados e o lirismo dos clowns
de Shakespeare. Mas o melhor Bandeira me parece aquele que se abeberou
nas fontes perenes cujo fluxo fertiliza e fecunda o ch�o do
povo. Ch�o de onde ele extrai o barro com o qual modelou Meninos carvoeiros, Evoca��o do
Recife e tantos outros magn�ficos poemas que integram a sua
obra.
S�rgio de Castra Pinto - Poeta paraibano
*MANUEL BANDEIRA - Recife 1886 Rio 1968 Acervo Funda��o Joaquim
Nabuco |
Quanto � renova��o da poesia
cuja produ��o ainda Continuava, na sua maior parte, presa ao Romantismo e ao
Parnasianismo, coube papel de destaque � Revista do Norte, idealizada
por Jos� Maria de Albuquerque e que reunia intelectuais freq�enta- dores do Caf�
Continental na Esquina da Lafaiete, centro do Recife.
JOAQUIM CARDOZO
Nesse mar
Por degrau de arenito e de coral
Do Recife se desce para a fundo da mar,
Para a noite do mar.
Onde ficam as minas de-�gata?
As jazidas maiores de calced�nia?
Que se est�o diluindo nessas �guas,
Nesse mar. Nesse mar,
Um c�u com arco-�ris e ocasos, um c�u?
Caiu nesse mar.
in Poesias completas. Civiliza��o Brasileira 1977 |
A poesia de Joaquim Cardozo
esconde uma manha por tr�s da aparente simplicidade. � uma poesia t�o sem pose
que pode at� dar a impress�o de ser meio prosaica, sem gra�a. Quando se supera
essa primeira impress�o, o que se revela � surpreendente: uma musicalidade como
que inerente �s coisas, um ritmo que se desprende do tempo em que
os seres s�o contemplados pelo poeta como se este apenas lhes desse voz, corpo e
nome (quase sempre o nome da coisa no mundo real), limitando-se a permitir que a
realidade exista por si mesma, sem a media��o de um eu... narc�sico.
Maria da Paz Ribeiro Dantas - Ensa�sta
*JOAQUIM CARDOZO
Recife 1897 - Olinda 1978
Arquivo Maria da P. R. Dantas |
>>>Pr�xima
|
|